Bons livros nos lugares certos

Por Ivani Cardoso

Qual o segredo do sucesso do Clube de Leitura Quindim, projeto criado em 2016 e que hoje tem 500 assinantes recebendo literatura infantil de qualidade em casa? Renata Nakano é editora e fundadora do clube, e mesmo em licença maternidade continua trabalhando e dá aulas de literatura infantil na Casa Educação. Além de todo carinho e dedicação da equipe, ela conta o segredo: “É justamente enviar livros que os curadores gostariam que todas as crianças conhecessem”.

Leia a íntegra da entrevista:

Qual a sua formação?
Sou mestre em Literatura pela PUC-Rio, bacharel em Comunicação pela UAM e tem MBA em Gestão de Negócios pelo IBMEC. Como pesquisadora, fui premiada com bolsa da Biblioteca Internacional da Juventude, em Munique, e convidada a apresentar pesquisa sobre livro ilustrado em universidades como Cambridge e em eventos literários pelo Brasil. Como editora, desenvolvi catálogos de literatura infantil para diferentes casas editoriais, tendo conquistado prêmios como FNLIJ, BN e o Prêmio Jabuti.

Quando começou sua ligação com o mercado editorial?
Ingressei no mercado editorial quando tinha 18 anos, como estagiária na editora Melhoramentos. Nessa época, estava no segundo ano da graduação em Comunicação, com ênfase em Produção Editorial. Já tinha bem definido meu desejo de focar a carreira em livros infantis, e busquei desde então oportunidades para focar nessa área, seja em minha colocação como editora ou como pesquisadora.

Quando começou a gostar de ler?
Minhas memórias com a leitura são da primeira infância, de minha mãe lendo para mim livros de Ziraldo e Fernanda Lopes de Almeida, apontando as imagens quando eu ainda não dominava a leitura. São lembranças de momentos de muito afeto, que me marcaram profundamente. Lembro também o primeiro livro que li sozinha, de como me senti orgulhosa, e das tardes lendo romances e antologias de contos na adolescência. Adorava literatura, mas não gostava de gramática na escola. Minha mãe sempre foi uma leitora, e seu exemplo fez a diferença em minha formação.

O que mais gostava nas leituras?
A paixão pela imagem veio pelas ilustrações, pelas narrativas visuais. Quando adolescente, fiz um curso extracurricular de pedagogia que na época me marcou. Logo uni as três áreas na literatura infantil: literatura, imagem e pedagogia. E quando descobri que havia um curso de graduação chamado Produção editorial, não tive dúvida.

Como surgiu a ideia do Quindim?
Antes do Clube Quindim, fui sócia fundadora da Edições de Janeiro. Uma das linhas, da qual eu era responsável, era a de literatura infantil, com foco em programas de governo. Com a perspectiva de corte dos programas, os investidores se sentiram, com razão, desestimulados em continuar a apostar na área, que sem o governo não se sustentava dentro de um perfil de editora pequena. Na época, eu estava concluindo meu MBA em Gestão de Negócios, e nas aulas e trabalhos sempre refletia sobre modelos sustentáveis para disseminar a literatura infantil de qualidade. Quando chegou o momento de desenvolver o trabalho de conclusão de curso, propus um clube de assinatura de livros infantis, ideia que havia tido há alguns anos, quando meu irmão assinou um clube de vinhos. Associei também ao Círculo do Livro, projeto privado que formou uma geração de leitores, muitos deles filhos de pais não leitores que assinavam o clube por reconhecer a importância da leitura.

