Livros são feitiços contra a solidão

Por Ivani Cardoso

A espanhola Lara Meana passou a infância escutando histórias contadas pela avó. Alfabetizou-se ávida por livros e foi com eles mundo afora conhecer novas paisagens e narrativas. Depois, de volta à Espanha, formou-se bibliotecária, mediadora de leitura, escritora e livreira. Autora do infantil Maya e Selou , livro escolhido, no Brasil, pelo projeto Leia para uma criança, do Itaú Social, hoje ela dirige sua própria livraria, a El Bosque de la Maga ColibríDe frente para o mar, a loja está localizada em Gijón,  cidade natal de Lara,  na província espanhola de Astúrias, norte do país.
Lara estará no Brasil nos dias 9 e 10 de março para o curso Vamos buscar um tesouro: grandes livros para pequenos leitores, realizado pelo Instituto Emilia com apoio da Editora Brinque-Book. Apaixonada por literatura, ela concedeu, por e-mail, a entrevista abaixo ao Blog da Brinque.

Como foi a sua formação leitora?
Poderia definir como anárquica, precoce e possivelmente inapropriada do ponto de vista de um adulto. Se dividimos por etapas, meu caminho leitor começa com as histórias contadas por minha avó quando eu era menina, enquanto caminhávamos em direção a sua casa no escuro, às vezes na chuva, uma hora inteira em que nos tornávamos protagonistas atravessando a floresta cheia de lobos, raposas, mistérios e aventuras. Ali me apaixonei pela ficção, e depois de ter vencido o desafio de decifrar a gravura, li tudo o que caía em minhas mãos, dos ingredientes do xampu, aos livros de primos e vizinhos, as recomendações da livraria do bairro ou a mistura improvável de obras que meus pais compraram quando se casaram para encher a mobília da sala de estar.

Quem mais influenciou?
Eu não tinha adultos ao meu redor que condicionassem minha leitura, então tive a sorte de poder construir meu próprio itinerário. Aos oito anos, li indiscriminadamente Roald Dahl, Maria Gripe, Agatha Christie e Gerald Durrell. Com onze anos passei de Tolkien para Homer, de Victoria Holt para Kafka. O ponto de virada foi a descoberta na adolescência de Jane Austen, García Márquez e a poesia espanhola das gerações de 27 e 50. E, mais tarde, ao me tornar bibliotecária veio a redescoberta da literatura infantil e juvenil.

Quantos livros você já publicou?
Como autora de texto e roteiro tem “Maya e Selou”, ilustrado por María Pascual, publicado originalmente por SM Brasil e selecionado pelo Itaú a campanha Leia para uma criança. Foi uma edição especial com 1.800.000 exemplares. Também sou coautora de “Arlequín”, um livro para bebês publicado na Espanha pela editora Barbara Fiore. Realizei traduções para as editoras A buen paso e Intermón Oxfam. Tenho, ainda, um livro digital sobre mediação leitora com Beatriz Sanjuán e Olalla Hernández, de acesso gratuito que pode ser baixado pelo site: www.rutasdelectura.com

De onde vem a sua inspiração?
Creio que todos os livros que lemos, as exposições que visitamos, os filmes que assistimos, as histórias que escutamos … todas essas experiências culturais que acumulamos são bagagens que formam nosso imaginário pessoal, nem sempre de modo consciente. Também vão se somando as nossas experiências de vida, as pessoas que conhecemos, nossos conceitos de infância e cultura … Eles nos constroem como pessoas e como profissionais. Existem autores e artistas que admiro muito, pessoas que conheço e que me inspiram. Paisagens, cheiros, sabores, é um todo.

Como levar a magia do livro para crianças e jovens?
Primeiro devemos acreditar nessa magia, sentir, viver. Eu posso ser mediadora porque sou apaixonada por literatura. É na minha raiz que os livros me acompanham desde que tenho memória, são feitiços contra a solidão e contra momentos difíceis. Eles me permitem viver outras vidas, entender outras formas de pensar e, acima de tudo, conversar com outros leitores. Compartilhar em voz alta para os outros uma boa história que nos comoveu é a melhor maneira que posso pensar para contagiar as pessoas. Leia para os outros sem pedir nada em troca, apenas pelo simples fato de apreciar a palavra, a ação, a emoção, o poder dos personagens. Do prazer nasce a motivação para conquistar a leitura autônoma. Então, vamos ler um para o outro, para crianças, para jovens, para outros adultos.

