Área de imprensa

Aqui você vai encontrar todas as notícias, comunicados de imprensa e entrevistas relacionadas à conferência CONTEC Brasil.

Reportagem na televisão TV Cultura

Notícias digitais

- CONTEC Brasil, uma conferência de sucesso, Abeu, 10/03/2014

- Acesso digital para autores e leitores, Blogacesso, 14/03/2014

- ‘Aprendizado on-line é mais natural para o cérebro’, , Envolverde - 28/02/2014

- A criança, o livro digital e o futuro da leitura, , Estadão - 20/02/2014

- FoxTablet participa da Contec Brasil, , Fox Tablet - 26/02/2014

- Coordenadoria acompanha abertura do ano letivo nas escolas, Blog 14ª CRE Santo Ângelo - 24/02/2014

- Feira de Frankfurt debate livro digital em São Paulo e em Canoas, Estadão/Cultura - 24/02/2014

- A tradução, essa faminta quimera, Folha de São Paulo - Impressa - 23/02/2014

- Para quem escreve o autor local?, Folha de SP - 23/02/2014

- CONTEC BRASIL, Blog NTE - Canoas - 21/02/2014

- CONTEC/Brasil debatendo o futuro da educação, Blog NTE - Bento Gonçalves - 21/02/2014

- Unilasalle recebe Contec Brasil 2014, O Timoneiro - 21/02/2014

- Contec Brasil 2014: novas tecnologias mudam forma de ler, Undime RS - 21/02/2014

- A criança, o livro digital e o futuro da leitura, Abrelivros - 21/02/2014

- Deu samba, Jornal do Comércio RS - Online - 21/02/2014

- CONTEC Brasil - O futuro do aprendizado interativo, Alemanha - Brasil - 20/02/2014

- Estado recebe edição da Contec Brasil, Cultura RS - 20/02/2014

- A criança, o livro digital e o futuro da leitura, Blog Políticas Educacionais - 20/02/2014

- O presente e o futuro da educação digital, Abrelivros - 20/02/2014

- Estado recebe edio da CONTEC Brasil, evento da Feira do Livro de Frankfurt,Jaguarão online - 20/02/2014

- O presente e o futuro da educação digital, Abrelivros - 20/02/2014

- A criança, o livro digital e o futuro da leitura, MSN/Estadão - 20/02/2014

- Aprendizado on-line é mais natural para o cérebro, Planeta Educação - 20/02/2014

- Estado recebe edição da CONTEC Brasil, evento da Feira do Livro de Frankfurt,Governo do Rio Grande do Sul - 20/02/2014

- Conferência da Feira de Frankfurt discute a educação integrada à tecnologia,Prefeitura de Canoas - 19/02/2014

- Dez dicas para educação digital: para expert, processo deve ser `natural´, TECH TUDO - 19/02/2014

- Feira de Frankfurt debate o futuro do livro digital, CM News - 19/02/2014

- Frankfurt é aqui, Pioneiro - 19/02/2014

- Professores estaduais participam da Feira do Livro de Frankfurt, em Canoas,Governo do Estado do Rio Grande do Sul - 19/02/2014

- Feira de Frankfurt debate livro digital, Diário do Grande ABC - 18/02/2014

- `Educação digital é necessidade´, diz especialista da Enciclopédia Britânica, Micro Ploft - 18/02/2014

- Especialista diz em conferência que educação digital é necessidade, Tribuna Hoje - 18/02/2014

- Luiz Ruffato faz palestra nesta quinta sobre a classe operária do País, A Cidade - 18/02/2014

- O futuro do livro digital, Clic Folha - 18/02/2014

- Modelo fitness grava comercial em academia de Ribeirão, A Cidade - 16/02/2014

- Feira de Frankfurt participará de evento em Canoas, Diário de Canoas - 15/02/2014

- Evento da Feira de Frankfurt será realizado esta semana em duas cidades brasileiras, CBN - 16/02/2014

- SP e RS recebem Contec Brasil, Revista Tecnologia Gráfica - 14/02/2014

- Canoas: Núcleo de Inovação articula evento internacional por meio de Célula de Educação, Sua Cidade - 12/02/2014

- Conferência sobre educação terá duas edições no País, Promoview - 12/02/2014

- Contec bate recorde de inscrições, Publish News - 12/02/2014

- Feira do Livro de Frankfurt traz Conferência Internacional, Digestivo Cultural - 07/02/2014

- Evento da Feira do Livro de Frankfurt no Brasil, Representações da República de Federal da Alemanha no Brasil - 07/02/2014

- Futebol é tema de livro que reúne 15 contos, Prefeitura Municipal de Marapoama - 06/02/2014

- Widbook comemora seu primeiro ano com 200 mil usuários, Publish News - 06/02/2014

- Coletânea de contos sobre futebol é lançada hoje em SP, MSN/Estadão - 06/02/2014

- Futebol é tema de livro que reúne 15 contos, IG - 06/02/2014

- CONTEC BRASIL - CONFERÊNCIA E ESPAÇO DE EXPOSIÇÃO EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA, NTE - Estrela - 06/02/2014

- Feira do Livro de Frankfurt realiza conferência internacional em Canoas, Prefeitura de Canoas - 06/02/2014

- Contec-Brasil 2014, Bytes e Types - 04/02/2014

- Editoras brasileiras participam da Feira do Livro de Bolonha 2014 dedicada ao segmento infantojuvenil, Brasil Fashion News - 03/02/2014

- Conteúdo em Ação: o futuro da aprendizagem interativa #contec, A Vida Como a Vida Quer - 01/02/2014

- HP é patrocinadora da Contec Brasil, Revista Desktop - 01/02/2014

- Contec Brasil - Conferência Internacional da feira do livro de Frankfurt, Direcional Educador - 01/02/2014

- Editoras brasileiras participam da Feira do Livro de Bolonha 2014, Jornal do Oeste - 01/02/2014

- Editoras brasileiras participam da Feira do Livro de Bolonha 2014 dedicada ao segmento infantojuvenil, Maxpress - 31/01/2014

- Itália Editoras brasileiras participam da Feira do Livro de Bolonha 2014 dedicada ao segmento infantojuvenil, O Girassol - 31/01/2014

- Evento da Feira do Livro de Frankfurt no Brasil, Brasil Alemanha News - 30/01/2014

- Feira do Livro de Frankfurt realiza em fevereiro Conferência Internacional sobre Educação, Conteúdo e Tecnologia, em São Paulo e Canoas, Meio Norte - 31/01/2014

- Evento da Feira do Livro de Frankfurt no Brasil, Brasil Alemanha News - 30/01/2014

- La tecnología como herramienta para la educación de un país, Editorial teseo - 29/01/2014

- Getty Images será a agência fotográfica da CONTEC 2014, Adonline - 28/01/2014

- Feira do livro de Frankfurt expande sua atuação no Brasil com a Contec 2014,Maxpress - 23/01/2014

- Contec abre inscrições, ABEU.Org - 20/01/2014.

- Feira de Frankfurt traz conferência ao Brasil, Diárioweb - 11/01/2014.

- Programação, Sesc SP - 01/01/2014

Release 1

FEIRA DO LIVRO DE FRANKFURT EXPANDE
SUA ATUAÇÃO NO BRASIL COM A CONTEC 2014

A Conferência sobre Educação, Tecnologia, Conteúdo, e Mundo Editorial acontecerá dia 18 de fevereiro no SESC Vila Mariana, em São Paulo, e dia 20 de fevereiro, na Unilasalle, em Canoas, Rio Grande do Sul, com a presença de palestrantes nacionais e internacionais. Novas conferências estão programadas para este ano.

Depois de duas edições no Brasil (em 2012 no Auditório Ibirapuera e em 2013 na Bienal do Livro do Rio de Janeiro), a Feira do Livro de Frankfurt realizará a CONTEC Brasil 2014 no dia 18 de fevereiro, das 9 às 18 horas no SESC Vila Mariana, em São Paulo e no dia 20 de fevereiro na cidade de Canoas, no Rio Grande do Sul. Desta vez o tema será “O futuro da aprendizagem interativa”. As inscrições estão abertas pelo site www.contec-brasil.com . O evento tem o patrocínio da HP e da Editora Saraiva e o apoio da Edições SM.
Além da presença de Juergen Boos e Marifé Boix García, respectivamente, presidente e vice-presidente da Feira do Livro de Frankfurt, já estão confirmados, entre outros convidados internacionais, Michael Ross, Encyclopedia Britannica, Estados Unidos; Heather Crossley, Ladybird/Penguin, Reino Unido; Jolanta Galecka, Young Digital Planet, Polônia; Jaime Casap, Evangelista de Educação, Google, Estados Unidos; Colin Lovrinovic , Gerente de Vendas Internacionais, Bastei Lübbe , Alemanha e o jornalista e escritor Todd Oppenheimer, dos Estados Unidos. Diferente das outras edições, foram programados mais painéis com os convidados nacionais e internacionais e haverá poucas conferências, como a de abertura do evento: Michael Ross falará sobre “(R )Evolução do Conteúdo – as últimas tendências em aprendizado interativo” .
Entre os participantes brasileiros estão Dolores Prades, consultora editorial e Publisher da revista Emília, Jorge Proença, da start-up Kiduca e Flávio Aguiar, CEO da start-up Widbook (site de escrita colaborativa).
O evento terá apresentações e debates sobre novas tecnologias, abordagens inovadoras e divertidas para o aprendizado, jogos, plataformas on-line, aplicativos, ferramentas interativas de aprendizagem e livros avançados agitam os papéis tradicionais e remodelam a experiência de aprendizagem nas escolas, nas universidades, em casa e no lazer. A proposta da direção da Feira do Livro de Frankfurt é reunir na CONTEC Brasil editores, educadores, administradores da área educacional, experts em tecnologia e educação e profissionais de empresas crossmedia. Durante este ano novas conferências deverão acontecer em outros estados do Brasil.
Entre os temas, a incorporação de tecnologias inovadoras na sala de aula, o treinamento de professores, e a mídia digital e as redes sociais na alfabetização. Palestras e painéis de discussão vão explorar a influência cada vez maior do livro digital na produção editorial tradicional, os desafios da produção crossmedia e o poder da mídia social.
Marifé Boix García acredita que esse intercâmbio é essencial para o Brasil: “A integração de novas tecnologias na leitura e apredizagem na sala de aula e no tempo de lazer tem papel importante na realidade atual, onde o aprendizado é constante e em todos os lugares. Quanto mais crianças e jovens cresçam como nativos digitais será melhor, mas é importante que as instituições educacionais cheguem nessa frente também. Podemos dizer que ainda se precisa de muito trabalho de construção nessa área. Os métodos de ensino mudam. O puro ensino "frontal" será cada vez mais complementado por trabalho colaborativo”.
Serviço
Contec Brasil 2014
São Paulo
Quando: 18 de fevereiro
Onde: Sesc Vila Mariana
Endereço: Rua Pelotas, 141, telefone (11) 5080-3000
Preços: R$60 inteira; R$30 meiae R$12 comerciários
Inscrições pelo site: http://www.contec-brasil.com/pt/
Canoas (RS)
Onde: Unilasalle
Endereço: Av. Victor Barreto, 2288, Centro
Preços: R$60 inteira; R$30 meiae
Inscrições pelo site: http://www.contec-brasil.com/pt/

Informações para a imprensa com Ivani Cardoso/999324765

Release 2

ESTÁ CHEGANDO A CONTEC BRASIL, CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DA FEIRA DO LIVRO DE FRANKFURT

A Conferência sobre Educação, Tecnologia, Conteúdo e Mundo Editorial acontecerá dia 18 de fevereiro no SESC Vila Mariana, em São Paulo, e dia 20 de fevereiro, na Unilasalle, em Canoas, Rio Grande do Sul, com a presença de palestrantes nacionais e internacionais. Novas conferências estão programadas para este ano. Confira toda programação no site http://www.contec-brasil.com/pt/programacao

Mais uma vez a Feira do Livro de Frankfurt traz ao País a CONTEC Brasil – conferência sobre Educação, Tecnologia, Conteúdo e Mundo Editorial – com a participação de especialistas nacionais e internacionais. Desta vez o tema é “O futuro da aprendizagem interativa”, que será apresentado em duas edições: dia 18 de fevereiro, das 9 às 18 horas, evento realizado em parceria com o SESC, na unidade Vila Mariana, em São Paulo, e no dia 20 de fevereiro na cidade de Canoas, no Rio Grande do Sul. Em 2012 Frankfurt realizou a conferência no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, e em 2013 na Bienal do Livro do Rio de Janeiro. As inscrições estão abertas pelo site www.contec-brasil.com . O patrocínio é da HP e da Editora Saraiva e o apoio da Edições SM.

A proposta da direção da Feira do Livro de Frankfurt é reunir na CONTEC Brasil editores, educadores, administradores da área educacional, experts em tecnologia e educação e profissionais de empresas crossmedia. Durante este ano novas conferências deverão acontecer em outros estados do Brasil.
Palestras e painéis de discussão vão explorar a influência cada vez maior do livro digital na produção editorial tradicional, os desafios da produção crossmedia e o poder da mídia social.
Vários tópicos atuais são temas das apresentações: (R)Evolução do conteúdo; As últimas novidades em aprendizado interativo; O “novo” sempre quer dizer “melhor”?; Sinais do futuro...Hoje: inovação em educação – uma perspectiva internacional; Acesso é tudo; Quem está ensinando quem? Os novos modelos na educação; Qual é o limite? Quando o acesso digital se torna uma distração? Que os jogos se iniciem: a gamificação na educação; Alimento para o pensamento I: modelos de aprendizado híbridos; Avaliando o sucesso do aluno; A geração do compartilhamento: aprendizado e mídia social.
Marifé Boix García, vice-presidente da Feira do Livro de Frankfurt, explica os objetivos da Contec: “O mundo do ensino esta mudando massivamente. Também as expectativas do indivíduo são maiores, porque queremos aprender durante toda a vida. Nos últimos anos a tecnologia faz cada vez mais parte da vida diária da maioria das pessoas. As crianças crescem com internet e novos meios tecnológicos. Por isso mudam as ferramentas do ensino e as formas de ensino. A Conferência quer mostrar de um lado o sentido do uso das novas tecnologias e do outro lado a necessidade de mudança das formas de ensino relacionadas ao uso das novas ferramentas”.
Para ela, é importante trazer cada vez mais essas ações ao País: “Sabemos que a aprendizagem eficaz depende da vontade do aluno, mas isso está sempre associado com a motivação adequada para aprender. Um bom professor pode motivar o curso muito bem e oferecer ajuda na aprendizagem. A atuação do professor é crucial. É mais importante o professor que a implantação de novas tecnologias na sala de aula para o sucesso do curso e da aprendizagem”, conclui.
Para o diretor regional do Sesc, Danilo Santos de Miranda, "O Sesc e a Feira de Frankfurt acreditam que o mundo possa ser melhorado com 'palavras' e são elas que se entremeiam å realidade para fortalecer valores e edificar pensamentos. Com o CONTEC, esse Congresso que desvenda a tecnologia em favor do aprendizado, o Sesc pretende levar à frente a discussão de que leitura, formação escolar, educação permanente e repertório cultural caminham indissociavelmente para a construção de um ser humano pleno, passível de pensamento crítico e com o desejo de se tornar cada vez mais autônomo em uma sociedade que também se pretende cada vez mais livre."
Convidados
Michael Ross, da Encyclopaedia Britannica, Estados Unidos, vai fazer a única conferência da programação sobre “(R)Evolução do Conteúdo – as últimas tendências em aprendizado interativo”. Os convidados internacionais são Jolanta Galecka, da Young Digital Planet, Polônia; Jaime Casap, Evangelista de Educação, Google, Estados Unidos; Nick Eliopoulos, Editor da "Infinity Ring", Scholastic, Estados Unidos; Udi Chatow, Manager de Desenvolvimento de Negócios Mundiais em Educação, da HP; David Sanchez, da 24 Simbols, Madri; Octavio Kulesz, Publisher, Editorial Teseo, Argentina e o jornalista e escritor Todd Oppenheimer, dos Estados Unidos.
Entre os participantes brasileiros estão Maria do Pilar Lacerda, educadora, ex-secretária da Educação de Belo Horizonte e atualmente diretora da Fundação SM Brasil, Dolores Prades, consultora editorial e Publisher da revista Emília; Sean Kilachand, cofundador e COO da EduSynch; Jorge Proença, da start-up Kiduca, Brasilina Passarelli, da Escola do Futuro (USP) e Flávio Aguiar, CEO da start-up Widbook (site de escrita colaborativa).
Serviço
Contec Brasil 2014
São Paulo
Quando: 18 de fevereiro
Onde: Sesc Vila Mariana
Horário: Das 9 às 17h30
Endereço: Rua Pelotas, 141, telefone (11) 5080-3000
Preços: R$60 inteira; R$30 meia e R$12 comerciários
Inscrições pelo site: http://www.contec-brasil.com/pt/
Canoas (RS)
Onde: Unilasalle
Horário: das 10 às 18 horas
Endereço: Av. Victor Barreto, 2288, Centro
Preços: R$60 inteira; R$30 meia
Inscrições pelo site: http://www.contec-brasil.com/pt/

Informações para a imprensa com Ivani Cardoso (11) 999324765

Release 3

FEIRA DO LIVRO DE FRANKFURT REALIZA
CONFERÊNCIA INTERNACIONAL EM CANOAS, NO SUL

Palestrantes nacionais e internacionais vão participar da CONTEC BRASIl - Conferência sobre Educação, Tecnologia, Conteúdo e Mundo Editorial programada para o dia 20 de fevereiro, na Unilasalle, em Canoas, Rio Grande do Sul. Antes, no dia 18, será realizada em São Paulo. As inscrições podem ser feitas pelo site www.contec-brasil.com.

