A produção literária feminina em destaque

Por Ivani Cardoso

Leia Mulheres, criado em 2015, abriu um espaço de leitura crítica e discussão da literatura produzida por escritoras. Juliana Gomes se entusiasmou com o projeto da hashtag #readwomen2014 e convidou as amigas Juliana Leuenroth e Michelle Henriques para fundarem um clube de leitura. Deu tão certo que a ideia foi crescendo com rapidez, e depois de São Paulo e Rio de Janeiro apareceram muitos seguidores em outras cidades. Hoje o Leia Mulheres funciona em 25 Estados com eventos em livrarias, centros culturais e bibliotecas. Juliana revela que o projeto está chegando em Portugal e outras novidades.

Leia a íntegra da entrevista:

Como surgiu a ideia?

Em 2014, a escritora Joanna Walsh propôs o projeto #readwomen2014 (#leiamulheres2014) que consistia basicamente em ler mais escritoras. O mercado editorial ainda é muito restrito e as mulheres não possuem tanta visibilidade, por isso a importância desse projeto. Em 2015, convidei as amigas Juliana Leuenroth e Michelle Henriques para transformarem a ideia de Joanna Walsh em algo presencial em livrarias e espaços culturais: um convite à leitura de obras escritas por mulheres, de clássicas e contemporâneas. É um projeto social com mediadoras voluntárias dos clubes e a colaboração de participantes que ajudam na divulgação. Em 2019, temos a perspectiva de iniciar uma frente de negócios para tornar o projeto sustentável, pois hoje é mantido apenas pelo trabalho das coordenadoras e mediadoras.

Que tipo de eventos são realizados?

Realizamos clubes para discussão de livros escritos por mulheres. Já aconteceram mais de mil encontros nesses três anos em 105 cidades, em livrarias, universidades, praças, Ongs, onde pudermos discutir e conversar sobre a literatura escrita por mulheres.

Como vocês escolhem os livros que serão trabalhados?

Cada cidade tem sua escolha. A decisão pode ser feita presencialmente, entre os participantes dos clubes, em enquetes pelas redes sociais ou sorteios.

O público dos eventos é formado só por mulheres?

O público é diversificado e varia muito de acordo com o livro a ser discutido a cada encontro.

Acha que os eventos literários em geral dão espaço para as mulheres?

Acredito que sim. Especialmente nos últimos anos, os eventos literários têm dado mais espaço para a participação de mulheres. No entanto, ainda vemos situações em que as escritoras são chamadas para falar da “literatura feita por mulheres” como se fosse um nicho, quando as mulheres escrevem em todos os gêneros literários e sobre os mais variados temas, então acho que talvez o próximo passo seja reconhecer que as mulheres podem estar presentes nos eventos e debater literatura sem nenhum rótulo específico. Por isso, seria importante mediadoras e autoras serem convidadas para mesas em que o tema seja literatura.

Quantos livros e autoras já foram apreciados no projeto?

Os encontros acontecem em mais de 100 cidades e quase todos mensalmente. Devemos ter os números dos últimos anos três anos em breve. Até o início de 2018, 78 livros foram selecionados pelo projeto. Em breve, faremos um levantamento dos títulos incluídos ao longo do ano. Como vários grupos são abertos durante o ano, e cada cidade tem autonomia para decidir o que lê, as informações podem variar bastante de um ano para o outro.

Como fazer para participar?

A participação é livre para todos. Para mediação, é preciso ser mulher e, que ainda não tenha um clube Leia Mulheres na cidade. Quando entram em contato conosco querendo abrir um novo clube, apresentamos os nossos procedimentos e modo de trabalho. Se a pessoa concordar, ela passa a fazer parte do grupo de mediadoras, tiramos dúvidas, divulgamos no nosso site e apoiamos a confecção de material para redes sociais. Todo contato é feito via e-mail contato@leiamulheres.com.br

O projeto acontece em quantos Estados?

A presença nos estados está de acordo com o interesse das pessoas em terem clubes em suas cidades. Em nosso último levantamento, eram 25 estados, em breve estaremos em todos os estados do país. Cada grupo, em sua cidade, pode fazer parcerias, que são alinhadas com a coordenação do projeto e demais mediadoras. As decisões de contrapartidas, sorteios e próximos passos são feitas em grupo. Conversamos por e-mail ou pelo whatsapp. A coordenação central é feita por mim, a Juliana Leuenroth e a Michelle Henriques.

Há novidades chegando para o próximo ano?

Sim, no próximo ano teremos novo layout para o site e o aplicativo (Android e IOS) e teremos, finalmente, produtos do projeto para que os leitores possam nos ajudar ainda mais na continuidade. E mais algumas surpresas que ainda não podemos contar.

Essa experiência não renderia um livro?

Sim, é uma experiência única. Esse contato de norte a sul do país e ver como cada cidade ou estado revela sua peculiaridade tem sido a experiência mais enriquecedora da minha vida.

Quais os cinco livros que jamais sairiam de sua biblioteca particular?