E quando deu certo?
Logo apresentei o plano de negócios ao Volnei Canonica, amigo e parceiro de ideais, que tinha fundado há pouco o Centro de Leitura Quindim. Ele abraçou e embarcamos juntos no projeto. A partir de então, definimos que se chamaria Clube de Leitura Quindim, por causa do Centro, configuramos os detalhes, e convidamos especialistas e artistas para realizar a curadoria. Todos estavam, e estão, muito engajados para que bons livros cheguem aos lares brasileiros. Ilustradores e designers muito talentosos, como a Mariana Massarani, contribuem muito, nos dando de presente artes maravilhosas que compõem as embalagens, o Diário do Leitor e brindes, como a mascote de pelúcia com design da Graça Lima. E em 6 meses lançamos o projeto, que teve seu primeiro envio em janeiro de 2017, e hoje conta com 500 assinantes recebendo mensalmente o melhor da literatura infantil em casa.

Como foi a divisão por categorias?
Lançamos o projeto em dezembro de 2016. Na época, era Volnei Canonica, Ana Castro, que ficou 2 meses conosco, e eu. Hoje continuamos Volnei e eu. No início, pensamos em atuar com uma divisão de competência leitora clássica para quem trabalha com literatura infantil: pré-leitor, leitor iniciante, leitor em processo, leitor fluente e leitor crítico, abordada por alguns especialistas como Nelly Novaes Coelho. Porém, para nos aproximar dos pais que farão as assinaturas, optamos por manter uma divisão de desenvolvimento leitor por idade, uma vez que as categorias de leitor se tornam nebulosas para aqueles não familiarizados com o universo da leitura, a quem desejamos nos aproximar.

O que diferencia de outros clubes de leitura infantis?
A qualidade da nossa seleção e do material enviado, tanto os mapas de leitura quanto as embalagens e brindes com arte assinada por grandes artistas brasileiros e estrangeiros. E logo teremos mais novidades a caminho.

Como é feita a seleção dos livros enviados?
Solicitamos ao corpo curador para indicar livros para as diferentes faixas etárias que selecionamos (0-3, 3-6, 6-9, 9-12). Precisam ser livros de literatura, de preferência brasileira, para que ajudem as crianças a valorizar a nossa cultura e nossos autores. Pedimos também por livros de diferentes casas editoriais, para darmos oportunidade também às pequenas editoras preocupadas em desenvolver um trabalho de qualidade e transgressor. E livros que desenvolvam a empatia, como só a grande literatura é capaz. Enfim, livros que os curadores gostariam que todas as crianças conhecessem.

Vocês também trabalham com e-books?
Não, neste momento em que iPads e Tablets são tão usados como babás virtuais, buscamos proporcionar momentos off-line de afeto através da leitura compartilhada. Na formação leitora, o suporte físico também tem um papel importante no desenvolvimento de uma série de competências que não são trabalhadas no digital.

Como trazer nativos digitais para o livro impresso?
Para nós, o importante é desenvolver o gosto pela literatura, pelas histórias, narrativas, escrita e imagem. E o livro impresso, o códice, por ora é a melhor tecnologia para a literatura – vide a Amazon, que recentemente abriu sua loja física reconhecendo certas limitações do digital.

O que é um bom livro infantil?
Um bom livro é aquele que nos permite olhar o mundo com outros olhos, compreender outras perspectivas. Enfim, são obras que ampliam nosso olhar.

Poderia citar alguns autores do clube?
Marina Colasanti, Ziraldo, Roger Mello, Ricardo Azevedo, Ruth Rocha, Renato Moriconi, Odilon Moraes, Fernando Vilela, André Neves, Lygia Bojunga, Marilda Castanho, Ciça Fittipaldi e outros grandes nomes da literatura infantil, conhecidos ou não pelo grande público.