Depois de duas edições no Brasil (em 2012 no Auditório Ibirapuera e em 2013 na Bienal do Livro do Rio de Janeiro), a Feira do Livro de Frankfurt realizará a CONTEC Brasil 2014 em duas regiões: dia 18 de fevereiro no Sesc Vila Mariana, em São Paulo, e no dia 20 de fevereiro na cidade de Canoas, no Rio Grande do Sul. Desta vez o tema será “O futuro da aprendizagem interativa”. As inscrições estão abertas pelo site www.contec-brasil.com . O evento tem o patrocínio da HP e da Editora Saraiva e o apoio da Edições SM. No Sul também inclui o apoio das Secretarias de Cultura e Educação do Rio Grande do Sul, Prefeitura de Canoas e Unilasalle.
Além da presença de Juergen Boos e Marifé Boix García, respectivamente, presidente e vice-presidente da Feira do Livro de Frankfurt, já estão confirmados, entre outros convidados internacionais: Jolanta Galecka, Young Digital Planet, Polônia; Jaime Casap, Evangelista de Educação, Google, Estados Unidos; Nick Eliopoulos, Editor "Infinity Ring", Scholastic, USA; Udi Chatow, Manager de Desenvolvimento de Negócios Mundiais em Educação, HP; Michael Ross, da Encyclopaedia Britannica, Estados Unidos; Octavio Kulesz, Publisher, Editorial Teseo, Argentina e o jornalista e escritor Todd Oppenheimer, dos Estados Unidos. Entre os participantes brasileiros estão Dolores Prades, consultora editorial e Publisher da revista Emília, Jorge Proença, da start-up Kiduca e Flávio Aguiar, CEO da start-up Widbook (site de escrita colaborativa).
O evento terá apresentações e debates sobre novas tecnologias, abordagens inovadoras e divertidas para o aprendizado, jogos, plataformas on-line, aplicativos, ferramentas interativas de aprendizagem e livros avançados agitam os papéis tradicionais e remodelam a experiência de aprendizagem nas escolas, nas universidades, em casa e no lazer. A proposta da direção da Feira do Livro de Frankfurt é reunir na CONTEC Brasil editores, educadores, administradores da área educacional, experts em tecnologia e educação e profissionais de empresas crossmedia. Durante este ano novas conferências deverão acontecer em outros estados do Brasil.
Entre os temas, a incorporação de tecnologias inovadoras na sala de aula, o treinamento de professores e a mídia digital e as redes sociais na alfabetização. Palestras e painéis de discussão vão explorar a influência cada vez maior do livro digital na produção editorial tradicional, os desafios da produção crossmedia e o poder da mídia social.
Marifé Boix García acredita que esse intercâmbio é essencial para o Brasil: “A integração de novas tecnologias na leitura e apredizagem na sala de aula e no tempo de lazer tem papel importante na realidade atual, onde o aprendizado é constante e em todos os lugares. Quanto mais crianças e jovens cresçam como nativos digitais será melhor, mas é importante que as instituições educacionais cheguem nessa frente também. Podemos dizer que ainda se precisa de muito trabalho de construção nessa área. Os métodos de ensino mudam. O puro ensino "frontal" será cada vez mais complementado por trabalho colaborativo”.
Programação
8h30 – Credenciamento
10 horas – Abertura
11 horas – NOVOS PARADIGMAS DO ENSINO E DO APRENDIZADO
Discussão - Novas tecnologias estão revolucionando métodos de ensino há muito consagrados. E isto tem levado a um redirecionamento dos papéis tradicionais no ecossistema educacional. Como as relações entre professores e alunos de tecnologia estão mudando? Existe realmente o “nativo digital”? Como alunos e professores estão usando a mídia social para expandir o aprendizado além da sala de aula? Um olhar nos bastidores do ecossistema educacional.
Jaime Casap, Global Education Evangelist, Google, EUA
Jolanta Galecka, especialista em Marketing Online, Young Digital Planet , Polônia
Dr. Vibhu Mittal, chefe de Pesquisa, Edmodo, EUA
Sean Kilachand, diretor de Operações, EduSynch, Brasil
12 horas - SINAIS DO FUTURO... HOJE: INOVAÇÃO EM EDUCAÇÃO
Painel - Tanto no Brasil quanto no exterior, diversas escolas desenvolveram práticas baseadas na autonomia, cooperação e criatividade. Em vez de abordar a crise na educação com os preconceitos que inevitavelmente carregamos, deveríamos abordar esse tema por meio de exemplos que alarguem nossos horizontes. Esta sessão vai focar no lado positivo da história. O copo está meio cheio ou meio vazio? Sob a moderação da professora Maria do Pilar Lacerda, esta sessão buscará apontar sinais do que vem pela frente.
Anna Penido, Inspirare, Brasil
André Gravatá, jornalista, coautor de "Volta ao mundo em 13 escolas", Brasil
Maria do Pilar Lacerda, Fundação SM, Brasil
12h45 – Almoço
13h45 - GAMIFICAÇÃO NA EDUCAÇÃO
Apresentação / Q&A - A “gamificação" está se tornando um aspecto importante do processo de aprendizado para crianças e jovens, mas o que isso significa para provedores de conteúdo educacional tradicionais, para professores e para os alunos? Onde termina a diversão e começa o aprendizado?
Jorge Proença, Co-Fundador, Kiduca, Brasil
Nick Eliopoulos, Editor "Infinity Ring", Scholastic, USA
14h30 - ALIMENTO PARA O PENSAMENTO II: MODELOS DE APRENDIZADO HÍBRIDOS
Sessão interativa - Udi Chatow, especialista em educação da HP, vai apresentar sua visão do futuro do aprendizado e da transferência de conhecimento.
Udi Chatow, Manager de Desenvolvimento de Negócios Mundiais em Educação, HP Graphics Solution Business, EUA
15 horas - ATRAINDO O ESTUDANTE DO SÉCULO XXI: ESTRATÉGIAS DE CONTEÚDO QUE FUNCIONAM
Mesa de discussão - Formatos completamente novos de livros e mídias para crianças e jovens estão surgindo a todo tempo, mas como sabemos o que vai realmente atrair (e manter) a atenção das crianças? Esta sessão apresentará um debate aberto sobre os prós e contras de novos formatos e tecnologias. Quais novos formatos estão sendo adotados pelos estudantes dentro e fora da sala de aula - e por quê? Como os editores estão se adaptando ao mundo da educação em constante mudança e quais as oportunidades e desafios que estão enfrentando?
Michael Ross, SVP and General Manager of Education, Encyclopaedia Britannica, USA
16 horas - SUPERANDO A BARREIRA DIGITAL: MELHORANDO O ACESSO E A INFRAESTRUTURA
Painel - Existe uma riqueza de conteúdo digital e ferramentas de aprendizado digitais por aí, mas de que servem se estudantes e professores não podem acessar tudo isso e se as salas de aula têm falta de infraestrutura? Como editores e provedores de mídia podem ajudar? E quais são algumas das ferramentas disponíveis para que professores e alunos possam criar o próprio conteúdo? Nossos participantes irão comentar as fronteiras digitais nos países da América Latina e em outras regiões.
Octavio Kulesz, Publisher, Editorial Teseo, Argentina
David Sánchez, 24symbols, Espanha
Flavio Aguiar, Widbook, Brasil
17 horas – O QUE FUNCIONA BEM AQUI?
17h30 – Encerramento
Serviço
Canoas (RS)
Quando: 20 de fevereiro
Onde: Unilasalle
Endereço: Av. Victor Barreto, 2288, Centro
Preços: R$60 inteira; R$30 meia
Inscrições pelo site: http://www.contec-brasil.com/pt/

Informações para a imprensa com Ivani Cardoso (11) /999324765

Televisão

- Aparelhos conectados à internet, que já foram proibidos em aula, são aliados da educação, Globo Notícias, 20/02/2014

Dia 1: Alfabetização: o papel da política, das editoras e dos meios de comunicação

8:30 am
Welcome coffee

9:30 am
Welcome
Juergen Boos, Presidente Feria do Livro de Frankfurt
Karine Pansa, Presidente Câmara Brasileira do Livro

09:45 am
Introdução LitCam
Karin Plötz, Diretora LitCam

10:15 am
LitCam e UNESCO Brasil apresentam:
Palestra de abertura

André Lázaro, ex-vice-ministro de Educação e responsável do Programa de Alfabetização, Brasil

10:45 am
Políticas de incentivo à leitura no Brasil Como incentivar a leitura no Brasil através de projetos de alfabetização.
Galeno Amorim, presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Brasil

11:15 am
Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa
Key Note
Lúcia Helena Couto, Coordenadora Geral de Ensino Fundamental do Ministério da Educação, Brasil
O Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa é um compromisso formal assumido pelos governos federal, do Distrito Federal, dos estados e municípios de assegurar que todas as crianças estejam alfabetizadas até os oito anos de idade, ao final do 3º ano do ensino fundamental.

11:45 am
A contribuição do mercado literário para a alfabetização mundial
Mesa-redonda
Claudio de Moura Castro, Assessor Especial da Presidência do Grupo Positivo, Brasil
Sônia Machado Jardim, Presidente SNEL, Vice-Presidente do Grupo Record, Brasil
O patrono da LitCam, Shashi Tharoor disse certa vez: "Não há livros sem leitores, e não há leitores sem alfabetização”. As editoras devem motivar a leitura, publicando bons livros e facilitando o acesso aos livros, sejam impressos ou digitais.

12:30 pm
Almoço

2:00 pm
O papel da (nova) mídia para alfabetização mundial
Aprendendo com Bollywood filmes
Projeto Filmes com legenda - “Same-Language Subtitling”

Key note
Brij Kothari, Planet Read, India

A Planet Read é uma organização sem fins lucrativos com sedes na Califórnia, Estados Unidos, e na Índia. É dedicada à leitura e ao desenvolvimento da alfabetização em todo o mundo e tem um sólido histórico de trabalho na Índia. A Planet Read foi originalmente criada em torno da idéia “Same-Language Subtitling” (SLS) – Legenda de filmes, agora uma inovação reconhecida mundialmente para a alfabetização em massa e desenvolvimento da leitura por meio da TV. O projeto foi concebido e desenvolvido em 1996, pelo Instituto Indiano de Gestão, Ahmedabad, e hoje, após sugestão do Instituto, foi implementado nos filmes musicais de Bollywood, imensamente populares na TV na Índia.

2:45 pm
Basic Literacy at the web
Key Note
Ursula Suter, Avallain, CH

NALA e Avallain – Nova Forma de Oferecer Reconhecimento às pessoas em processo de Alfabetização na Irlanda Em 2008, a Agência Nacional de Alfabetização Adulta (NALA) incumbiu à Avallain o desenvolvimento do site www.writeon.ie. O website funciona como parte do Serviço de Aprendizagem a Distância da NALA. A Irlanda ainda possui uma das maiores taxas em problemas de alfabetização entre pessoas com 16 a 25 anos de idade nos países OECD. O objetivo do Serviço de Aprendizagem a Distância da NALA é fornecer oportunidades de aprendizagem gratuita de alta qualidade, voltadas para a melhoria da alfabetização, sem estabelecer relação com históricos social, econômico e cultural, e levando em consideração todos os níveis de habilidade técnica. A fim de alcançar esse objetivo, a NALA está comprometida em expandir o acesso às oportunidades de alfabetização através da Aprendizagem a Distância. Desde que o www.writeon.ie foi lançado, em setembro de 2008, mais de 23.000 usuários aprendizes estão ativos. A apresentação Avallain/NALA em 7 de agosto fornecerá alguns detalhes adicionais sobre esse contexto e mostrará como os novos meios podem, evidentemente, proporcionar enormes benefícios aos aprendizes e educadores, simplificando os processos e custos envolvidos em oferecer educação de qualidade às pessoas em processo de alfabetização.

3:15 pm
Aprendendo com o uso de Smartphones. PALMA - Programa de Alfabetização em Linguagem Moderna
Apresentação

Prof. José Luis Poli, IES2 - Inovação, Educação e Soluções Tecnológicas, Brasil

A implementação do projeto em sete cidades no estado de São Paulo, demonstrou excelentes resultados, com 244 estudantes de três grupos de faixa etária: jovens e adultos com mais de 15 anos, crianças de 9 e 10 anos - ainda analfabetas - e um grupo de alunos com síndrome de Down.

3:45 pm
Coffee break

4:15 pm
Aprender com a mídia: Education Beyond Walls, Brasil
Apresentação
Sandra Caldas Sarago, Project Education Beyond Walls, Brasil
Meninas de 12 a 21 anos, que cumprem medida socioeducativas de internação, buscam se restabelecer repassando os conhecimentos adquiridos nesse projeto. Por meio dele, as alunas aprenderam a fazer animações em Stop Motion e, utilizando o Movie Maker, criaram vídeos educativos sobre diversos temas da vida cotidiana que envolvem cuidados com meio ambiente, uso correto da água, poluição dos rios, entre outros. Esses vídeos são apresentados por elas para alunos de outras escolas (públicas e/ou particulares), e isso tem promovido uma quebra de paradigmas, tanto de quem assiste, que se surpreende pelo fato de estarem aprendendo com as internas, quanto de quem apresenta, que se vê capaz de transmitir conhecimento às outras pessoas.

4:45 pm
O Twitter e o Facebook impulsionam a alfabetização?
Mesa Redonda
Thalita Rebouças, autora Brasil
Cláudio Fragata, autor Brasil
Moderação: Jose Luiz Goldfarb, consultor, Brasil
Autores brasileiros irão discutir sobre as oportunidades e os riscos das mídias sociais para a alfabetização.

5:30 pm
Encerramento do dia

Dia 2: Reader 2.0

8:30 am
Welcome Coffee

9:30 am
Abertura

9:45 am
Visão panorâmica: olhando na bola de cristal
Apresentação & Discussão
Tania Fontolan, Abril Educação, Brasil
Helge Braga, Wiley, Brasil
Moderação: Holger Volland, VP Media Industries, Frankfurt Book Fair
Duas editoras (de referência uma nacional e uma internacional) irão falar de suas visões pessoais do futuro do negócio da mídia. Cada uma delas fará uma apresentação de 10 minutos, seguida por uma discussão moderada com foco nas semelhanças e diferenças entre as suas experiências e mercados.

10:45 am
Leitor 2.0 – O que o leitor de hoje realmente procura?
Key Note
Philippa Donovan, Egmont, UK
A frase "o cliente é quem manda" assume um novo significado na era das mídias sociais e Web 2.0. Este Key Note destacará as mudanças nas necessidades de um público em evolução e a nova relação que esses leitores têm com as mídias.

11:15 am
O seu livro pode fazer isso?
Mesa redonda
Bruno Valente, Punch, Brasil
Hervé Essa, Jouve, França
Philippa Donovan, Egmont, UK
Moderação: Carlo Carrenho, PublishNews, Brasil
Apps, e-books, enhanced e-books: esta palestra irá proporcionar uma visão geral dos novos formatos de livros, suas funções e seus públicos.