Qual o papel da escola nesse processo?
A escola é fundamental, afinal passamos boa parte dos nossos primeiros anos nela. No entanto, a escola tende a instrumentalizar a leitura: ler para aprender, ler para melhorar nossa compreensão de leitura ou nossa dicção. Então, as crianças internalizam a leitura como obrigação e não como prazer, e quando não é uma tarefa, elas a abandonam. Para mim, o desafio é que a escola entende que o mero fato de ler por prazer, de ler livremente, de pesquisar os temas que nos interessam  é um aprendizado muito mais significativo e alcança nossos objetivos de maneira secundária. Se os professores são leitores e gostam de ler, eles podem facilmente passar sua paixão para seus alunos. Afinal, você não pode transmitir uma “doença” que você não tem.

Como motivar nativos digitais para a leitura impressa?
O digital não é necessariamente um inimigo da leitura impressa. O problema é o uso dessa tecnologia como forma de as crianças não perturbarem. Os adultos delegam nas telas o cuidado diante da avalanche de tarefas simultâneas a que temos de comparecer, e uma tela nunca pode substituir o contato humano. Ler com crianças é um ato de amor, afeição e relacionamento. O livro pode ser tátil e auditivo, como o digital, mas também tem a aparência e a escuta. E com isso o digital nunca pode competir. As crianças precisam do nosso tempo, da nossa atenção, mas acima de tudo são construídas, elas crescem dos nossos olhos e da nossa escuta. Se os livros fizerem parte desse relacionamento, a leitura impressa será natural para eles.

Qual é a responsabilidade individual?
Nossa responsabilidade, como mediadores, é conhecer obras digitais de qualidade para oferecer às nossas crianças e jovens. É um campo para explorar, que assusta os adultos porque não nos sentimos como nativos digitais, e isso exige muito esforço. Mas, felizmente, temos o trabalho de especialistas como Lucas Ramada Prieto e seu instagram, que nos ajudam a encontrar aquelas obras digitais que têm muito a contribuir para a nossa educação literária e a das crianças.

Acredita que Internet e redes sociais afastam os jovens da leitura?
​Creio que não. Em muitos casos acho que elas serviram para tecer redes entre leitores das mesmas obras em diferentes partes do mundo, sobretudo a partir de Harry Potter. Basta dar uma olhada nos canais de alguns booktubers, que têm milhares de seguidores.

O que considera um bom livro infantil?
​Un buen libro infantil debe tener una serie de características que para mí son imprescindibles:  texto e imágenes de calidad que establezcan un diálogo entre ellas para multiplicar su fuerza narrativa; una edición cuidada y acorde con la obra; honestidad con el lector y verosimilitud para que se produzca el pacto de ficción; respeto por el lector infantil y sus intereses, sin ser condescendiente, moralista o didactista; rigurosidad en la información en el caso de los libros de conocimiento.

Qual é a responsabilidade individual?
Nossa responsabilidade, como mediadores, é conhecer obras digitais de qualidade para oferecer às nossas crianças e jovens. É um campo para explorar, que assusta os adultos porque não nos sentimos como nativos digitais, e isso exige muito esforço. Mas, felizmente, temos o trabalho de especialistas como Lucas Ramada Prieto e seu instagram, que nos ajudam a encontrar aquelas obras digitais que têm muito a contribuir para a nossa educação literária e a das crianças.

Acredita que Internet e redes sociais afastam os jovens da leitura?
​Creio que não. Em muitos casos acho que elas serviram para tecer redes entre leitores das mesmas obras em diferentes partes do mundo, sobretudo a partir de Harry Potter. Basta dar uma olhada nos canais de alguns booktubers, que têm milhares de seguidores.

Você se sente realizada?
Meu pai sempre dizia que eu seria livreira, esse foi meu primeiro emprego durante os verões da minha adolescência, e suponho que, embora tenha resistido, de alguma forma, era minha vocação. Assim nasceu “El Bosque de La Maga Hummingbird”, que tem um acervo de cerca de oito mil títulos, e uma programação que inclui oficinas criativas de leitura animação com bebés, crianças e jovens, ilustração oficinas e criação literária para jovens e adultos, cursos de formação para professores e famílias sobre mediação de leitura, além de um espaço de exposição para ilustradores.

