Toda cadeia do livro ganha com a PNLE

Por Ivani Cardoso

A leitura é uma conquista da cidadania. Essa conquista está mais próxima a partir da aprovação recente do projeto de lei que cria a Política Nacional de Leitura e Escrita – PNLE. De autoria da senadora Fátima Bezerra, a medida defende uma política permanente de promoção e de universalização do direito ao acesso ao livro, à leitura, à escrita, à literatura e às bibliotecas, em todo o país.  A proposta foi uma sugestão do conselho diretivo do Plano Nacional do Livro e Leitura – PNLL, presidido, na época, por José Castilho Marques Neto. Para ele, a participação da sociedade foi, é e será fundamental para qualquer emancipação do Brasil na conquista de um país leitor.

Confira a íntegra da entrevista:

Há quanto tempo o setor está nessa luta pela PNLE?
O PNLL, em seu texto promulgado consensualmente em dezembro de 2006, já anunciava a necessidade de se criar um marco legal dentro do Estado Brasileiro que contemplasse a política de formação de leitores distinguindo-a de planos e ações passageiras e de períodos governamentais. A proposta era uma Política de Estado, portanto duradoura no tempo, supragovernamental na sua aplicação e suprapartidária porque se trata de formação continuada de cidadania, questão estratégica para o desenvolvimento sustentável e tarefa do Estado e da Sociedade brasileira. Podemos dizer que desde 2006 o setor busca tornar realidade essa lei, que agora terminou vitoriosamente seu ciclo de dois anos no Congresso Nacional.

Quais os principais benefícios?
Os principais benefícios são a obrigatoriedade de o Executivo propor e executar um PNLL a cada dez anos dentro dos parâmetros democráticos e inclusivos estabelecidos na PNLE: participação do Estado e da Sociedade; responsabilidade da Cultura e da Educação; democratização do acesso ao livro e à leitura; formação e incentivo aos mediadores de leitura; incrementação do valor simbólico da leitura e do livro; apoio à economia criativa do livro. A partir dessas diretrizes, mandatárias pelo marco legal que é a Lei da PNLE, muitos benefícios poderão ser gerados para toda a cadeia criativa, produtiva, distributiva e mediadora do livro e da leitura.

Quais os próximos passos?
Encerrado o processo no Congresso Nacional, com aprovação no Senado e Câmara dos Deputados, o PL da PNLE vai para sanção da presidência da República que poderá aprová-lo integralmente, como se deseja, ou com vetos. Se houver veto integral, o PL volta para debate e deliberação sobre o veto no Congresso.

Esse projeto fortalecerá as bibliotecas também?
Certamente fortalecerá as bibliotecas de acesso público como se denomina no PNLL (públicas, escolares, comunitárias) porque os programas e ações do eixo número 1 (democratização do acesso ao livro) têm como epicentro as bibliotecas. Em um país com grandes problemas de poder aquisitivo por parte da população, o acesso da absoluta maioria passa pelas bibliotecas vivas, verdadeiros centros de formação leitora quando reestruturadas como centros culturais e de convivência entre as pessoas do bairro e da cidade aonde estão instaladas.

E na área educacional, o que muda?
O mesmo podemos dizer dos benefícios para a área educacional. Tendo o MEC como um dos responsáveis, assim como já o é no PNLL, os desdobramentos da Lei da PNLE remetem à leitura e à escrita, notadamente a literária, colocando-os em um novo patamar de importância estratégica na formação educacional. Será uma excelente oportunidade do MEC e das Secretarias Estaduais e Municipais de Educação assimilarem um fato que é notório e perfeitamente observável nas escolas que adotam a leitura literária como estratégia de formação integral dos seus alunos: o aumento da capacidade cognitiva, da imaginação e do raciocínio em todas as disciplinas.

O direito à leitura tem sido negligenciado em nosso país. Agora esse panorama vai mudar?
Mudar a difícil história da formação de leitores e do direito à leitura num país como o Brasil é tarefa de gerações e para isso são necessários vários instrumentos. Um dos mais importantes, desde que no exercício pleno de um estado democrático, é o marco legal, a lei soberana que autoriza e determina ao Estado que aquela resolução tomada pelo Legislativo seja cumprida. Até agora somos reféns da boa vontade dos governantes para realizar políticas públicas de livro, leitura, literatura e bibliotecas.