12:15 pm
Almoço

01:30 pm
Lançamento CONTEC BRASIL 2013 - uma feira internacional com programa de conferências sobre conteúdo infantil & educacional e tecnologia
Apresentacão
Juergen Boos, Presidente Feria do Livro de Frankfurt
Marifé Boix García, Vice Presidente Business Development Southern Europe & LatinAmerica, Feria do Livro de Frankfurt

02:00 pm
Mídias sociais – como desenvolver uma relação sólida com o leitor
Discussão
Viviane Lordello, Skoob, Brasil
Marcelo Gioia, The Copia, Brasil
Moderação: Octavio Kulesz, Teseo, Argentina

O leitor não é mais um consumidor passivo. Pelo contrário, os leitores estão se tornando criadores de conteúdo. Essa dinâmica está criando uma nova forma de se fazer o “boca a boca“, além de novas oportunidades de vendas. Como gerenciar com sucesso uma comunidade de leitores e estimular ao máximo o seu entusiasmo?

03:00 pm
O futuro da transferência de conhecimento
Entrevista
Juan Felipe Cordoba Restrepo, ASEUC, Colombia
Richardt Rocha Feller, Minha Biblioteca, Brasil
Moderação: Jose Castilho, ABEU, Brasil

As bibliotecas e universidades precisam se reinventar na era digital. Qual será o papel, por exemplo, dos jornais eletrônicos, plataformas de conteúdos digitais ou bibliotecas virtuais no futuro? Como eles vão mudar a maneira pela qual as pessoas acessam o conhecimento e o conteúdo? Um bibliotecário brasileio e um representante de uma editora universitária colombiana irão discutir os seus papéis no “ecossistema” da publicação digital e a viabilidade do modelo de assinatura.

4:00 pm
Coffee Break

04:30 pm
Fronteiras incertas: As mudanças nos papéis dos editores, agentes, autores e livreiros
Apresentação e Discussão
Joanna Ellis, The literary Platform, UK
Jesse Potash, Founder PUBSLUSH Press, USA
Lucia Riff, Agência Riff, Brasil
Moderação: Holger Volland, VP Media Industries, Frankfurt Book Fair

Em um cenário onde agentes e livreiros estão abrindo suas próprias editoras e autores que se auto publicam negociam seus direitos autorais internacionais, o que significa ser um editor, agente, autor ou livreiro na era digital? Como os papéis estão mudando e é possível atuar sozinho e ainda ser bem sucedido?

05:30 pm
Ferramentas do futuro: Novas tecnologias na sala de aula
Key Note
Martin Fielko, Cornelsen Verlag, Alemanha

Dar aos alunos um laptop ou tablet vai melhorar sua experiência de aprendizagem: certo ou errado? Esta apresentação proporcionará um olhar nos bastidores da sala de aula do futuro. Lousas inteligentes, apresentações multimídia, tablets e muito mais: qual é o valor dessas novas tecnologias e como elas mudam o ambiente de aprendizagem?

05:45 pm
Encerramento

RELEASES DO PRIMEIRO DIA

Caiu na rede, não dá mais para sair, garantem nossos conferencistas

O Twitter e o Facebook impulsionam a alfabetização? Em uma mesa com esse tema, reunindo os escritores Thalita Rebouças e Cláudio Fragata, mediada pelo consultor José Luiz Goldfarb, a resposta só poderia ser sim. Entusiasmados pelas redes sociais eles usam, acreditam e consideram as redes sociais ferramentas positivas para a alfabetização e para a literatura. “Sou fã do twitter e do Facebook, essas ferramentas me ajudaram muito e hoje tenho 202 mil seguidores no twittern e posso falar com leitores do Brasil e do mundo todo”, elogia Thalita Rebouças.
Ela garante que nunca se leu tanto e se escreveu tanto como agora. “E por mais que os jovens usem o internetês, sabem usar a rede de uma maneira lógica e coerente. Muitos discutem sobre os livros que estão lendo, acho que as redes sociais estimulam o hábito da leitura. Os adolescentes aprendem a sintetizar sem copiar. Eu digo sempre que o twitter, por exemplo, é uma festa silenciosa onde eu tenho oportunidade pra falar com muita gente”, conclui.
O escritor Claudio Fragata admite sem receio que as redes sociais auxiliam a alfabetização, da mesma forma que os livros e os professores: “São ferramentas importantes, essa comunicação dos escritores com seus leitores é direta. Não consigo me imaginar hoje sem as redes. É um caminho sem volta”.
Da mesma forma o mediador José Luiz Goldfarb é totalmente favorável ao uso das redes. “Comecei em 2009 e não parei mais, estamos transformando a palavra escrita e encontrando novos usos para ela”.

Meninas de ouro

Desde 2009 a professora Sandra Maria Saragoça Decembrino Caldas, da rede Municipal e do DEGASE (Rede Estadual, Rio de Janeiro) desenvolve o projeto Educação Além dos Muros - Education Beyond Walls, no Brasil.
Através de convênio firmado entre a LEGO Education (que doou 20000 peças e a capacitação dos professores), o DEGASE (Departamento Geral de ações Socioeducativas) – que entrou com a logística (pilhas, mesas, computadores) e a Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro que entrou com a estrutura e a parte pedagógica, muitas jovens mudaram suas vidas. Sandra coordena o projeto que leva às alunas, adolescentes em conflito com a lei, a possibilidade de executar filmes de animação sob a técnica de Stop Motion e, depois de pronto, mostrá-los em escolas regulares, públicas e/ou particulares onde elas se tornam palestrantes e se percebem capazes de fazer algo bom.
Sandra se emocionou ao falar para o público da Contec e mostrar imagens e um dos filmes produzidos pelas suas meninas. Ela contou as dificuldades em fazer com que elas acreditassem nelas mesmas, no esforço para vencer os preconceitos, nos resultados positivos que têm aparecido em todas as visitas às escolas, mesmo aquelas particulares onde os alunos passam distante dos problemas que as garotas enfrentam no dia a dia. “Essas experiências marcaram suas vidas para melhor, aumentaram a auto-estima e deram a consciência da responsabilidade pessoal daqui para a frente. Elas aprenderam que podem e devem ser protagonistas de suas vidas”. E além de vários prêmios nacionais e internacionais recebidos, o projeto ainda deu às meninas a oportunidade de conhecer pessoalmente a princesa da Dinamarca, durante sua visita ao Brasil.

Smartphones e alfabetização combinam

O professor José Luís Poli é idealizador do PALMA – Programa de Alfabetização na Língua Materna - e seu tema na Contec Brasil foi Aprendendo com o uso de Smartphones. Ele explicou a base do programa de alfabetização para jovens e adultos, complementar à educação formal e idealizado por ele, por meio de um conjunto de aplicativos para dispositivos móveis – celular tipo smartphone – que combina sons, letras, imagens, símbolos, números e envio de SMS, e por um sistema WEB que gerencia o processo e o desenvolvimento da aprendizagem do aluno.
Experiência inédita no Brasil, o PALMA engloba sua ação desde o inicio do processo de alfabetização. Poli contou que o seu programa para os aparelhos telefônicos cobrou números, letras e sílabas, como uma ferramenta complementar à educação. “O aluno ao usar o smartphone, transpõe o que ele aprendeu para o caderno. Um programa de alfabetização deve garantir a flexibilidade do estudo e proporcionar condições de mobilidade para que o público jovem e adulto tenha condições de acesso e continuidade no processo”, ele diz.

Quem não sabe contar história não sabe ensinar

Cláudio de Moura e Castro é assessor especial da Presidência do Grupo Positivo, escritor de mais de 35 livros e autor de mais de 300 artigos científicos, além de articulista da Revista Veja. A essas informações de um currículo resumido, soma-se uma habilidade nem sempre comum aos bons escritores: ele é um excelente conferencista, capaz de encantar e dominar grandes plateias como a do primeiro dia da Contec Brasil. Ele começou sua apresentação com uma tela onde se lia “Infelizmente no Brasil, nem livros nem leitores”. Depois vieram citações de nomes como Mario Quintana, Proust e Marianne Wolf. Em comum, todas levavam à importância da leitura: “Sabemos hoje por pesquisas que quem lê fica mais tempo na escola e se dá melhor na vida. Crianças que têm bibliotecas domésticas têm vida escolar mais longa”, revelou.
Por outro lado, o escritor também destacou fatores que levam o brasileiro a não ler, como a falta do hábito de leitura dentro de casa. “Pais que não são leitores não têm como estimular o costume de ler nos filhos que, por sua vez, também contam com uma biblioteca familiar pobre.” Outro ponto: muitos professores, além de não serem leitores habituais, também não aprenderam a alfabetizar. E, para completar, as bibliotecas escolares são pobres.”
Frente a esse panorama, Cláudio levantou uma questão: como, então, criar leitores no Brasil? Obrigando os jovens a ler ou dando a eles o direito de escolher? ”As duas coisas estão profundamente associadas”, disse. “ Sabe-se que a leitura voluntária melhora as notas”. Durante a conversa, ele ainda abordou a leitura digital “É mais fragmentada e de 20 a 30 % mais lenta, mas os nativos digitais parecem não se importar muito com isso”.
No final, o autor opinou que mudar o professor é algo fundamental para reverter a atual situação do analfabetismo no Brasil. “Mas existe uma barreira ideológica que é a resistência por parte das pessoas que criaram o atual modelo pedagógico a mudá-lo.” E concluiu: “ Ensinar é contar história. E quem não sabe contar história, não sabe ensinar”.
A conferência de Cláudio teve a participação de Sonia Jardim como entrevistadora. Ela exerce seu segundo mandato como Presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros.

Paixão pelo compromisso de ajudar

A suíça Ursula Sutter está à frente da Avallain AG - organização de serviços educacionais para desempregados baseada na Suíça e no Quênia - e desde 1997 participa ativamente no mercado de e-Learning . Ela mostrou ao auditório do Ibirapuera uma parte do trabalho de alfabetização desenvolvido em diversos países, como a Irlanda e o Quênia, onde foram observados problemas comuns entre os alunos, como experiências negativas em escolas anteriores e receio de tornar público o próprio desconhecimento.
Ursula explicou sobre o trabalho de fornecimento de aprendizagem gratuita de alta qualidade a distância, dando detalhes sobre como os novos meios podem beneficiar não somente aprendizes como também educadores, baixando custos e simplificando o processo de alfabetização. O e-Learning também se mostrou uma ferramenta eficaz ao trazer aos alunos vantagens como a possibilidade de estudar no horário e local mais conveniente, como por exemplo, quando os filhos já estão dormindo.
Esse processo tão bem sucedido, segundo Ursula, não se restringe a ensinar a ler e escrever. “A educação tem que ter uma história”, ressaltou. “ É preciso ter paixão pelo compromisso de ajudar as pessoas”.

Brij KIothari entusiasmou auditório com seu projeto de alfabetização

Em sua conferência sobre o papel da (nova) mídia para alfabetização mundial, o acadêmico indiano Brij Kothari trouxe para o auditório do Ibirapuera um pouco de cultura de seu país com a exibição de clipes musicais legendados. Kothari criou, em 1996, o Same Language Subtitling - Filmes com Legendas na Tv para alfabetização em massa na Índia.
O projeto foi implantado a partir de 1999 nos filmes musicais de Bollywood, trazendo resultados satisfatórios em curto prazo de forma praticamente lúdica. “Assim como no Brasil, cinema, novelas, entretenimento e esportes são muito populares na Índia”, adiantou. “Nosso alcance chega a 300 milhões de espectadores, sendo 200 milhões de alfabetizados funcionais”.
O palestrante exibiu imagens de pessoas seguindo a legenda para acompanhar as músicas e os intérpretes. “ Há outros benefícios além da leitura”, garantiu. "Muitos também passaram a transcrever as letras das canções”. De acordo com Kothari, o processo aconteceu automaticamente, já que o público passou a acompanhar as legendas sem que ninguém alertasse que o objetivo por traz da novidade estava ligado 'a alfabetização. “Há indicadores de aumento de 15% de audiência dos filmes, o que deixa satisfeitas, também, as redes de comunicação que adotaram o sistema”.
O custo baixo, segundo ele, é outra vantagem. “ Apenas 12% do programa é sustentado pelo Governo. O restante é sustentado por fundações espalhadas pelo mundo. “Quando uma ideia é poderosa, não há impedimentos para que ela se torne realidade”.

Um pacto especial pelo conhecimento

O Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa só será lançado em 2013, mas ele foi explicado durante a Contec Brasil por Lucia Couto, Coordenadora Geral de Ensino Fundamental do Ministério da Educação. Ela apresentou números e informações sobre o conteúdo e aplicação do novo plano, afirmando que o Ministério da Educação está fazendo todos os esforços para alavancar a alfabetização no Brasil. A plateia ficou impressionada com as disparidades regionais no Brasil, ressaltadas em um mapa onde estavam em cores diferentes os números da alfabetização no País. “A meta é alfabetizar todas as crianças até os 8 anos de idade. O sistema informatizado pelo MEC está aberto para as adesões de estados e municípios, que deverão se comprometer com as metas determinadas.O programa será estruturado na formação do estudante, envolvendo escolas urbanas e rurais e as universidades também serão incorporadas”, completou

A leitura mudando vidas

Galeno Amorim, presidente da Fundação Biblioteca Nacional e do Conselho Diretivo do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), trouxe para a Contec vários casos de pessoas que mudaram suas histórias de vida por conta da leitura. “Somos um país de 90 milhões que se reconhecem distantes dos livros. Dois entre cada três livros no Brasil são lidos por conta da escola , o que mostra que ela vem cumprindo um dos seus principais papéis que é levar a prática da leitura para crianças e adolescentes”. Galeno reforçou que a presença da leitura melhora o processo educacional com a descoberta e a ampliação do vocabulário, melhor expressão e outros benefícios. Destacou o Prêmio Viva Leitura, do Ministério da Educação e Cultura, de estímulo às ações de pessoas ou instituições ligadas à leitura e à educação. Entre os casos emocionantes ele citou o do professor do Maranhão que resolveu motivar seus alunos, com ótimos resultados, criando um projeto de levar os livros em um jegue para várias regiões da cidade como uma procissão de livros. Outro caso apresentado foi o do pedreiro Evandro, que veio do Interior de Sergio e depois que começou a ler abriu seus horizontes e conseguiu novas oportunidades de crescer profissionalmente.

Os desafios da educacao

André Lázaro, presidente do Conselho Assessor do Plano de Metas 2021 da Organização dos Estados Ibero-americanos, fez a palestra de abertura da Contec Brasil, em que traçou um breve quadro da alfabetização no país e tratou dos desafios para garantir o direito à educação. Para isso, dividiu com a plateia resultados de estudos realizados sobre o atual momento do analfabetismo no país. Um desses levantamentos foi feito pelo Inaf - Indicador de Analfabetismo Funcional na última década. A pesquisa concluiu que o percentual da população brasileira alfabetizada funcionalmente saltou de 61 % em 2001 para 73% em 2011, mas, ainda assim, apenas 1 em cada 4 brasileiros domina plenamente as habilidades de leitura, escrita e matemática. “É muito preocupante que, depois de 10 anos de esforços para universalizar a educação, ainda hoje a parcela da população sem escolaridade seja tão expressiva”.
De acordo com o especialista, no panorama da escolarização brasileira há um grande hiato formado por um continente excluído da população. “O Brasil é, talvez, o país que mais dolorosamente vive essa lacuna”, alertou. “Ainda se registram exclusões muito graves: o macro problema é que o nível de escolaridade da população é baixo e desigual”.
O especialista também adotou uma postura reflexiva sobre o papel da política, da mídia e das editoras frente aos desafios de alfabetização no Brasil. E concluiu: “A educação é um processo a ser enxergado integralmente. Estamos em uma etapa em que a conquista do direito não se traduz apenas no exercício do direito para todos. Estamos avançando no “todos”, mas não ainda no “cada um”.