O que o futuro reserva para editoras de pequenas tiragens
Book Business Magazine
Caleb Mason
02/11/2017

A revolução da publicação em pequenas tiragens – que não garantem uma grande primeira impressão offset, por isso não são realmente representados por agentes e publicados pelos conglomerados  – depende de dois desenvolvimentos importantes: o aumento do uso e acesso à impressão a jato de tinta de pequenas quantidades a serem enviadas; e a capacidade de obter um novo livro impresso em uma máquina de livros na loja.
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 Acervo e digital exclusivo: a nova estratégia da Cultura
Meio & Mensagem
Luiz Gustavo Pacete
08/01/2018

Em meio a seus altos e baixos com problemas financeiros e greves de funcionários, a TV Cultura é uma das emissoras que podem se orgulhar de seu acervo, sobretudo, aquele de conteúdo infantil. E para utilizar esse conteúdo e aumentar sua interação digital, a emissora criou um núcleo de conteúdo digital focado em interação.
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Plano B para livros
The Bookseller
Philip Jones
18/12/2017

O ano de 2017 não será lembrado com saudade – nem pelo comércio, nem pelo mundo como um todo –, mas prova que o segmento editorial pode sobreviver sem que haja, ao longo de 12 meses, um livro que seja fenômeno de vendas. E em 2018 o mercado editorial acompanhará com atenção a rápida expansão da Amazon – e o monopólio cultural que pode acarretar, bem como de outras empresas que vêm se destacando.
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Negócios editoriais, informações sobre leitores
PublishNews
Gustavo Martins de Almeida
05/01/2018

A tradicional expressão da língua inglesa “bricks and mortar” significa o local de um negócio, o espaço físico, o empreendimento, a loja, feita de tijolos (bricks) e massa (mortar). A invasão do comércio virtual em todos os setores traz nova dimensão aos negócios fazendo com que concorram os resultados de vendas pelas lojas físicas e através do e-commerce.
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Ano novo, negócio novo: Cengage lança seu programa de assinaturas ao estilo “Aprenda o quanto puder”
Publishing Perspectives
Porter Anderson
09/01/2017

Seguindo uma tendência mundial de substituir produtos únicos e de preço elevado por assinaturas constantes e de menor valor, a Cengage lançará para o mercado, até o fim do ano, o Cengage Unlimited, que dará aos usuários acesso total aos seus 20.000 títulos digitais. O preço? Muito menos do que o estudante médio gasta em livros didáticos a cada ano.
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Tecnologia e inovação democratizam acesso ao ensino superior
Segs
03/01/2017

Laboratórios e softwares para práticas em casa, salas de aulas virtuais e nuvem de armazenamento gratuita são alguns dos avanços oferecidos pela modalidade. A Educação a Distância tem ganhado cada vez mais adeptos. Pelos dados da consultoria Educa Insights, a previsão é que os cursos a distância ultrapassem o número de 9,2 milhões de estudantes até 2026.
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CES 2018: o que esperar da maior feira de tecnologia do mundo
O Estado de S.Paulo
Bruno Capelas
08/01/2018

O ano mal começou e já é hora de conferir as novidades do mundo da tecnologia: acontece nesta semana em Las Vegas, nos Estados Unidos, a 51ª edição da Consumer Electronics Show (CES), a maior feira do mundo do setor. Participam empresas como Sony, Samsung e LG.
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Vendas da Alexa, da Amazon, no fim do ano são motivo de celebração
CNET
Andrew Morse
26/12/2017

A loja digital declarou que vendeu “dezenas de milhões de dispositivos habilitados para Alexa” em todo o mundo neste fim de ano, tornando-se o melhor assistente digital ativado por voz. O Echo Dot, um alto-falante inteligente em forma de disco de hóquei, foi o dispositivo Amazon mais vendido durante o período e “o produto mais vendido de qualquer fabricante em qualquer categoria em toda a Amazon”.
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Os Quadrinhos mais aguardados para 2018
Woo
18/01/2018

O mercado de quadrinhos não anda tão produtivo como há alguns anos. Mesmo assim, as grandes editoras e os artistas independentes continuam entregando boas Histórias em Quadrinhos aos leitores sempre ávidos por novidades. Por tudo isso, uma lista de mais aguardados como esta sinaliza as obras que podem se destacar neste novo ano.
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