Rua Augusta de Maria de Lourdes Teixeira, Amada, de Toni Morrison, A chave de casa, de Tatiana Salem Levy, A bolsa amarela, de Lygia Bojunga e Risco no disco, de Ledusha Spinardi.

Que escritoras destacaria no cenário da literatura contemporânea brasileira?

Vanessa Vascouto, Jarid Arraes, Stephanie Borges, Aline Bei e Giovana Madalosso

Como entra a tecnologia nas atividades do projeto?

Sem a tecnologia demoraríamos muito mais para efetivar os clubes. Encontramos referências de autoras que não estão na grande imprensa, ou publicam em pequenas editoras, mas foram selecionadas por tratar de questões regionais, ou que despertam o interesse em determinadas cidades. É graças à tecnologia que neste ano, ainda, vamos começar um clube em Portugal, na cidade do Porto. A internet facilitou que leitoras deixassem de dialogar apenas online e montassem um grupo para divulgação da literatura escrita por mulheres e a formação dos leitores que ainda é tão precária no país. Combinamos a tecnologia e o encontro, seja nas redes sociais, no site ou o aplicativo do projeto, para mostrar que através de boa vontade e senso de comunidade é possível transformar esse país num país de leitores. Do nosso lado, estamos dando a nossa contribuição.

Para saber mais: https://leiamulheres.com.br/sobre-nos/

O que os autores devem fazer quando a editora fecha
Forbes
Rachel Kramer Bussel
23/11/2018

O artigo traz exemplos de autores que descobriram que a editora para a qual publicavam estava prestes a ser extinta. Então, esmiúça a questão de quem detém os direitos de publicação. O fundamental é analisar o contrato e saber o que ele estabelece para esta situação.
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Museu digital de HQs 
Da redação

Os fãs de quadrinhos podem acessar gratuitamente o site Digital Comic Museum, um repositório online de quadrinhos em inglês criados até o final da década de 1950. Os quadrinhos podem ser reproduzidos porque já estão em domínio público e para acessar basta fazer um registro no site. Os visitantes não vão encontrar aquelas histórias clássicas dos heróis da DC e Marvel, mas há muitas opções interessantes de quadrinhos de jornais e publicações de várias editoras do gênero.
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Lendo o futuro
The Bookseller
Niels Peter Thomas
22/11/2018

Ainda estamos em um estágio muito inicial para encontrar novas formas e tecnologias que ajudem os leitores a acessar e memorizar mais rapidamente o conteúdo que estão lendo. Agora estamos usando essa pesquisa para experimentar novas formas de exibir conteúdo de livros que se baseiam nos pontos fortes de livros eletrônicos e de livros impressos. Como resultado, esses são momentos empolgantes para o livro.
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Festa do Livro da USP terá participação de 230 editoras
Jornal da USP
Claudia Costa
26/11/2018

Apesar da crise econômica, que levou ao fechamento de editoras e até grandes livrarias, a tradicional Festa do Livro da USP continua sendo o evento mais aguardado da Universidade, e este ano conta com um número ainda maior de estandes. Organizada pela Editora da USP (Edusp), a festa chega à sua 20ª edição e acontece nos dias 28, 29 e 30 de novembro, estendendo-se para o sábado, dia 1º de dezembro. O evento terá a participação de 230 editoras – contando os selos e editoras integrantes dos grupos editoriais, esse número sobe para 260. Entre elas estão grandes editoras como Companhia das Letras, Boitempo, Editora 34, Record e Edusp, e pequenas, entre elas Attie, Arte & Letra, Ouro Sobre Azul e Veneta, que vão trazer todo o seu catálogo, incluindo os lançamentos, com descontos de no mínimo 50%, podendo chegar a 90%.
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Por que precisamos criar livros digitais melhores
The BookSeller
Nick Barreto
21/11/2018

Quando penso em tornar os e-books “melhores”, acho que há alguns aspectos diferentes sobre os quais precisamos pensar. Melhores e-books devem ser: semânticos; acessíveis; lindos; e gerar reflexão.
Sem sentido não temos e-books, temos manuscritos. Acessíveis, para pessoas com deficiências permanentes, temporais e situacionais, prontamente disponíveis em qualquer formato que os leitores desejem, a um preço razoável. E deve-se pensar sobre usabilidade. A maneira como uma determinada informação é transmitida faz sentido em um contexto digital?
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Startups criam um novo trajeto entre livros e leitores
O Estado de S.Paulo
Luiza Dalmaso
25/11/2018

O trabalho de startups brasileiras mostra que existe espaço para abordagens criativas na hora de vender livros – e que pensar fora da caixa pode gerar lucros. Entre os modelos já consagrados está o da Tag Livros, clube de livros criado em Porto Alegre, em 2014, e que prevê faturar R$ 26 milhões em 2018 – valor equivalente a cerca de um décimo da receita estimada pelo mercado para a Livraria Cultura (a empresa deixou de divulgar dados em 2016).
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