"Digitalização global mudou muito o panorama da educação"

A diretora na LitCam, Karin Plötz, se disse surpresa por ver tantas pessoas interessadas em alfabetização reunidas no auditório do Ibirapuera. “Não há leitores sem alfabetização”, disparou, logo no início de sua conferência. “Admiro o enorme esforço feito pelo Brasil nos últimos 15 anos para ampliar a alfabetização. Hoje enfrentamos, em todo o mundo, uma gama imensa de desafios.”
A diretora da LitCam enfatizou que, atualmente, alfabetização significa mais do que ler e escrever. “ A digitalização global mudou muito o panorama da educação, com muitas pessoas sem acesso a qualquer tipo de alfabetização”.
De acordo com Karin, a forma como se utiliza hoje o smartphone na América Latina e na Europa, por exemplo, produz hiatos entre quem tem acesso a diferentes formas de alfabetização. “A tecnologia de comunicação faz com que a vida e o trabalho se reprogramem, independentemente do local físico, uma diferença mutante e importante”.
Ela acrescentou que, em um mundo cada vez mais digitalizado, os e-books podem ser utilizados com sucesso na promoção da leitura, mas o relacionamento humano é decisivo para que a adesão aconteça de fato. “Educadores fazem a diferença, tenham orgulho disso.” E concluiu: "Ser alfabetizado significa participar plenamente da sociedade”.

Presidente da CBL: olhar para o futuro

Karine Pansa, presidente da Câmara Brasileira do Livro, em sua fala na abertura do evento elogiou a iniciativa: “Precisamos de conferências como essa para fazer mais e melhor pela educação. Discutir as formas de leitura, educação e tecnologia é um sonho para nós e levar a leitura e a educação para todos é um sonho bem brasileiro. Hoje temos mais de 95% de crianças e jovens nas escolas e a questão agora é o que e como ensinar. O uso das novas tecnologia nos ajuda a realizar esse sonho. Não podemos repetir erros de outras nações. A escrita e a leitura facilitam o processo, é um olhar para o futuro com firmeza e confiança. Pode parecer estranho que eu como presidente da cadeia produtiva defenda o processo digital, mas para nós, o que prevalecerá é o conteúdo em qualquer meio que garanta liberdade, satisfação e esperança para o ato de aprender. A educação, a cultura e a tecnologia são fundamentais para o desenvolvimento do nosso país e para as novas gerações de leitores que estão chegando.

Presidente Juergen Boos abre a Conferência e elogia parceria com o Brasil

Na abertura do evento, o presidente da Feira do Livro de Frankfurt, Juergen Boos, destacou a importância da tecnologia e do conteúdo digital para a educação. Segundo ele, todos os qe frequentavam inicialmente a Feira do Livro de Frankfurt estavam interessados nos livros, mas depois a organização percebeu que o público também queria mais informações sobre conteúdo. Assim o foco do evento foi ampliado para discussões sobre propriedade intelectual, tecnologia, direitos e outros temas atuais. Mas mesmo, com toda a evolução os livros estão sendo cada vez mais importantes: “O livro digital traz o conteúdo que não apenas influencia a mídia, mas também modifica a forma como contamos as nossas histórias. E o que chamamos de conteúdo líquido está em qualquer lugar, está nos jogos, no cinema, nas redes sociais. E a capacidade de ler, por sua vez, está ligada ao conteúdo. Estamos muito felizes em encontrar parceiros no Brasil para realizar esse trabalho voltado à alfabetização, cultura, tecnologia e cultura. Estamos planejando outra Conferência para 2013 e espero que este ano vocês tenham dois dias estimulantes pela frente. Vamos aprender muito uns com os outros.

Juergen Boos está animado com a aproximação cultural entre Brasil e Alemanha

Ao chegar ao auditório do Ibirapuera, o presidente da Feira do Livro de Frankfurt, Juergen Boos, disse estar entusiasmado com o reforço da presença da Feira do Livro de Frankfurt no Brasil. “Temos construído uma relação forte com o Brasil desde 1994, quando o país foi nosso convidado de honra em Frankfurt", explicou. “Estamos felizes com a aproximação dos dois países, ainda mais em um momento tão especial, em que tudo acontece aqui: de eventos culturais, como o Ano da Alemanha no Brasil, programado para 2013, aos esportivos, como as Olimpíadas do Rio", completou. Jurgen atua como diretor da Feira do Livro de Frankfurt desde abril de 2005.

A CONTEC Brasil começa hoje

Com público de 800 pessoas, mais de 30 palestrantes do Brasil e do Exterior e temas envolvendo educação, alfabetização, cultura e tecnologia, começa nesta terça (7) e segue até quarta (8) a Conferência Internacional Tecnologia, Cultura e Alfabetização: formando leitores do futuro – Contec Brasil, realizada por duas divisões da Feira do Livro de Frankfurt: a LitCam e a Frankfurt Academy. No encontro serão debatidos temas como incentivo à leitura no país através de projetos de alfabetização e a necessidade de enfrentar os desafios que chegam com os novos leitores, com as mídias sociais e web 2.0, com as novas tecnologias em sala de aula, com os novos formatos de livros e com as possibilidades de aprendizagem pelos telefones, jogos e outros aplicativos. A Contec Brasil será apenas o início da atuação de Frankfurt no país. Na tarde desta terça, o presidente e a vice-presidente da Feira de Frankfurt, Juergen Boos e Marifé Boix Garcia, farão o lançamento oficial da CONTEC Brasil 2013, uma feira internacional com programa de conferências para literatura e conteúdo infantil, educacional e tecnologia. O Brasil será o país homenageado na Feira de Frankfurt 2013.

RELEASES DO SEGUNDO DIA

Crise econômica inviabiliza criação de projetos de salas de aula do futuro.

Lousas inteligentes, apresentações multimídia, tablets... Como serão as salas de aula em um futuro próximo? Martin Fielko, gerente de Direitos estrangeiros na Cornelsen Verlag, na Alemanha, encerrou o ciclo de conferências da Contec Brasil abordando os novos ambientes de aprendizagem no mundo. Ele trouxe à plateia vários exemplos de iniciativas internacionais para livros didáticos digitais, destacando países como Turquia, Estados Unidos, Índia, Tailândia, Rússia, República Tcheca, Japão, entre outros.
A conclusão não é muito animadora: a maioria esmagadora dos projetos fracassa, mesmo nos países mais desenvolvidos, predominantemente por questões financeiras. A crise que assolou a Europa, por exemplo, inviabilizou em massa os projetos do continente. O mesmo acontece na maioria dos estados norte-americanos., graças ao difícil momento econômico que os EUA enfrentam. “O custo com esses projetos é muito alto, sobretudo nos primeiros anos, em que economizar é impossível devido à necessidade de criação de toda a infra-estrutura, implantação de dispositivos e desenvolvimento de conteúdo.”, explicou.
Outro fator que impede o êxito da modernização das salas de aula, segundo Fielko, é a má comunicação entre as partes envolvidas. “Não basta um ministério simplesmente criar um projeto sem conversar com professores, pais e produtores de dispositivos”, alertou. Por fim, apontou outro fator decisivo para agravar ainda mais a situação: “Infelizmente, políticos tendem a pensar sempre num curto prazo, o que inviabiliza de vez as tentativas de implantação desses novos ambientes de estudo”.

É possível reinventar bibliotecas e universidades na era digital?

Na era da publicação digital, em que conhecimento e conteúdo ganham novas plataformas, como reinventar bibliotecas e universidades? O tema foi discutido durante a Contec-Brasil 2012 por Juan Felipe Cordoba Restrepo, representante da editora universitária colombiana ASEUC, e pelo bibliotecário brasileiro Richardt Rocha Feller, do consórcio Minha Biblioteca, formado pelas quatro principais editoras de livros acadêmicos do Brasil – Atlas, Grupo A, Grupo GEN e Saraiva. A conversa teve como moderador José Castilho, Presidente da Associação Brasileira das Editoras Universitárias, a ABEU. Castilho abriu o debate questionando o que vem sendo produzido pelas máquinas atualmente. “Olho para a realidade e vejo um lugar extremamente subalterno em relação à produção de conteúdo”, afirmou. “ Temo que passemos a reproduzir mais do que produzir informação e conhecimento oriundos, de fato, de nossas pesquisas científicas”.
Ele mencionou carências educacionais e de informação no país. “Nenhum investimento em educação e cultura é demasiado. Nossos governantes devem entender que esse é o motor necessário para o conhecimento e a maioridade do país.” Ainda durante a abertura do debate, Castilho disparou a questão sobre o que é maior para o governo: o custo da ignorancia ou o investimento em biblioctecas e escolas?
Durante a conversa, o colombiano Juan Felipe Restrepo lembrou que a transferência de conhecimento na América Latina, que deve ser constante, como em qualquer lugar no mundo, ainda sofre um atraso bastante alto. “O que se faz no Brasil, por exemplo, se desconhece na Colômbia”, alertou. “É preciso diferenciar duas situações: o direito ao acesso à informação e o uso desse direito – a possibilidade de debater, argumentar e pensar”. Frente a uma realidade que requer investimentos crescentes, ele prosseguiu: “O gratuito é bem-vindo, mas é uma decisão universitária”.
Richard Feller, do consórcio Minha Biblioteca, ponderou que um conteúdo de qualidade, principalmente o universitário, passa pelo crivo de bons profissionais e editores. “Nesse sentido, a democratização ocorre pelas tecnologias disponíveis mais viáveis economicamente para o consumidor, o que acaba sendo decisivo, principalmente em um país com dimensões continentais, como o Brasil”. Por isso, a questão da gratuidade, segundo Feller, é ainda delicada. “É preciso remunerar autor, produção, etapas editoriais: não existe nada gratuito, existem trocas, sejam por publicidade, interesses governamentais, metas etc.” Ainda assim, ele acredita que as duas formas de conteúdo, gratuita e por assinatura, vão conviver muito bem no futuro. E concluiu “Vejo um momento bastante positivo pra que o preço do livro tenha uma queda bastante grande no mercado digital”

Quanto maior o engajamento, melhor

Na mesa redonda “O seu livro pode fazer isso?” o diretor de novas mídias da Punch!, Bruno Valente, conversou com Philippa Donavan, da editora britânica Egmont, e Hervé Essa, vice-presidente de vendas internacionais da francesa Jouve, sobre novos formatos de livros, com suas funções e públicos. O debate foi moderado por Carlo Carrenho, diretor da PublishNews Brasil.
Para Hervé Essa, que possui mais de 12 anos de experiência comercial em serviços de TI e edição de softwares, é preciso trabalhar o conteúdo para torná-lo interessante ao aluno por meio da interatividade. “Isso é ser sedutor, é gameficar o conteúdo”, explicou. “Pode-se até definir que um título vai atuar em várias plataformas - primeiramente como livro, depois em versão de fac simile e-book, criando vários produtos com o mesmo conteúdo, incluindo vídeos”. Como exemplo, ele relatou o que acontece na Europa, onde os livros digitais se assemelham aos impressos, mas oferecem interatividade e outras características”.
De acordo com Bruno Valente, o aluno, sempre aprendendo, demanda agilidade constante. “É aí que o mobile learning entra, e nesse sentido, um dos grandes desafios é criar engajamento, gerar sempre debate, o que pode acontecer por meio de mídias sociais, bibliotecas digitais e, no caso dos tablets, aplicativos”. O diretor da Punch! ressaltou que é fundamental que o acesso aos dados no livro digital seja instantâneo. Dessa forma, o livro passa a ser muito mais do que um aplicativo, já que fornece ferramentas interativas de comunicação. “O segredo maior é dar super poderes ao aluno, permitir que ele mergulhe no conteúdo e que passe a gostar daquilo.
“Com a digitalização há mais espaço para permitir que o livro ofereça o que ele faz de melhor: contar histórias, possibilitar conexão entre as pessoas”, afirmou Phillipa Donavan. “Muitas experimentações vêm sendo feitas atualmente e nem sempre a gente vai acertar”, lembrou. “Estamos sempre aprendendo com os desenvolvimentos tecnológicos, mas há ainda muita inspiração para motivar as editoras a explorar todas as utilidades de um e-book”.

Redes sociais: como gerenciar com sucesso o entusiasmo do leitor

Desenvolver uma relação sólida com um consumidor cada vez menos passivo vem se tornando um dos principais desafios para o mercado editorial. Na nova dinâmica dos dias atuais, o leitor passou, também, a criar conteúdo, compartilhando e emitindo opiniões sobre o que lê, reforçando uma espécie de propaganda informal. Nesse novo momento, é possível gerenciar com sucesso uma comunidade de leitores, estimulando ao máximo o seu entusiasmo? O assunto foi discutido no auditório do Ibirapuera, em uma conversa moderada por Octavio Kulesz, diretor da Teseo, uma das mais dinâmicas editoras digitais da Argentina e da América Latina.
Para Viviane Lordello, co-fundadora da rede social Skoob, os desafios nesse sentido são diários, já que é cada vez maior o número de leitores que compartilha o que lê e quer saber o que as outras pessoas estão lendo também. “A adesão já foi grande assim que começamos com o Skoob”. Ela comentou que logo na primeira semana de implementação da rede social, 2500 pessoas se cadastraram. Esse número saltou para 7,6 mil no primeiro mês e hoje já chega a 650 mil pessoas. “O Skoob virou um negócio rapidamente e tivemos que correr para implementar novas ferramentas, o que gera uma expectativa diária até hoje, com relação também a servidores e usuários”.
Já o executivo de marketing Marcelo Gioia comentou que os desafios da Copia Brasil, empresa da qual é publisher, são mais globais, sobretudo na questão da tecnologia. “A cada alteração tecnológica precisamos refletir, é um esforço bastante intenso especialmente no Brasil, onde ainda é preciso adquirir muito conteúdo digital”, lembrou. O executivo comentou que enquanto nos Estados Unidos já são mais de 2,5 milhões de títulos em inglês, o Brasil conta apenas com 12 mil títulos digitais em Língua Portugesa. “Por outro lado, o crescimento social é orgânico”, concluiu. “É impressionante como as pessoas têm aderido ao buzz social”.

Fronteiras incertas no mundo dos livros

Joanna Ellis (The Literay Platform, Reino Undo), Jesse Potash (Founder PUBSLUSH Press, EUA) e Lúcia Riff (agente literária, Brasil), participaram da mesa Fronteiras incertas: as mudanças nos papéis dos editores, agentes, autores e livreiros. O moderador Holger Volland (VP Media Industries, da Feira do Livro de Frankfurt) destacou na abertura os currículos dos participantes e o interesse pelo tema.
Para Joanna, aconteceram muitas transformações no modo de trabalhar na área editorial com a revolução digital, mas nem todos estão acompanhando: “As redes evoluem, os comportamentos não. A tecnologia digital democratizou a linha de produção, trazendo rupturas na comunicação, mudança nos modelos e nos papéis de autores, agentes e editoras. Os papéis estão sendo redefinidos, por utilização e não por legado, há muitos recém-chegados de outras áreas. Os autores estão se autoorganizando, as oportunidades criativas se polarizaram com a digitalização, provocando o aparecimento de autopublicações, inclusive no caso de Best-sellers. A lição é: o digital não deve ser assustador.”
Jesse Potash acalmou a curiosidade de todos os que não sabiam o que significava o termo Pubslush: “É uma plataforma de publicação global para autores. Eles podem levantar fundos com seus leitores para ajudar, ou definir modelos de trocas. É uma boa forma de trazer os leitores para decidir junto com autores como deve ser a publicação. Para isso, geralmente os escritores colocam sinopses da obra, permitindo a interação. Outra vantagem é que o escritor pode obter dados analíticos de sua obra e até saber se ela poderá ser ou não um sucesso”.
Quando decidiu optar pela carreira de agente literária, Lúcia Riff foi à luta mas fez questão de estar amparada pela tecnologia, que há vinte anos não era assim tão eficiente. Trouxe do Exterior um computador dividido em três partes para montar aqui, criou um site e um banco de dados. “Foi uma decisão empresarial, nós precisávamos ser modernos. Tudo mudou muito nos últimos anos, inclusive o papel do agente literário. Agora não é mais só cuidar do contrato do autor. Os autores hoje viajam, participam de feiras pelo mundo, ele não fica mais apenas em casa escrevendo. Lucia citou o caso da escritora chilena Francisca Solar, que começou a publicar um fan fiction de 700 páginas pela Internet, modificando o final do quinto volume de Harry Potter, quer ela leu e não gostou. Sua obra virou sucesso e foi baixada mais de um milhão de vezes. Depois disso assinou contrato com uma editora, mas vendeu apenas 25 mil cópias e ela resolveu voltar ao antigo e solitário esquema de se autopublicar. “Hoje há muitas oportunidades e essa é a maior beleza disso tudo”, completou.