E as leis que já existem?
Todas as leis que existem para o setor tangenciam a questão central que é formar leitores e ficam muito distantes do conjunto de soluções apontadas e comprovadas pela prática nos anos de implantação do PNLL e que constam do atual PL-7752/2017. Portanto, transformado em Lei, o PL passa a ser um guia, um objetivo permanente e um instrumento que organizará o Estado em torno de uma política consistente e que recebeu o consenso de toda a cadeia do setor, além de ser também um instrumento de cobrança da sociedade para que ações pró leitura e escrita sejam de fato implementadas. Enfim, a Lei é um instrumento e dependerá de governos sérios e de uma sociedade atenta e exigente para que possa ser um dos elos dessa grande corrente que poderá transformar para melhor a cidadania e o país.

A leitura é uma conquista?
É uma conquista da cidadania. No século XXI, conhecido por ser a era do conhecimento e da informação, ser um não leitor ou ter algum déficit de apreensão e compreensão dos significados das palavras e dos textos escritos nas múltiplas plataformas que estamos submetidos todos os dias, é evidentemente ficar em um patamar inferior aos que dominam a linguagem tanto coloquial quanto literária ou técnica. Costumamos falar que a leitura é a chave de todos os direitos e se isso já era verdade em períodos anteriores, hoje se impõe fortemente porque o que mais nos chega por todos os veículos é a palavra. E direitos não nos são dados de presente, são conquistados, basta analisar a história da humanidade.

Quais os melhores caminhos para o livro e a leitura?
O PNLL aponta os caminhos que já foram trilhados por inúmeros países e também por excelentes experiências brasileiras. Podemos sintetizar esses caminhos nos cinco fatores difundidos mundialmente pela UNESCO: 1) o livro deve ocupar lugar de destaque no imaginário nacional, sendo dotado de forte valor simbólico e valorizado por amplas faixas da população; 2) devem existir famílias leitoras, cujos integrantes se interessem vivamente pelos livros e compartilhem práticas de leitura, de modo que as velhas e novas gerações se influenciem mutuamente e construam representações afetivas em torno da leitura; 3) deve haver escolas que saibam formar leitores, valendo-se de mediadores bem formados (professores, bibliotecários, mediadores de leitura) e de múltiplas estratégias e recursos para alcançar essa finalidade; 4) deve ser garantido o acesso ao livro; 5) o preço do livro deve ser acessível a grandes contingentes de potenciais leitores.

E as suas recomendações pessoais?
A essas recomendações universais da Unesco eu acrescentaria que é fundamental uma dinâmica do fazer cultural que estimule o conjunto das atividades culturais que são geradas e produzidas pela sociedade. Além da escola, da família, do acesso, criar ambientes de fomento às atividades mais humanas que remetam ao convívio e ao coletivo compartilhado, buscando a formação continuada da criança e do jovem em múltiplos ambientes são medidas que considero adequadas ao mundo contemporâneo e necessárias à formação do jovem leitor.

Como as editoras, livrarias e entidades afins podem ajudar na implantação desse Plano?
O setor produtivo e distributivo, integrantes da economia do livro, já se mostraram participativos e fundamentais quando do período áureo de implantação do PNLL entre 2006 e 2010. Muitos exemplos poderiam ser arrolados, mas o mais importante ao meu ver é que tanto o PNLL quanto a PNLE, que está na iminência de virar, preveem que o setor não apenas apoie, mas que compartilhe a formulação e a gestão do PNLL decenal.

O que esses setores podem fazer?
Caberá aos profissionais da área e aos empresários terem o entendimento dessa oportunidade estratégica de se construir novos leitores e perceberem a responsabilidade social para a qual estão sendo chamados, respondendo com ideias e contribuições que atendam tanto o desenvolvimento dos seus negócios quanto o desenvolvimento da cidadania do nosso país. Afinal, como sabemos, o editor e o livreiro são empresários, mas também são mediadores culturais, trazem em si essa (boa) dubiedade!

E o papel da sociedade?
A sociedade certamente continuará a fazer a sua parte para a implantação da PNLE, assim que ela virar lei. Amplas parcelas da sociedade, principalmente aquelas que estão na ponta da formação de leitores, como a Rede Brasileira de Bibliotecas Comunitárias e também associações profissionais, já estão contribuindo e muito com a difusão da ideia, com apoio efetivo com mobilizações, abaixo assinados, convencimento de parlamentares, etc. A participação da sociedade foi, é e será fundamental para qualquer emancipação do Brasil na conquista de um país leitor.