Como escolhe o acervo?
O acervo foi construído nos últimos onze anos. Tentamos selecionar trabalhos de qualidade tão diversos quanto possível para poder dar respostas às preocupações de leitura de tantas pessoas quanto possível. Nossa equipe é composta por quatro especialistas em LIJ que vêm de diferentes disciplinas: filologia, pedagogia e psicologia. Nosso conhecimento, juntamente com a leitura de resenhas por outros especialistas em cujos critérios confiamos e, acima de tudo, a leitura compartilhada com as crianças e jovens das obras que estão chegando novas, está moldando nosso acervo.

Qual é o futuro das distribuidoras de livros no Brasil?
PublishNews
José Henrique Guimarães
05/04/2018

O negócio de atacado e distribuição de livros no Brasil atravessa uma crise histórica que extrapola a atual crise econômica. A boa notícia é que, nos EUA e Europa, o setor vive um bom momento, devido à diversificação de serviços e categorias de produtos em um mesmo escopo operacional, tais como: prestação de serviços logísticos, impressão por demanda, venda de e-books e áudio books, música, presentes e papelaria, entre outros.
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Uma editora que pertence a fãs, tocada por fãs e para os fãs
Publishers Weekly
Jason Boog
06/04/2018

A editora Fanbase Press tem foco na construção de um negócio de cultura pop imerso na comunidade de fãs. Nos últimos oito anos, a editora de Los Angeles dividiu seus recursos editoriais entre dois projetos interconectados: publicar histórias em quadrinhos e graphic novels e criar conteúdo editorial no site da editora que alimentará a comunidade de fãs. Além de links para os projetos de histórias em quadrinhos e graphic novel da empresa, os leitores podem encontrar conteúdo gratuito de cultura pop no site.
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Universidades dos EUA tentam trazer ética dos médicos para programadores
Link/News York Times
Natasha Singer
01/04/2018

Neste semestre, a Universidade de Harvard e o Massachusetts Institute of Technology (MIT) estão oferecendo em conjunto um novo curso sobre ética e regulação da inteligência artificial. A Universidade do Texas, em Austin, também acaba de lançar um curso intitulado “Fundamentos Éticos da Ciência da Computação”. A instituição pretende eventualmente integrá-lo a todos os seus cursos.
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Universidades criam Aliança para Inovação de Porto Alegre
Tecno PUC
06/04/2018

As três maiores Universidades da  capital gaúcha, PUCRSUFRGS e Unisinos, lançam a Aliança para Inovação de Porto Alegre. A articulação entre as universidades visa potencializar ações de alto impacto em prol do avanço do ecossistema de inovação e do desenvolvimento da cidade. A ação tem como foco transformar a cidade de Porto Alegre em uma referência na área de inovação e empreendedorismo no País.
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Nova geração de livros-jogo chegam ao mercado para concorrer com videogames
The Guardian
Alisson Flood
04/04/2018

Antes muito populares, os livros de Fighting Fantasy – “uma emocionante aventura de fantasia em que VOCÊ é o herói” – foram lançados em 1982. A editora infantil Scholastic acredita que chegou a hora de a Fighting Fantasy ter seu dia novamente, investindo na série cult, preparando um novo visual para os primeiros 12 livros. Ian Livingstone, coautor da série clássica, diz que os livros “falam com a criança do século 21 da mesma forma que os videogames falam com eles. A Netflix está falando sobre histórias interativas agora, e há cinema interativo – trata-se de dar poder ao consumidor”.
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Uma cidade tomada pelos quadrinhos
Revista Continente
Paulo Floro
05/04/2018

Um ônibus todo decorado com desenhos de Corto Maltese, personagem criado por Hugo Pratt que é um dos ícones dos quadrinhos franceses, cruza a esquina. Mais adiante, num salão de beleza para mulheres, a Smurfette – dama solitária da HQ Smurfs, criada por Peyo – anuncia uma promoção do dia. Até marcas de luxo como Dior e Prada, além de restaurantes, cafés e livrarias, utilizam temas e motivos ligados aos quadrinhos.
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04/04/2018

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Harry Potter: Hogwarts Mystery tem lançamento confirmado para este mês
Techtudo
Felipe Vinha
05/04/2018

Harry Potter: Hogwarts Mystery, jogo para celular inspirado pela saga cinematográfica e de livros de mesmo nome, será lançado em 25 de abril no Android e iOS. A novidade foi divulgada na conta oficial do Twitter do game, com um lembrete que os interessados podem realizar um pré-registro em ambas plataformas para receber o título assim que ele for disponibilizado.
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