Com a digitalização, leitura deixa de ser solitária para ser coletiva.

A editora australiana Phillippa Donovan, da Press Egmont, no Reino Unido, atua também como consultora literária e digital. Ela falou por um bom tempo à plateia sobre o que vem sendo feito de mais interessante em termos de publicações de livros eletrônicos internacionalmente.
Philippa explicou que a utilização da digitalização dos livros depende de muitos fatores, como o número de ilustrações e o perfil do leitor, em um mercado bastante expansivo. “Recentemente começou uma certa mudança, de pensar no livro infantil com aplicativos digitais”, explicou. “Fizemos uma série de melhorias para criar pontos de interesse para o leitor e acho que isso vai dar início a um mercado novo, um espaço transitório muito entusiasmante entre os aplicativos e os e-books”.
Phillipa mencionou a importância da narrativa nesse novo contexto e citou, como referência, a empresa norte-americana de animação digitalizada Pixar, com suas 22 regras cativantes para contar histórias. “Temos leitores tradicionais, que têm lido livros impressos há muito tempo, procurando sempre por boas histórias, com essência. Eles buscam envolvimento com o enredo, com começo, meio e fim”. Já o leitor novo, segundo a editora, é adepto da web e das mídias sociais e tem um ponto de vista totalmente diferente. “Eles gostam de interagir, adicionar comentários, compartilhar o que estão lendo e querem saber o que os outros leem também. Ao mesmo tempo jogam, interagem pelo Facebook e Twitter, são verdadeiros poliglotas digitais”.
Tablets, e-reeders, laptops, computadores, smartphones.... Novas tecnologias criaram novas camadas de leitura para esse público, que é muito ativo. Não há mais fronteiras entre leitor e autor, nem entre os próprios leitores.” Se antes a leitura era uma atividade solitária, agora, com a digitalização, passa a ser coletiva. “Os livros passam a ser um formato - paramos de pensar neles para pensar em conteúdo e acho que há um certo mérito em compartilhar essa história."
O momento atual posiciona um novo modelo de consumidor e não meramente um novo negócio. O futuro dos livros pode estar em um misto que reúne o impresso e o digital, lado a lado, de acordo com a preferência do leitor, focando na qualidade e nas opções de escolha. “Com tanto conteúdo disponível, é preciso guiar esse processo de decisão”, finalizou a editora. “É um ótimo tempo para ser leitor e um momento maravilhoso, também, para ser escritor.”

O leitor 2.0 e o futuro do negócio da mídia

O segundo dia de Contec-Brasil foi dedicado ao leitor 2.0. A programação no auditório do Ibirapuera foi aberta com uma conversa entre duas editoras de referência - a brasileira Abril Educação e a internacional Wiley - sobre as expectativas com relação ao futuro do negócio da mídia.
De acordo com Tania Fontolan, diretora pedagógica da Abril Educação, observa-se, em termos de tendências de tecnologia educacional, uma universalização cada vez maior, com recursos como a computação na nuvem e a crescente demanda de comunicação móvel por parte das famílias e dos alunos. Games e conteúdos abertos também ganham destaque, o que traz um desafio de postura por parte dos educadores: de nada adianta ter acesso praticamente ilimitado à informação se o aluno não puder fazer uso dela.
“Nos próximos anos,” completa, “é certo um upgrade de autonomia de estudos, que requer avaliação individualizada do ritmo e do interesse de cada aluno”. Para isso, segundo a especialista, a tecnologia também é fundamental para acompanhar em tempo real a aprendizagem, propondo caminhos alternativos e ajustes quase que simultaneamente ao processo. “O professor vai atuar como uma espécie de mediador de conhecimento, construindo um mapa, já que, ainda com a autonomia de aprendizagem, esse aluno começa a mostrar dificuldade de verticalização de pensamento, ele é menos concentrado”.
Helge Braga, manager da Wiley Brasil, enfatizou que, ainda que os e-books definam o crescimento da indústria editorial nos próximos anos, as relações humanas e o cérebro nunca serão substituídos por computador algum. “O conteúdo impresso ainda é e continuará sendo importante por muito tempo e talvez jamais deixe de existir”, afirmou. Ele citou exemplos de tantas outras indústrias que passaram por essa transformação, como o cinema com a TV, mais tarde ameaçada pelos sistemas de entretenimento como o VHS e mesmo a TV a cabo. “Todo impacto que a tecnologia trouxe criou o temor que a forma antiga deixasse de existir, mas hoje temos um consumo de conteúdo para tv e cinema, por exemplo, que jamais existiu”.
Nesse processo, o grande desafio é superar um hiato: de um lado, um grupo já envolvido com essa realidade, com desenvolvedores tentando integrar recursos, redes sociais, games etc. De outro, os professores, sendo uma parte resistente à transição e outra tentando se atualizar – quem já ingressou nesse mundo passa a ter linguagem e expectativas muito distantes das de quem está restrito às salas de aula. “Se esses dois grupos não forem aproximados”, alertou Tania, “vamos continuar falando dessa dicotomia, perdendo uma oportunidade histórica de melhorar a educação brasileira privada e pública integrando esses recursos.

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Entrevistas

Entrevista de Justo Hidalgo

Livros digitais por assinatura, um mercado em expansão
“Eu amo livros”. Quem diz isso é Justo Hidalgo, sócio-fundador da 24symbols, um serviço de assinatura que permite que as pessoas leiam livros digitais a partir de um catálogo internacional e multieditorial na nuvem e em dispositivos móveis. A paixão e o respeito pelo livro impresso continuam, mas ele, melhor do que ninguém, sabe que os tempos estão mudando e que o mercado de serviços de assinaturas de livros digitais está apenas começando: “Temos todo o espaço do mundo para crescer”, diz. A empresa foi fundada em 2010 e atualmente tem mais de 300 mil usuários cadastrados e mais de 20 mil títulos de autores de vários países como Espanha, México, Argentina, Chile, Itália, Reino Unido e Estados Unidos, entre outros. O catálogo continua aumentando, tanto em espanhol como em outros idiomas. O interesse maior vai para obras de ficção comercial e não ficção, novelas, poesia e livros de gestão principalmente. Doutor em Engenharia da Computação, ele é professor nas áreas da tecnologia, estratégia de produto e inovação em universidades e escolas de negócios, membro da Internet Society e mentor/orientador de outras startups. Justo e a 24symbols participarão da Contec Brasil 2014, em fevereiro, em São Paulo. Ele acredita que o evento será uma ótima oportunidade para apresentar a empresa e o serviço para um público formado por educadores, editores, escritores e mídia. “A Contec 2014 se encaixa perfeitamente neste momento em que estamos negociando com editoras brasileiras. A simples ideia de que um único dispositivo permite o acesso a toda a literatura necessária para a educação básica, a literatura infantil ou livros da faculdade, é fascinante”, afirma.

Há quanto tempo existe a 24symbols?
A empresa foi fundada em abril de 2010 por quatro sócios e o trabalho começou no final desse mesmo ano. O serviço foi lançado em versão beta em meados de 2011.
Como surgiu a ideia?
Os sócios eram companheiros de trabalho que compartilhavam o mesmo interesse por livros. Inicialmente pensamos em começar um projeto editorial em tempo parcial, mas depois vimos que não tínhamos experiência suficiente para isso. Mas logo veio a ideia de criar um "Spotify dos livros" (Spotify é um aplicativo de streaming de músicas online disponível para uma variedade de plataformas). Após a confirmação de que não havia um serviço semelhante, mas que o tema despertava muito interesse e discussão na indústria, decidimos que era um projeto que se encaixava com as nossas preocupações, os nossos interesses e nossa experiência. Vimos que, apesar dos riscos envolvidos, era algo que, com a nossa experiência na construção de produtos de tecnologia internacionais, algum investimento e esforço, era uma oportunidade para nós. Acreditamos que a tendência é clara e inequívoca e que desde a posse de produtos culturais e de entretenimento, como músicas ou filmes, ao seu consumo como serviços (como vemos com Spotify e Deezer na música, ou Netflix, Filmin e Wuaki no cinema), também deve ocorrer na indústria editorial. Com suas diferenças, mas também com suas semelhanças como um produto cultural. E desde então temos a convicção absoluta de que o foco está na experiência do leitor ao utilizar nossos aplicativos, ler e partilhar os nossos livros.
Como funciona?
Na 24symbols oferecemos um serviço de assinatura mensal, trimestral ou anual, que permite ler pela Internet livros eletrônicos comerciais, de diversas editoras e de alta qualidade, sem precisar baixar nenhum dispositivo especial. Além disso, estamos agora começando a lançar os nossos serviços por meio de operadoras de telefonia celular. Nestas próximas semanas vamos anunciar nossa entrada em alguns países e depois ampliaremos para outros da América Latina, Europa, África e Sudeste Asiático. A pessoa que quiser conferir como funciona a 24symbols só tem que visitar nosso site www.24symbols.com e se cadastrar gratuitamente, diretamente ou com o seu Facebook ou Google+. Então terá acesso ao conjunto de todo o nosso catálogo, com alguma publicidade, e pode acessar por meio de um dos nossos aplicativos para iPad, iPhone, Android, via versão "mobile" ou em um desktop ou laptop. Se gostar do serviço e quiser ler um catálogo mais abrangente, com grandes sucessos e com a capacidade de ler sem uma conexão com a internet (em um avião, metrô ou no campo), você pode assinar por um mês, três meses ou um ano, a um preço muito acessível. Sempre pode, se desejar, partilhar os seus livros favoritos em mídias sociais, criando prateleiras virtuais que os outros podem seguir, tornando-se uma estante. Acabamos de lançar novas versões de nossos aplicativos para iPhone e Android, com um novo design e nova leitura e recursos de compartilhamento.
A empresa tem sede fixa?
Sim, ela tem. Por alguns meses tivemos que trabalhar em nossas casas, em cafeterias etc. Depois da assinatura da segunda rodada de investimentos, no início do ano, precisamos aumentar a equipe e por isso hoje temos um espaço nos arredores de Madri, na Espanha.
Quantos sócios e quantos funcionários na equipe?
Estamos em pleno crescimento, no entanto, no momento desta entrevista, somos umas 20 pessoas, quase todas em Madri. Somos quatro sócios-fundadores e aproximadamente seis pessoas da equipe técnica, dois na equipe de design e criação, três na área de conteúdo e suporte, um no setor de desenvolvimento de negócios, um profissional do financeiro e duas pessoas de aquisição de conteúdo em Buenos Aires. Merece menção especial Julieta Lionetti, especialista editorial há muitos anos, com projetos de sucesso nos dois lados do Atlântico, que foi incorporada como diretora de relações editoriais.
Quanto usuários e de que países?
Hoje temos 300 mil usuários registrados, provenientes principalmente da Espanha, México, Argentina, Colômbia, Reino Unido e Estados Unidos
Qual é a vantagem da leitura na nuvem?
Além do que já foi dito sobre a tendência dos usuários digitais que não querem possuir bens digitais, mas consumir sem armazenamento, a leitura na nuvem tem muitos benefícios para os usuários:
1. Para ler qualquer livro instantaneamente;
2. Poder alterar o dispositivo sem ter que se preocupar com quais livros estão armazenados. Ele altera o dispositivo, entra na 24symbols e tem acesso a todo o seu catálogo disponível.
3. As notas, comentários e outras informações de cada leitor também ficam armazenados na nuvem, não há como perder.
Para o editor também tem muitas vantagens. Talvez a principal é que o acervo do livro não se descarrega nos dispositivos do usuário, tornando-o muito mais seguro em termos de acesso ilegal ou controlado para o conteúdo.
O serviço é adaptado a todos os navegadores?
Sim. Oferecemos um leitor na nuvem, eficiente e seguro, disponível para navegadores de desktop, com uma aplicação nativa iOS para iPad e iPhone, uma aplicação nativa para tablets e celulares Android. Temos também um aplicativo HTML5 de alta qualidade para qualquer outro tipo de celular.
Quantos títulos a 24Symbols oferece? Quais os gêneros?
Temos 20 mil títulos e aumentamos esse catálogo continuamente, tanto em espanhol quanto em inglês, italiano, etc. Nosso foco são os livros trade de ficção e não-ficção. Romances, poesias, livros de negócios, etc.
Quem seleciona os títulos?
Negociamos com as editoras e são elas que nos oferecem o catálogo. Depois trabalhamos em parceria com elas para selecionar os títulos de destaque. Falamos com todo tipo de publicações e agregadores.
Qual a preferência dos leitores?
Todos os gêneros se bastante lidos, embora a novela histórica, os romances, as biografias e os livros de autoajuda sejam os mais acessados. O interesse tem variado. Geralmente os mais procurados são os best sellers, ainda que de vez em quando apareçam livros menos conhecidos ou de domínio público.
Há alguma previsão para os livros brasileiros entrarem no site?
Preparamos nossos primeiros lançamentos com as operadoras de celulares na América Latina e Europa. A Contec 2014 se encaixa perfeitamente neste momento em que estamos negociando com editoras brasileiras para um lançamento no Brasil em breve.
Há um tipo de contrato com autores e editoras?
Nossos contratos são com as editoras. Só em casos muito especiais negociamos com autores, como, por exemplo, quando só eles têm os direitos digitais de suas obras e não vão cedê-los a editoras em curto prazo.
Vocês têm parceiros?
Sim, temos parceiros tecnológicos como Colbenson, que nos fornece a tecnologia de busca. No entanto, o parceiro mais importante é Zed, companhia líder em distribuição de conteúdo digital a operadoras de celular. Temos firmado um acordo de distribuição da 24symbols através de operadores de celulares e o Zed nos ajuda a chegar a mais de 70 países em todo o mundo, de maneira que as operadoras ofereçam nosso serviço de leitura na nuvem para seus assinantes. É uma aposta muito ambiciosa e estamos trabalhando duro para concretizá-la.
O crescimento da empresa foi maior do que o esperado?
Foi o esperado. Criar um serviço de assinatura envolve a compreensão de que o crescimento é dividido em duas ou mais fases: obter uma base de usuários que vá crescendo pouco a pouco, que essa base de usuários convença editores a baixar seus livros e, finalmente, que tenha massa crítica suficiente e parceiros de qualidade para que o serviço comece a crescer em todo o mundo. Acreditamos que nos encontramos no início da terceira fase
Quais foram as maiores dificuldades?
Os primeiros passos são sempre difíceis . Em primeiro lugar, tomar a iniciativa de começar um negócio a partir de uma ideia, deixando empregos seguros e interessantes para abraçar uma aventura. Obter a primeira rodada de financiamento não foi muito complicado, as pessoas nos apoiaram desde o início, como quando tivemos que ampliar a cota de convites para testar a nossa versão alpha, de 5.000 para mais de 10.000 pelo grande número de pessoas que pediam. Mas a negociação com as editoras para emprestarem o seu próprio catálogo foi complicada. Este modelo de negócio é muito novo e foi difícil convencer os editores que ainda estão fazendo o salto para o digital para que também pensassem em modelos de assinatura e deixassem alguns de seus conteúdos livres para os leitores. Em muitos casos foi um grande salto. Aos poucos algumas editoras pequenas, médias e até mesmo de grande porte entenderam a proposta, se convenceram do produto e da equipe por trás dele e apostaram em nós. A segunda etapa de dificuldade já foi com o produto, número de usuários crescendo e alguns catálogos de qualidade. Mas, depois de muitos meses de incerteza sobre a parte financeira, mas muita motivação para a forma como o crescimento de nossa base de leitores e atividades tem aumentado a cada mês, conseguimos fechar essa fase no final de abril deste ano. Nesta nova etapa, a relação com as operadoras será fundamental.
Quais são os planos de expansão?
Estamos a ponto de lançar nosso produto em vários países importantes, o que também pode servir como base para firmar nossos serviços com as operadoras de celulares. Em seguida, pretendemos continuar a crescer na América Latina, Europa, África e Sudeste da Ásia, onde já estamos negociando com operadoras e editores de diferentes países.
Você acha que esse tipo de leitura afasta o leitor do livro impresso?
Acredito que os livros digitais e serviços de assinatura em particular podem atrair muitos leitores que entendem que nem tudo que não se precisa possuir tudo o que se lê. No entanto, não concordo com aqueles que dizem que o livro impresso vai morrer tanto no curto ou médio prazo. Nós sempre queremos ter em nossa casa aquelas obras que tenham nos emocionado ou impactado. Portanto, há uma compatibilidade entre os dois tipos de leitura. Leio um livro digital, me apaixono por ele e vou comprá-lo no papel, talvez em uma edição de alta qualidade, para ter e folhear ou reler à vontade, ou para dar a alguém especial.
Você acredita que é importante para os educadores conhecerem na Contec 2014 as inovações tecnológicas que podem ajudar no ensino e na aprendizagem?
Claro que sim. Embora a 24symbols não esteja centrada na educação, estamos trabalhando com escolas e outras instituições para simplificar o acesso à leitura por meio de novas mídias digitais. A simples ideia de que um único dispositivo permite o acesso a toda a literatura necessária para a educação básica, a literatura infantil ou livros da faculdade, é fascinante. Mas o mais importante é que uma vez que o livro digital está na "nuvem", podemos imaginar todas as possibilidades que podem ser criadas e que estão sendo criadas neste exato momento.
Como você vê a participação dos editores nesse processo de atualização digital?
Os editores já perceberam que esse processo de acesso digital à literatura e ao conteúdo editorial geral não tem volta. No último ano tenho visto maior aceitação por parte da indústria, o que foi comprovado pelo aumento do conteúdo digitalizado e pela porcentagem das compras feitas em mídia digital e leitura digital. Eu acho que ainda há um passo adicional, que é ver o mundo digital como algo que vai além da mera digitalização de livros destinados ao mundo da impressão. Já existem experiências de startups, autores e até mesmo alguns dos principais Grupos Editoriais, que estão nos ajudando a entender melhor o que a indústria editorial pode oferecer aos leitores num futuro próximo. Precisamos de muito mais interesse e envolvimento por parte das editoras, mas estamos nesse novo mundo.

