A grande magia do livro infantil é surpreender as crianças

Por Ivani Cardoso

“Não existe criança que não goste de ler, existe quem ainda não achou o livro certo”. A frase é de Claudia Souza, escritora e psicóloga do desenvolvimento e da educação, com livros publicados em oito idiomas. Pesquisadora da infância, há anos se dedica a projetos de intervenção cultural para crianças, pais e educadores em Milão, Itália, onde vive. Ela acaba de lançar “Josefina quer ser bailarina” (Editora do Brasil), uma história sobre o que somos e o que queremos ser, ainda que seja apenas imaginação.
Confira a íntegra da entrevista:

Você tem livros publicados em oito idiomas. As crianças gostam e querem as mesmas coisas? 
Penso que existe uma “cultura da infância” que é muito semelhante no mundo inteiro. As crianças são bem parecidas sim. É claro que o ambiente cultural em que vivem influencia em alguns pontos, mas de uma maneira geral é bem próximo nos aspectos fundamentais.

Como motivar as crianças para a leitura impressa?
Acho que o melhor modo continua ainda sendo a leitura em voz alta. Quando as crianças são muito pequenas, podemos fazê-las se apaixonarem pelos livros lendo para elas e transmitindo a nossa paixão por eles. Depois disso, elas continuam por conta própria.

Os computadores, tablets e celulares distanciam a criança do livro impresso?
Acredito que não. As novas tecnologias são apenas mais uma modalidade de leitura e devem ser tratadas como tal. Oferecem outras possibilidades, diferentes do livro impresso, que são muito interessantes.

Qual deve ser a grande magia do livro infantil?
A grande magia do relacionamento em geral com as crianças: surpreendê-las!

As crianças de hoje, com tantas informações e conteúdos digitais, têm menos curiosidade?
Não creio. A curiosidade infantil é infinita. As crianças modernas podem ser mais exigentes e, às vezes, um pouco entediadas, mas é fácil trazê-las para o universo da literatura com as histórias certas. Não existe criança que não goste de ler, existe quem ainda não achou o livro certo.

Como são seus projetos de intervenções culturais no Exterior?
Trabalho com formação de educadores que desenvolvem oficinas culturais baseadas na criatividade, na exploração, nas interações e na brincadeira em espaços públicos e privados. Atualmente trabalho em uma cadeia de escolas infantis bilíngues. Além disso, acompanho e estimulo mudanças conceituais em escolas para crianças muito pequenas, no sentido de prevenir futuros problemas. Além de escritora, sou psicóloga escolar e arte-educadora.

Que conselho daria aos professores para motivar as crianças para a leitura?
De continuar sempre lendo em voz alta para elas, mesmo depois de crescidas, e de ter sempre uma bela biblioteca de classe.

Qual a importância do brincar para o desenvolvimento infantil?
Fundamental. A criança pensa brincando, o mundo infantil não consegue desabrochar sem a brincadeira. É através da brincadeira que a criança está no mundo.

Como foi sua formação como leitora?
Comecei a ler muito cedo “fuçando” na enorme biblioteca do meu pai. Não tive muitos livros infantis, desde cedo lia os clássicos da literatura mundial e contos de fadas na versão original. Meu pai influenciou todos os filhos a ler muito, inclusive em volume de leitura, e uns foram passando para os outros (sou a caçula da família).

Balé, natação, línguas, judô. As crianças atualmente têm tarefas demais. Isso não é prejudicial?
Em um certo sentido sim, porque as crianças precisam de tempo pra brincar sem compromisso, como nos quintais antigos, mas acho que depende principalmente da qualidade dessas atividades. Se são lúdicas e criativas e se a “agenda” não é muito cheia, não vejo como prejudiciais, mas como possibilidades de crescimento pessoal.

Como é o mercado editorial infantil italiano? 
Muito fechado e muito baseado nas imagens e no formato do livro. Os textos não são o forte da editoria aqui, como são no Brasil, não “puxam” o carro. Tive mais dificuldade de entrar no mercado italiano, mesmo morando aqui ha 11 anos, que em todos os outros países onde já publiquei. Este ano publico meu primeiro livro com uma editora italiana. Espero que depois desse, outras portas possam se abrir aqui.

O que considera mais importante na formação de crianças e jovens?
O respeito, a consciência de que são pessoas qualitativa e não quantitativamente diferentes dos adultos. Por isso mesmo devem ser sempre escutadas e respeitadas em suas características peculiares.

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