A implantação será rápida?
Eu torço para que não se criem obstáculos a ela, mas pelo cenário político do país eu entendo que nesse ano já seria um ganho importante se, depois de sancionada, o MinC e o MEC, ministérios responsáveis pela implantação da PNLE, reforçassem minimamente a estrutura já existente do PNLL e inserissem no projeto orçamentário do governo para 2019 as verbas iniciais para o novo PNLL que precisará vir após implantada a Política.

Amazon lança selo dedicado a obras de não-ficção
The Bookseller
Heloise Wood
14/05/2018

A Amazon Publishing chega à não-ficção no Reino Unido por meio do selo Little A. O braço editorial da varejista está “interessado em explorar a não-ficção de qualidade de autores britânicos há algum tempo”, de acordo com a diretora editorial Laura Deacon, e pede aos agentes que apresentem uma ampla gama de títulos, que vão desde história e ciência a estilo de vida e populares. Agentes receberam as notícias com entusiasmo. Nos EUA, a Little A publica ficção literária e não-ficção, mas no Reino Unido, atualmente, apenas focará na não-ficção.
Leia mais em inglês

Por que Fahrenheit 451 é uma obra perfeita para a era das mídias sociais
NY Times
Ramin Bahrani
10/05/2018

Responsável pela adaptação do livro para o filme que será lançado no canal HBO em 18 de maio, Ramin Bahrani acha que Fahrenheit 451 é uma prova de que Ray Bradbury acreditava que queríamos que o mundo se tornasse assim. Que pediríamos aos bombeiros para queimar livros. Que queríamos entretenimento para substituir a leitura e o pensamento. Que votaríamos por sistemas políticos e econômicos que nos mantivessem felizes e não conscientemente informados. Ele diria que escolhemos desistir de nossa privacidade e liberdade para empresas de tecnologia. Que decidimos confiar nossa herança cultural e conhecimento aos arquivos digitais.
Leia mais em inglês

Dependência tecnológica e o negócio da atenção plena
Wired
Erin Griffith
14/05/2018

Em meio à dependência tecnologia instaurada na sociedade atual, começam a prosperar negócios dispostos a reverter os quadros de ansiedade e uso desenfreado de mídias sociais e dispositivos móveis. Empresas voltadas para a atenção plena, ajudam os usuários a se reeducarem quanto ao uso dos dispositivos e aos limites saudáveis de intervenção em sua rotina.
Leia mais em inglês

Editora UFMG cria selo infantojuvenil
PublishNews
Talita Facchini
14/05/2018

A Editora UFMG decidiu reformular seu catálogo e lançou no começo do mês o seu selo infantojuvenil, o Estraladabão. A novidade, segundo a editora, marca o movimento feito nos últimos anos de entrada mais estruturada nesse mercado. A partir de agora, as obras serão organizadas em selos autônomos, sendo que inicialmente, além do selo infantojuvenil, há outro direcionado à produção intelectual da comunidade acadêmica.
Leia mais

Resultados da Pesquisa Game Brasil 2018
Da Redação

Realizada pelo Sioux Group, Blend New Research, ESPM através do Gamelab e Go Gamers, a pesquisa revelou que 75,5% dos brasileiros jogam jogos eletrônicos, independente da plataforma. As mulheres são a maioria entre os jogadores (58,9%), pelo terceiro ano consecutivo. A maioria dos jogadores tem entre 25 a 34 anos de idade (35,2%), seguido por quem tem entre 35 a 54 anos (32,7%). Foram 2.853 pessoas entrevistadas em 26 estados e no Distrito Federal, entre os meses de fevereiro e março.
Confira a pesquisa aqui

Lista: 10 HQs mais vendidas do século 21
Cultura ao Minuto
09/05/2018

O carimbo da Marvel está em quatro das cinco HQs mais vendidas do século 21. Os números foram levantados pelo Comichron, com base em informações da Diamond Comic Distributors. Conforme a pesquisa, o primeiro número de “Star Wars”, de volta à Marvel, em 2015, vendeu 1.073 milhão de unidades. Veja os dez primeiros títulos da lista:
Leia mais

0