Entrevista de Colin Lovrinovic

Entusiasmado com a possibilidade de conhecer o Brasil e compartilhar as novidades de sua empresa, Colin Lovrinovic tem convicção que os produtos digitais oferecem uma experiência de aprendizado completamente diferente. Conceitos de aplicativos móveis especialmente desenvolvidos podem mudar a maneira como aprendemos hoje. Na Contec 2014 ele falará sobre os diferentes tipos de conteúdo oferecidos e ressaltará aspectos educacionais específicos e produtos criados para crianças. “Eu também estou ansioso para compartilhar nossos últimos projetos, entre eles nosso primeiro lançamento em português”, ele diz. Colin Lovrinovic é um gerente digital com oito anos de experiência em negócios de mídia no currículo. Além de se graduar em Negócio da Música e concluir um mestrado em Gerenciamento de Música & Indústrias Criativas, ele trabalhou em departamentos de marketing de empresas como Amazon, Red Bull e Universal Music. Antes de começar a atuar para a editora independente Bastei Lübbe, ele dirigiu o licenciamento global do primeiro serviço de assinatura de músicas da Alemanha, o Simfy, onde trabalhou em parcerias estratégicas com marcas líderes como Coca-Cola e ISP Telefónica O2. Atualmente, Colin é responsável pelo crescimento das vendas internacionais da Bastei Lübbe e pelo marketing dos aplicativos móveis multilíngues e e-books para novos públicos nos Estados Unidos, Reino Unido, China, América Latina hispanófona e Brasil. Mora em Colônia, na Alemanha, e participa de conferências sobre entretenimento digital em todo o mundo.

Qual será o tema do painel em que o sr. vai participar?
Eu tenho o prazer de participar de um painel intitulado “’Novo’ significa sempre ‘melhor’?”, onde falaremos sobre os prós e contras de novas tecnologias e o rompimento com formatos existentes que elas trazem.
Qual o foco de trabalho da sua empresa, a Bastei Lübbe?
A Bastei Lübbe é uma das maiores editoras comerciais da Alemanha. Eu trabalho em um departamento chamado Bastei Entretenimento, onde nosso foco é o desenvolvimento de produtos inovadores e crescimento internacional. Nosso objetivo é fornecer novas e emocionantes experiências de entretenimento digital para os consumidores.
Qual é a sua função como gerente Internacional de Vendas?
Eu sou responsável pelo desenvolvimento dos negócios internacionais. Meu objetivo é aumentar as vendas digitais em novos mercados estratégicos, como os Estados Unidos, Reino Unido, China, América Latina hispanófona e, claro, Brasil. Recentemente, começamos a contratar times de freelancers e parceiros de todas essas regiões, para nos ajudar a promover nossos aplicativos e e-books, idealmente para novos clientes. Todos esses esforços são coordenados pelo meu time.
Vocês trabalham com livros impressos e digitais. Como está esse mercado, comparando os dois produtos?
A Bastei Lübbe tem uma longa história de publicação de séries de ficção policial. Uma das nossas séries mais bem sucedidas, a de Jerry Cotton, já vendeu mais de um bilhão de cópias impressas. Então sempre fomos muito fortes no setor do livro impresso. Por outro lado, também fomos a primeira editora alemã a ter um forte departamento digital, que possui hoje mais de 20 empregados. Até o final desse ano fiscal, estamos visando 17% ou 18% de participação do digital na receita geral. Uma parte significativa disso são nossos aplicativos para celular, criados pelo nosso time de desenvolvimento.
Que tipo de conteúdo vocês produzem em materiais e produtos digitais. Vocês produzem para o mercado internacional?
Nós criamos aplicativos de celular para iOS, Android, Windows Mobile etc., além de e-books e várias séries de e-books. A serialização sempre foi muito importante para a nossa identidade.
Vocês trabalham com tradutores, editores e escritores de que países?
Como somos uma editora alemã, a maioria dos nossos escritores são daquele país. Historicamente, nossos editores e tradutores sempre foram bem distribuídos e, desde que começamos a focar nos planos de expansão internacional, juntamos um time de mentes criativas do mundo inteiro. Esse ano, veremos obras de escritores nativos de todos os países mencionados acima.
Como são os seus projetos?
Nós trabalhamos em vários projetos estratégicos com parceiros externos, de indústrias como de transporte ou automotiva. A nossa visão é disponibilizar nosso conteúdo para o máximo de gente possível – em qualquer situação.
Como o senhor avalia os avanços dos produtos digitais voltados à educação?
Acredito que produtos digitais oferecem uma experiência de aprendizado completamente diferente. Conceitos de aplicativos móveis especialmente desenvolvidos podem mudar a maneira como aprendemos hoje. Aprender nunca foi tão fácil e divertido.
Sua empresa trabalha também com universidades?
Regularmente, nós damos discursos e aulas em várias universidades na Alemanha, para compartilhar nossa visão e trocar ideias com estudantes. Inclusive, meu primeiro contato com a Bastei Lübbe também foi quando eu ainda era universitário. Rita Bollig, chefe da Bastei Entertainment, fez uma palestra que me deixou muito curioso. Também já trabalhamos com grupos de estudantes em partes do nosso desenvolvimento de conteúdo. Por exemplo, um dos nossos próximos aplicativos vai ter uma trilha sonora que foi criada por um grupo de estudantes de música. Nosso trabalho com universidades definitivamente é algo que queremos intensificar nos próximos anos.
O senhor conhece o mercado editorial brasileiro?
Eu já conversei com muitos editores e pessoas da indústria digital do Brasil, então eu acredito que, até certo ponto, conheço o mercado editorial local. Mas, como essa vai ser a minha primeira viagem ao Brasil, estou animado para conhecer mais, em primeira mão, quando estiver aí.

Entrevista de Octavio Kulesz

Octavio Kulesz é diretor da Teseo, uma das primeiras editoras digitais da Argentina e da América Latina, e será um dos participantes da Contec Brasil - Conferência sobre Educação, Tecnologia, Conteúdo e Mundo Editorial - marcada para os dias 18 de fevereiro, no SESC Vila Mariana, em São Paulo, e 20 de fevereiro na Unilasalle, em Canoas, Rio Grande do Sul. Desta vez o tema será “O futuro da aprendizagem interativa”. As inscrições estão abertas pelo site www.contec-brasil.com. Kulesz elogia a iniciativa de Frankfurt em realizar a Contec Brasil: “A conferência abre um espaço valioso de discussão e profissionalização que toda região latino-americana poderá aproveitar”. Kulesz atua como pesquisador de temas relacionados a e-books, metadados e mídia social em economias emergentes. Em 2011 ele apresentou o relatório “Digital Publishing in Developing Countries” (disponível gratuitamente online) e, desde 2012, é um dos coordenadores do Digital Lab of the International Alliance of Independent Publishers, com sede em Paris. Octavio Kulesz considera a tecnologia um potente instrumento para o desenvolvimento educacional de um país, mas faz uma ressalva: “A tecnologia por si só não agrega nada. Na realidade, o uso inteligente, a seleção e a adaptação de ferramentas ao contexto particular do país é que poderão trazer benefícios para a comunidade”.
O sr. já participou da Contec Brasil. Quais são as inovações das redes sociais?
Nos últimos anos temos assistido à consolidação de redes mais potentes, como facebook e twitter, mas também surgiram novas redes. Eu estou me referindo a uma infinidade de microrredes e comunidades de nichos que são muito dinâmicas. É o caso do livro acadêmico, entre outros, que algum dia terá muita relevância, além do caso do Academia.edu, por exemplo. São comunidades menores e mais focadas nos temas.
Há pesquisas mostrando que alunos que usam mais a Internet ou redes sociais obtêm melhores resultados na escola?
Existem pesquisas que reforçam as duas conclusões. No entanto, geralmente eu penso que os melhores resultados na escola dependem, sobretudo, da interação (digital e analógica) do aluno com seus colegas e professores. Assim, o meio digital oferece um potencial de comunicação enorme, mas deve estar integrado de uma forma inteligente. Não devemos acreditar que a ferramenta por si só pode resolver todos os problemas.
Como entra a figura do professor nesse processo de interação?
O professor deveria possuir um profundo domínio das ferramentas tecnológicas. Os alunos estão muito mais familiarizados com estes instrumentos, graças ao uso intenso de redes sociais, blogs, videogames e programação amadora. Como sabemos, os principais problemas do mundo atual (nas áreas política, financeira ou científica) estão completamente ligados ao mundo digital. Desta forma, qualquer matéria escolar exigirá um professor muito capacitado em novas tecnologias, tanto para explicar como para utilizá-las.
A adesão das editoras aos modelos digitais continua menor do que o esperado ainda hoje?
O impacto do livro digital no mercado editorial latino-americano é, sem dúvida, mais lento do que em outras regiões. Porém, são inúmeras as editoras que já produzem e-books, desenvolvem plataformas, fazem parcerias etc. E os leitores estão mudando muito rapidamente. Podemos ver claramente essa situação na distribuição das vendas de Teseo: as vendas digitais de 2013 foram superiores às vendas de todos os anos anteriores somados. Tenho recebido comentários semelhantes de outros colegas do setor.
O que é necessário para ampliar o acesso ao livro digital?
Facilitar a aquisição de dispositivos de leitura, estimular a formação digital dos editores e autores, melhorar os meios de pagamento eletrônico, adaptar ao mercado livrarias online nacionais e regionais, desenvolver modelos de negócios sustentáveis para as editoras.
Como o senhor avalia a iniciativa de Frankfurt de realizar a Contec Brasil?
Para o mundo do livro e da educação, o tema digital é o mais urgente. Se o ignorarmos, enfrentaremos desafios consideráveis. Se o debatermos a fundo, descobriremos oportunidades gigantescas. A Contec Brasil abre um espaço valioso de discussão e profissionalização que toda região latino-americana poderá aproveitar.

Entrevista de Michael Ross

Por que a Enciclopédia Britannica escolheu investor no mercado educacional brasileiro – apesar da recente queda econômica.
Por Siobhan O’Leary
O governo brasileiro pode ser o maior comprador de livros do mundo. Certamente é o principal cliente dos livros publicados no mercado doméstico – e isso é uma tendência em crescimento em um momento em que a nação emergente reúne esforços para fortalecer a economia e melhorar a qualidade de vida de seus quase 200 milhões de cidadãos. Em 2012, as vendas de livros no Brasil alcançaram um faturamento de cerca de US$ 1,85 bilhões, quase um terço dos quais foram de compras governamentais para material de educação. Para incentivar uma mudança do “brain drain” – i.e., perder brasileiros brilhantes para outros países que estariam oferecendo melhores oportunidades para “brain gain” – o Brasil está investindo seriamente em todos os aspectos da educação, do conteúdo à infraestrutura e todo o resto entre os dois. No final do ano passado, a Câmara dos Deputados aprovou um novo plano educacional que deverá aumentar o gasto público com educação em 10% do PIB até 2020, proporcionalmente o maior orçamento para a educação do mundo. Todo esse investimento parece ter um impacto. Segundo uma pesquisa sobre educação superior do Ministério da Educação (MEC), o número de alunos nas universidades brasileiras e faculdades aumentou 110% nos últimos dez anos, de 3 para 6,5 milhões. É por isso que a Feira do Livro de Frankfurt decidiu dar foco ao Brasil, criando a série de conferências CONTEC Brasil.
Fica subentendido que este é um ambiente fértil para investimento e envolvimento estrangeiros. A educação é, particularmente, um campo promissor. Editoras estrangeiras como Wiley, Thomas Nelson e a espanhola SM já começaram a investir no Brasil há muito tempo – e continuam, apesar da recente queda da economia. Uma empresa que vem aumentando a marca no mercado brasileiro nos últimos anos é a Enciclopédia Britannica. Segundo Michael Ross, o vice-presidente sênior e gerente geral para a educação, a Britannica vê o Brasil como um país muito importante estrategicamente, assim como qualquer empresa operando na região da América latina. “Reconhecemos que investir no mercado brasileiro é essencial para nossa presença na região a longo prazo”, ele diz. “O Brasil é um país grande e sofisticado, que valoriza muito o avanço educacional”.
Apesar da Britannica estar presente no Brasil nos setores impressos e de DVDs há muito tempo, a empresa – que se dedica exclusivamente ao digital desde 2012 – formou uma parceria no final de 2009 com a parceira em distribuição DotLib, para criar uma solução de ensino suplementar. A parceria fez parte de um projeto lançado em 2008 pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nivel Superior (CAPES), uma divisão do MEC, responsável por impulsionar o desenvolvimento professional de professores a nível básico e médio no Brasil.
A CAPES estava procurando e financiando ferramentas e recursos para ajudar a aumentar o conhecimento dos professores e melhorar suas técnicas de ensino. De acordo com Michael, o portal de ensino digital da marca, a Britannica Online School Edition, foi escolhida como modelo para o novo produto. Para produzir algo que fosse de encontro às necessidades dos estudantes brasileiros, a Britannica chamou consultores locais e especialistas em conteúdo, assim como a CAPES, para entender melhor as escolas de ensino básico no Brasil. O resultado foi um novo recurso de referência para turmas do jardim de infância e primário, chamado Britannica Escola Online.
Apesar do enorme envolvimento do governo no ecosistema educacional brasileiro, normalmente a adaptação do conteúdo para o mercado local tem uma abordagem relativamente independente. “Mas no caso da Britannica Escola”, explica Michael Ross, “foi uma cooperação mútua, para trazer o melhor conteúdo digital para o estudante. Independentemente de sua situação financeira”. Mais de 25 milhões de estudantes têm agora acesso ao produto, que é apresentado inteiramente em português e comporta muitos recursos disponíveis na edição escolar em inglês, como artigos de enciclopédia, uma Zona de Aprendizagem para alunos pré-Jardim de Infância, um espaço de trabalho, jogos interativos e recursos multimídia. Além dos recursos editoriais da própria Britannica, ele contém material editorial e de aprendizados (incluindo vídeos) que, segundo Michael, estão correlacionados ao currículo brasileiro.
As dificuldades de entrar no mercado brasileiro: taxas, impostos, infraestrutura.
Apesar dar vantagens óbvias, entrar no mercado brasileiro – mesmo com o apoio do governo – tem seus desafios. Primeiro, não há um sistema centralizado de distribuição de conteúdo educacional digital. Taxas e impostos são altos, especialmente para empresas estrangeiras, que não têm escolha a não ser trabalhar com distribuidores locais para superar barreiras legais e comerciais. Em seguida existe a questão de se assegurar que os estudantes consigam de fato ter acesso a conteúdo de alta qualidade – e ainda existem serios problemas de acesso no Brasil que precisam sem tratados. “Apesar de nao estarmos diretamente envolvidos na construcao de infraestrutura no Brasil”, disse Michael, “estamos colaborando com varios parceiros que providenciam hardware, afim de ajudar a garantir que estudantes brasileiros recebam informacoes segura, util e precisa durante os anos de formacao”. Mas a infraestrutura e as necessidades dos alunos variam muito de regiao para regiao. Criar conteudo que atende todos os estudantes no Brasil ‘e apenas o primeiro passo. “Cada estado e regiao devem abordar a questao da tecnologia na educacao de forma diferente”, disse Michael, complementando que a situacao atual do sistema educacional brasileiro dificulta a igualdade de acesso a conteudo digital. Mas esse ‘e o objetivo final. “Nao importa o que se fa’ca”, ele explica, “e nao importa em que estagio esteja no momento, precisamo considerar a maneira como o hardware, software e treinamento para ensino sao implementados – e abordar os tres com a mesma paixao”.
Conheca Michael Ross
Michael Ross ‘e o vice presidente senior e gerente geral da Britannica Digital Learning. Ele ‘e responsavel pelas vendas e atividades de marketin na America do Norte e EMEA e trabalha junto com os times de desenvolvimento de produtos da Britannica para identificar e agir em novas oportunidades em produtos educacionais de alta qualidade. Antes, ele foi vice-presidente executivo e editor na World Book (uma divisao da Houghton Mifflin), e Time-Life Books. Michael mora com a familia em Highland Park, suburbio de Chicago. Voce pode encontrar Michael Ross na serie de conferencias CONTEC Brasil, onde ele vai dar a palestra principal sobre as ultimas tendencias em educacao, ou entre diretamente em contato: mross@eb.com.

Entrevista de Vibhu Mittal

Vibhu Mittal está entusiasmado com a sua participação na Contec Brasil: “A Feira do Livro de Frankfurt é um evento de alto nível e realizar outras conferências atreladas a ela é muito positivo, pois permite que as pessoas participem de ambos os eventos mais facilmente, agregando assim valor para todos”. Seu tema na Contec será debater com outros especialistas os novos paradigmas para a educação, principalmente o aprendizado social no contexto da sala de aula do ensino fundamental e médio. A Edmodo é uma plataforma on-line que permite que professores e alunos se conectem e colaborem em um ambiente de aprendizado social e seguro. Essa plataforma possui mais de 31 milhões de usuários no mundo inteiro. Ele é autor dos livros Generating Natural Language Descriptions with Integrated Text and Examples (Gerando descrições de linguagens naturais com integração de textos e exemplos), da Editora Lawrence Erlbaum Publishers (EUA) e Assistive Technology and Artificial Intelligence: Applications in Robotics, User Interfaces and Natural Language (Tecnologia de assistência e inteligência artificial: aplicações em robótica, interfaces de usuários e linguagem natural). O chefe de pesquisa da Edmodo vê uma demanda crescente por ferramentas de aprendizado móvel: “É a parte que cresce mais rapidamente da curva de demanda, globalmente. A aprendizagem digital depende muito da motivação por parte do usuário, do acesso a bom conteúdo e habilidade do aplicativo de engajar o usuário. Ter uma comunidade forte para complementar (colegas de turma, amigos ou família) torna o processo mais eficiente”, analisa.

Entrevista de David Sánchez

“Sou um otimista digital”, diz David Sanchez
Por Ivani Cardoso
David Sanchez é engenheiro de telecomunicações com experiência em startups e internacionalização de uma empresa de software espanhola bem sucedida. Ele participará da Contec Brasil no painel Acesso é tudo. Há anos ele esteve no Brasil em um projeto de gestão de redes de telecomunicações junto à IBM, em Campinas. David diz que sua empresa está dando os primeiros passos para começar aqui um novo modelo de negócios e pretende encontrar pessoas interessadas em representar a companhia no País. A leitura da obra “The Cluetrain Manifesto” abriu novas portas em seu trabalho e partiu em uma aventura para criar a 24symbols com mais três amigos. Ele é responsável pelas vendas e relações com editoras, gosta do que faz, conhece gente interessante na indústria editorial e costuma passar noites em claro pensando em novas direções estratégicas para seu negócio. Também é professor associado da universidade Carlos III, de Madrid. Entre seus objetivos está criar algo que pode trazer muito orgulho no futuro e construir relações humanas de verdade nos negócios.
Confira a entrevista na íntegra:
Como surgiu sua vocação para Engenharia na área de Telecomunicações?
Não sou um engenheiro muito profissional, realmente creio que tenho mais mente mais voltada para a área científica. Desde muito pequeno eu me interessava muito pelo que ocorria dentro desses dispositivos que se chamam ordenadores.
A partir de quando começou a se interessar por startups?
Eu vinha acumulando frustrações pela rigidez no trabalho em organizações em que você se sente apenas uma parte do equipamento que você não consegue controlar. Uma startup me permite viver o trabalho de uma forma diferente e gera um envolvimento pessoal muito maior.
Como está essa área atualmente? Está crescendo em todo o mundo?
Certamente. Em lugares onde a crise econômica está atingindo mais duramente há uma consciência coletiva de que o futuro é criar valor para você mesmo montar uma empresa.
Quais são os países mais adiantados na criação de startups?
Eu não conheço o suficiente para responder com autoridade. Sim, eu conheço bem o talento e a critividade no meu país, mas também conheço as dificuldades que os empreendedores encontram. Fala-se muito de promover o empreendedorismo, mas o ecossistema realmente não favorece. Não falo apenas de financiamento, mas esse é certamente o problema fundamental. A nossa história como uma empresa poderia ter sido muito diferente se nós estivéssemos em outro lugar.
Há muita diversidade em startups na área educacional?
Sim, é uma área de uma enorme atividade. Todo mundo está consciente de que a formação educacional vai passar por um giro de 180 graus. Não vai permanecer vestígio de professor de classe magistral e a formação será muito mais participativa.
A tecnologia acaba por afastar as pessoas, tornando os relacionamentos mais distantes?
Não creio. Ela também abre espaços de colaboração antes impensáveis. Segundo um dos meus sócios eu posso dizer que me considero um otimista digital, e gosto muito de estar vivendo um momento em que tudo está mudando.
A Internet e as redes sociais afastam crianças e jovens da leitura?
A tecnologia permite chegar a mais leitores e em formas incrivelmente atrativas que vão muito mais além dos livros digitais que existem atualmente, no entanto é certo que a leitura atual no ambiente digital deve competir com outras formas de entretenimento que existem menos dedicação e menos esforço. Nós, que estamos nesse setor, não devemos ficar presos à nostalgia nem buscar inimigo em casa. A leitura é a grande batalha e que isso passa por fazê-la atraente e competitiva nesse tempo de entretenimento digital.
Como está na Espanha a experiência de unir a tecnologia ao ensino?
Está em seus primeiros passos, mas muito efervescente. Conhecemos algumas experiências muito interessantes neste âmbito, centradas na escola particular, e em nossa empresa, 24symbols, estamos apostando para contribuir com a nossa parte para desenvolver planos e promover a leitura digital. Acho que o curso que começa em 2014 será lançado para tentar e em 2015 para decolar.
Acredita que os professores estão acompanhando a tecnologia na sala de aula?
Eles precisam de algo mais do que a tecnologia. O sucesso dependerá de sua formação e envolvimento para adaptar novas formas de ensinar em suas classes e incentivar e não apenas dirigir, a aprendizagem autônoma de seus alunos.
Como funciona a sua empresa?
Funciona com a lógica de uma startup. Há uma visão muito clara do que desejamos e muito diálogo para propor e compartilhar propostas. Em 24symbols se fala e se discute muito, fazemos e fazemos, mas as abordagens são corrigidas se for preciso. Temos muita agilidade para lançar iniciativas que em outras empresas exigiriam semanas para aprovação e mudança. Acho que ficamos muito cansados de gurus que apenas falam, mas nu8nca fazem nada.
Como é o seu trabalho com as editoras?
É muito interessante. É preciso explicar um novo modelo de negócio e convencê-las de que vale a pena apostar nele. É um trabalho muito estimulante e há pessoas incríveis no setor.
Como está o mercado de e-books em seu país?
Ainda é pequeno, mas está crescendo. Há plataformas de todo tipo (temos na Espanha todas as grandes empresas de e-commece) e temos sido pioneiros a nível mundial em propor modelos de assinaturas, mas as vendas estão crescendo com menos rapidez do que gostaríamos. Mas de novo, volto a dizer, sou muito otimista.
As editoras têm pessoal capacitado nessa área?
Capacitado sim, há bons profissionais no setor, mas é preciso que esses profissionais tenham a consciência de que a natureza do seu trabalkho vai mudar. Esquecer o passado e reciclar-se será inevitável. Também é preciso abrir as empresas a pessoas de outras áreas, principalmente deste mundo da tecnologia.

Entrevista de Jorge Proença

Gamificação, um dos temas da CONTEC Belo Horizonte
Por Ivani Cardoso
A Feira do Livro de Frankfurt realizará a CONTEC Belo Horizonte no dia 18 de novembro, dentro da Bienal do Livro de Minas, das 9h30 às 13h30. Esta será a quinta edição da Conferência sobre Educação, Tecnologia, Conteúdo e Mundo Editorial no Brasil e terá a Gamificação como um dos temas principais. E não por acaso. Como afirma Jorge Proença, um dos palestrantes e cofundador da empresa Kiduca, a tecnologia e os games podem tornar os processos educacionais mais produtivos e mais baratos. Essa tendência é uma realidade e o nosso sistema de educação precisa mudar e ficar mais próximo do mundo em que os alunos estão vivendo. Pesquisa recente da M2 Intelligence mostra que a gamificação movimentou US$ 450 milhões em 2013, e deve chegar aos US$ 5,5 bilhões em 2018. Outra pesquisa, a do Instituto de Engenheiros Elétricos e Eletrônicos, registrou que, até 2020, 85% da nossa rotina será baseada em elementos comuns em games, como pontos, recompensas e medalhas. Na área empresarial, os números também são promissores. Segundo a revista Forbes, 70% das duas mil companhias mais poderosas do mundo terão ao menos um aplicativo gamificado até 2015. Já a consultoria M2 Research diz que, no mesmo ano, as companhias investirão US$ 1,6 bilhão nesse mercado somente nos EUA. Com todos esses números, o painel sobre a Gamificação promete. Nesta edição entrevistamos Jorge Proença que antecipou algumas informações importantes sobre o tema e garante: “Os games ajudam os alunos a aprendem mais e melhor.” Para os interessados em participar da CONTEC Brasil Belo Horizonte as inscrições são gratuitas pelo site www.contec-brasil.com

Como você define a gamificação?
Gamificação é utilizar elementos de “game design” e a mecânica de jogos para resolver problemas e gerar soluções. A gamificação é um novo paradigma para o ensino-aprendizagem ficar mais dinâmico e interativo.

A área de tecnologia não para de crescer. A gamificação tem acompanhado esse crescimento?
Eu poderia dizer que gamificação é um poderoso combustível da tecnologia. A indústria da tecnologia tenta gerar uma demanda (tecnologia disponível e prometida) que pouco é absorvida pela sociedade. A gamificação torna a aplicação da tecnologia mais realista e gera um valor agregado ao seu uso. Por isso a tendência é a gamificação acompanhar o crescimento da tecnologia.

A gamificação está crescendo mais em que áreas do conhecimento?
A gamificação está acontecendo em muitas áreas simultaneamente, mas algumas áreas estão absorvendo e aplicando de uma forma mais intensa. São elas: educação, saúde e trabalho (treinamento de RH).

As grandes empresas mundiais também estão utilizando a gamificação para obter melhores resultados no trabalho?
As grandes empresas e os grandes líderes descobriram que o uso da gamificação torna seus clientes mais fiéis e seus colaboradores mais produtivos. Por isso, grandes corporações estão adotando técnicas de gamificação em alguns processos chave. Defendo que, no futuro, algumas empresas terão um departamento de games e alguns game designers arquitetando ações gamificadas nas empresas.

Há pesquisas mostrando os benefícios do uso da gamificação nas escolas?
Infelizmente, no Brasil temos poucas pesquisas na área de educação como um todo. Já existem algumas pesquisas sobre o uso da tecnologia e o game aparece entre os preferidos dos alunos dos anos iniciais (CETIC).

Como está esse processo no ensino brasileiro? E no Exterior? Em que países essas plataformas são mais utilizadas?
O mercado brasileiro ainda está engatinhando em termos de plataformas gamificadas. Poucas empresas começaram a investir nesta área e a maioria delas são “Startups”.

O termo gamificação muitas vezes é entendido apenas como a introdução de games, pontuação e prêmios. Na área educacional esse pensamento existe?
Infelizmente, na área educacional a gamificação ainda é sinônimo de entretenimento. Muitos tabus a respeito de competição ainda são mantidos. Por isto, trabalhamos para desmistificar a gamificação no ambiente escolar e demonstrar que esta nova “linguagem” pode proporcionar um excelente cenário de ensino-aprendizagem onde todos ganham: aluno, professor, coordenador e dirigente.

O Governo tem iniciativas nessa área nas escolas públicas?
Ainda são muito incipientes as iniciativas governamentais. O MEC recentemente abriu um edital para ODAs (Objetivo Digitais de Aprendizagem) no qual os games estão incluídos.

A linguagem dos games faz com que a chamada Geração Y se interesse mais pela aprendizagem do conteúdo escolar?
As nossas experiências (mais de 3 anos e 15.000 alunos) demonstram claramente que a linguagem dos games motiva o aluno a aprender cada vez mais. A geração Y nasce conectada, precisa de ferramentas interativas e encontra nos games essa experiência.

No Brasil há prêmios específicos para iniciativas nessa área?
Nos últimos meses vários editais estão contemplando games como um segmento importante. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e o Ministério da Cultura têm valorizado e reconhecido o game como uma importante inovação no mundo contemporâneo. (A Kiduca foi contemplada nestes dois que eu citei).

Quais são as maiores dificuldades para que as Startups levem suas plataformas tecnológicas para as escolas brasileiras? Os governos têm facilidade para comprar tecnologia das empresas que criam plataformas educacionais?
A grande dificuldade das Startups é a quebra de paradigma numa área muito tradicional cuja formação ainda não contempla o uso de tecnologia e a linguagem dos games como item fundamental. É necessário levar o conceito e gerar a demanda na academia, nas escolas e no governo.

Quais são as novidades da sua empresa nessa área?
Estamos trazendo várias inovações e uma plataforma completa no processo de ensino-aprendizagem: AVA (Ambiente Virtual de Aprendizagem), Avaliações, Personalização e Tutor Virtual. Além do uso no laboratório também incentivamos o uso nas lições de casa e na sala de aula. Lançamos hardwares (Arcades/Joysticks), aplicativos para tablets e celulares que facilitam a realização de aulas interativas.

Quais são os temas mais utilizados na criação das plataformas educacionais?
As plataformas educacionais estão priorizando o estudo de matemática e português (áreas prioritárias na visão geral dos educadores).

O custo ainda é muito alto?
A tecnologia possibilita o uso em larga escala e com baixo custo. Não tenho dúvida em afirmar que a tecnologia e os games podem tornar os processos educacionais mais produtivos e mais baratos. Enquanto eles forem encarados como complementares serão encarados como gastos extras, enquanto que o correto seria que eles fossem aplicados como investimentos para melhorar o resultado final.

Entrevista de Pablo Arrieta

Professores não devem temer explorar novos territórios
Por Ivani Cardoso
Na CONTEC Belo Horizonte, marcada para o dia 18 de novembro, durante a Bienal do Livro de Minas Gerais, o professor, designer, arquiteto e consultor em tecnologia Pablo Arrieta, da Colômbia, será um dos palestrantes e vai falar sobre os novos territórios digitais que podem ser explorados pelos professores neste momento de muitas mudanças na sala de aula. Seu conselho para os educadores é que eles devem perder o medo de explorar novos territórios no trabalho profissional na escola e na vida pessoal. “Devemos atuar com nossos alunos com a tranquilidade de quem utiliza permanentemente esses dispositivos no cotidiano. Espero que minha participação na CONTEC motive-os para continuar curiosos perante as transformações que estão ocorrendo”. Para ele, educar é abrir as alas das novas gerações sabendo que são elas que vão manter o nosso voo. E completa analisando o futuro: “Devemos continuar como no passado, ensinando da melhor maneira hoje quem vai prosseguir o caminho amanhã, em um mundo que não será o mesmo que conhecemos como professores. O importante é não perdermos a capacidade de nos surpreender e tirar proveito do que aparece, assim como a maneira como contextualizamos nosso trabalho determinará o sucesso de qualquer esforço. E podemos trabalhar em grupo e muito melhor. Pablo Arrieta atua em várias frentes. Arquiteto por formação, pela leitura e por desenhar desde criança, designer por vocação, fotógrafo e amante de música por obsessão, atualmente ele também trabalha como professor e consultor da Apple para questões de Educação e Tecnologia. Desde o início de 1995 Pablo está envolvido em design digital e desenvolvimento na web. Desde 2008 tem participado ativamente na evolução do mundo editorial de fala hispânica. Pablo defende mudanças na lei de direitos autorais e quando o assunto é livro digital não titubeia: Não formamos leitores para o meio impresso ou digital, mas sim seres humanos capazes de ler e entender o conteúdo deles, decidindo como querem fazê-lo de acordo com as inúmeras condições externas”, afirma.

O que é e como funciona o Coletivo Red Para Todos?
É uma iniciativa que surgiu como resposta aos planos do governo colombiano de controlar a Internet. Seguindo a linha de SOPA, PIPA, da Lei Sinde e outras leis reguladoras do uso da Internet como parte de acordos firmados com os Estados Unidos, o governo colombiano implantou uma série de reformas buscando limitar a pirataria de material protegido por direitos do autor, que chegava a por em risco inclusive a liberdade de expressão e a capacidade de inovação em nosso país. Red Para Todos é formada por membros da sociedade interessados em preservar os benefícios que a Internet havia trazido para as nossas vidas. A partir de diferentes setores (desenvolvedores, indústria, escolas, estudantes) e com interesses diversos (software livre, plataformas de comércio, seguridade, direitos humanos etc), seus membros propõem ideias ao governo e as expressam nos fóruns em que participamos. No início foi o tema dos direitos de autor que nos juntou, mas rapidamente as conversações evoluíram para a questão dos direitos humanos e sua relação com o meio digital, com a privacidade e a segurança. É um grupo de organização horizontal onde o importante é entender nossa vida digital como um novo campo para o desenvolvimento da cidadania, além de contar com as possibilidade de participar e permitir as diferenças, pois vemos nelas o motor do progresso. Com muito êxito, o coletivo tem sido protagonista em deter algumas das propostas de lei, ampliando a discussão e permitindo que a sociedade se interesse por esses temas que são novos para muitos colombianos.

Em seu país as bibliotecas e a leitura são muito valorizadas. Como estão os índices de alfabetização e interesse pela leitura?
Foram realizados avanços e podemos destacar o trabalho e o valor das bibliotecas em nossa sociedade, mas ainda há muito por fazer. Além dos números que temos, tão úteis para os políticos e seus informativos de gestão, a Colômbia continua sendo um país onde se lê pouco e se compreende menos ainda. As pesquisas mais recentes sobre compreensão de leitura são alarmantes pois mostram que é difícil para os colombianos entender claramente os textos. De que nos serve ler muito se não conseguimos aproveitar este ato? Por isso digo que ainda há muito por fazer.

Ainda é importante incentivar a leitura dos livros impressos ou os professores devem concentrar esse trabalho no digital?
A discussão entre leitura digital e impressa não deveria ocorrer. É importante que os professores abordem o tema da leitura, sua importância e difusão, reconhecendo os benefícios e os riscos de cada superfície onde ela ocorra. Não formamos leitores para um desses meios e sim seres humanos capazes de ler e entender o conteúdo deles, decidindo como querem fazê-lo de acordo com as inúmeras condições externas. É muito diferente encarar o tema da leitura em um país desenvolvido onde há livrarias e bibliotecas em todas as cidades e fazê-lo em nossos países emergentes onde há dificuldades para que os livros cheguem em todas os municípios. Para uma criança que mora fora de uma cidade, mais importante do que decidir sobre papel ou tela é a possibilidade de fazê-lo. A atitude do professor para a leitura é mais importante que o formato e onde se tem a oportunidade para ler.

Quais são os limites, em sua opinião, para a utilização da Internet e das redes sociais na escola?
Há temas de privacidade e de idade que são importantes no momento em que abordam as redes sociais na infância e na juventude. Enquanto os alunos são eficientes com os dispositivos, muito possivelmente não têm conhecimento dos riscos a que estão expostos, não têm essa clareza. Assim, os professores podem ser guias nessa área, tentando gerar atividades em que a socialização de temas e conteúdos seja interessante. Ao utilizar as redes em sala de aula, deveriam levar a aprendizagem a outros momentos fora da escola e de maneira mais atraente do que as tarefas tradicionais. Se há essa possibilidade de estabelecer a comunicação com os alunos dentro de alguma rede, é possível incentivar atividades extracurriculares que sejam úteis e inspiradoras. Da mesma forma dentro de aula é possível debater sobre o uso das redes na vida dos alunos. Assim da mesma forma em que os meios de comunicação foram introduzidos em nossas classes, agora é hora de abraçar a mudança e conversar com as crianças sobre essas questões que ocupam tanto espaço em seus dias.

Quando começou a ler? Como se interessou pela leitura? Alguém incentivou?
Em casa meus pais nos deram um exemplo de leitura, mas desde que comecei a ler (aos 4 anos de idade), minha mãe se encarregou de converter essa atividade em algo prazeroso. Semanalmente, se nós tivéssemos nos comportado bem, ela nos dava um livro ou história em quadrinhos que mantinha trancados em uma gaveta. Não eram livros novos mas faziam parte de sua coleção quando era pequena e estavam carregados de surpresas. Algumas vezes aparecia uma HQ de Archie, outras um conto de fadas e outras um do Super-homem. Conforme fomos crescendo os prêmios deixaram de ser tão constantes (pois os livros iam terminando) e as HQs começaram a ter um novo desafio pois estavam em Inglês. Assim, acompanhado de um dicionário, passei muitas horas lendo Mad Magazine, Sad Sack e tantos outros, com tanta vontade que nunca precisei aprender Inglês. Com muita dor chegou o dia em que o armário estava vazio, porém nossa biblioteca estava repleta de volumes preciosos (conservo ainda). Acima de tudo, nossa vida na leitura estava assegurada.

Estamos vivendo em um mundo digital em que muitas vezes os alunos sabem mais do que os professores. Como esses professores devem proceder para continuar à frente do processo educacional?
Eu gosto de brincar e dizer que a resposta a esta pergunta é encontrada assistindo ao último filme de James Bond. Em Skyfall o agente secreto enfrenta os mesmos desafios experimentados por muitos professores: pela primeira vez quem dá as armas ao misterioso Q é um garoto imberbe. Logo no início Bond se dá conta de que um necessita do outro. Enquanto o garoto de óculos é um gênio em dispositivos, o agente é único que sabe usá-los na prática. Sabemos que a melhor maneira de lidar com a mudança é reconhecer as limitações de cada um e trabalhar em conjunto para alcançar os melhores resultados possíveis. As crianças precisam de um guia especializado, o professor, mas eles ficam felizes se puderem dar uma mão para acelerar este passeio. Temos de aprender a fazê-lo e torná-lo divertido.

Quais são os maiores desafios na utilização das inovações tecnológicas na sala de aula?
Um dos maiores desafios é acreditar que basta implantar a tecnologia. Em muitas escolas se percebe como obrigam os professores a usar as ferramentas digitais que se tornam requisitos complicados, que nada agregam ao processo educacional. Sempre que possível, o professor deve ficar livre para decidir quando usá-las sem que sejam um limite para as suas competências pedagógicas. Mais do que ferramentas, devemos fazer das inovações tecnológicas instrumentos que estejam disponíveis e ampliem nossas capacidades. Não é porque um assunto é apresentado em uma tela que se tornará mais atraente para os alunos, da mesma maneira que tocar uma música em um sintetizador de última geração não é garantia de conseguir cativar os jovens. Nós devemos ser capazes de utilizar a tecnologia como uma ponte para o conhecimento, não como o fim do percurso.

O sr. acredita que a criação de comunidades de aprendizagem para a formação dos professores é uma boa ideia?
É uma excelente ideia e quanto mais trabalharmos dessa forma interdisciplinar será melhor. O grande desafio é aprender a usar a tecnologia de forma eficaz, e um erro que pode ser cometido é nos concentrarmos em exemplos que ocorrem em nossa área de interesse e nada mais. Isto é, se eu ensino idiomas, só vou me interessar por idiomas ou temas semelhantes. Este momento, já que tudo é digitalizado, é bom para se aprender com outros professores e suas experiências, independentemente da sua área de trabalho. Então, pessoalmente, cada professor pode perceber o que poderá funcionar em sua sala de aula. Na minha vida pessoal como professor universitário venho tentando aprender todo o tempo com outras pessoas, sejam ou não professores, e levar seus exemplos para minha sala de aula. E muitas vezes eu consigo obter bons resultados também. Outro ponto interessante é que esses conhecimentos podem ser internacionais. Na newsletter da CONTEC muitas vezes descubro temas da Europa, EUA e América do Sul que me interessam e me fazem pensar. Da mesma forma, uma rede de professores atraente deve incentivar essa conversa global, porque, apesar de cada país e região ter suas peculiaridades, não existe um modelo único e há um mundo de professores que experimentam e conseguem resultados.

Quais são as principais ferramentas tecnológicas que estão contribuindo para a melhoria da educação?
Colocaria a Internet em primeiro lugar pois é a principal conexão de todos os nossos interesses e esforços. Depois mencionaria a capacidade, cada vez maior, de processamento das máquinas com as quais contamos. Há décadas, quando estava começando a atuar como desenvolvedor digital, só alguns profissionais tinham a possibilidade de contar com máquinas suficientemente poderosas para consumir e criar conteúdo, algo que hoje em dia é uma característica básica. Finalmente, é preciso reconhecer o aparecimento de um mercado cada vez mais maduro e bem equipado. Mesmo que a oferta de materiais que podem ser utilizados por educadores em suas atividades pedagógicas não esteja no nível que se espera e ainda menos em nossos países, é claro que já se conta com grande quantidade de materiais que podem ser utilizados nas atividades pedagógicas. A indústria deve se desenvolver mais ainda, mas é algo que vai ocorrendo diariamente.

Como motivar os professores para a leitura, uma vez que eles são importantes no desenvolvimento do hábito da leitura entre crianças e jovens?
É fundamental que incentivemos a leitura mas não apenas nos textos. Os jovens de hoje estão expostos a toneladas de mensagens que chegam em múltiplas linguagens: impressa, sons, vídeo e outras. Sabemos que o texto e fundamental e seguirá sendo, mas para poder garantir sua correta utilização devemos reforçar o papel de outras formas narrativas e incluí-las nas atividades como HQs e fotografia ou facilitar para que os alunos desenvolvam interesse pela leitura em outros idiomas. No mundo atual, a possibilidade de baixar músicas gratuitamente faz com que muitos garotos compreendam conteúdos em Inglês. Atividades como videogames e a capacidade de fazer programações contribuem com esse interesse. Incentivar essas possibilidades dará ferramentas de compreensão muito interessantes para as novas gerações capazes de conversar hoje com quem queiram graças às redes sociais.

O professor de hoje está preparado para essa geração de nativos digitais?
A estas alturas, deveria estar, é uma questão prioritária em nossa realidade contemporânea. Negar essa condição seria um erro tanto para os professores quanto para os alunos. Devo reconhecer que não gosto do conceito de "nativos digitais" pois me recorda outros tempos e estilos de colonização. No entanto, se querem usar essa analogia é bom lembrar que ao longo da história os nativos têm sido vistos de maneira muito positiva com a chegada de imigrantes ao seu território. Nesse caso, o professor é um imigrante em sua capacidade para abordar a mudança e conseguir conversas interessantes com esses “nativos” e mostrar seu valor. Voltamos ao exemplo de Bond que mencionei antes.

Como os pais devem participar do processo educacional?
Eles devem confiar e colaborar, entendendo que há professores trabalhando pelo melhor resultado de seus filhos, com seu próprio exemplo e atitudes. O comprometimento com a vida diária depende muito do que se pode obter na educação. Os pais devem ser participantes ativos que compartilham e exijem de seus filhos.

Entrevista de Justo Hidalgo

Livros digitais por assinatura, um mercado em expansão
“Eu amo livros”. Quem diz isso é Justo Hidalgo, sócio-fundador da 24symbols, um serviço de assinatura que permite que as pessoas leiam livros digitais a partir de um catálogo internacional e multieditorial na nuvem e em dispositivos móveis. A paixão e o respeito pelo livro impresso continuam, mas ele, melhor do que ninguém, sabe que os tempos estão mudando e que o mercado de serviços de assinaturas de livros digitais está apenas começando: “Temos todo o espaço do mundo para crescer”, diz. A empresa foi fundada em 2010 e atualmente tem mais de 300 mil usuários cadastrados e mais de 20 mil títulos de autores de vários países como Espanha, México, Argentina, Chile, Itália, Reino Unido e Estados Unidos, entre outros. O catálogo continua aumentando, tanto em espanhol como em outros idiomas. O interesse maior vai para obras de ficção comercial e não ficção, novelas, poesia e livros de gestão principalmente. Doutor em Engenharia da Computação, ele é professor nas áreas da tecnologia, estratégia de produto e inovação em universidades e escolas de negócios, membro da Internet Society e mentor/orientador de outras startups. Justo e a 24symbols participarão da Contec Brasil 2014, em fevereiro, em São Paulo. Ele acredita que o evento será uma ótima oportunidade para apresentar a empresa e o serviço para um público formado por educadores, editores, escritores e mídia. “A Contec 2014 se encaixa perfeitamente neste momento em que estamos negociando com editoras brasileiras. A simples ideia de que um único dispositivo permite o acesso a toda a literatura necessária para a educação básica, a literatura infantil ou livros da faculdade, é fascinante”, afirma.

Há quanto tempo existe a 24symbols?
A empresa foi fundada em abril de 2010 por quatro sócios e o trabalho começou no final desse mesmo ano. O serviço foi lançado em versão beta em meados de 2011.
Como surgiu a ideia?
Os sócios eram companheiros de trabalho que compartilhavam o mesmo interesse por livros. Inicialmente pensamos em começar um projeto editorial em tempo parcial, mas depois vimos que não tínhamos experiência suficiente para isso. Mas logo veio a ideia de criar um "Spotify dos livros" (Spotify é um aplicativo de streaming de músicas online disponível para uma variedade de plataformas). Após a confirmação de que não havia um serviço semelhante, mas que o tema despertava muito interesse e discussão na indústria, decidimos que era um projeto que se encaixava com as nossas preocupações, os nossos interesses e nossa experiência. Vimos que, apesar dos riscos envolvidos, era algo que, com a nossa experiência na construção de produtos de tecnologia internacionais, algum investimento e esforço, era uma oportunidade para nós. Acreditamos que a tendência é clara e inequívoca e que desde a posse de produtos culturais e de entretenimento, como músicas ou filmes, ao seu consumo como serviços (como vemos com Spotify e Deezer na música, ou Netflix, Filmin e Wuaki no cinema), também deve ocorrer na indústria editorial. Com suas diferenças, mas também com suas semelhanças como um produto cultural. E desde então temos a convicção absoluta de que o foco está na experiência do leitor ao utilizar nossos aplicativos, ler e partilhar os nossos livros.
Como funciona?
Na 24symbols oferecemos um serviço de assinatura mensal, trimestral ou anual, que permite ler pela Internet livros eletrônicos comerciais, de diversas editoras e de alta qualidade, sem precisar baixar nenhum dispositivo especial. Além disso, estamos agora começando a lançar os nossos serviços por meio de operadoras de telefonia celular. Nestas próximas semanas vamos anunciar nossa entrada em alguns países e depois ampliaremos para outros da América Latina, Europa, África e Sudeste Asiático. A pessoa que quiser conferir como funciona a 24symbols só tem que visitar nosso site www.24symbols.com e se cadastrar gratuitamente, diretamente ou com o seu Facebook ou Google+. Então terá acesso ao conjunto de todo o nosso catálogo, com alguma publicidade, e pode acessar por meio de um dos nossos aplicativos para iPad, iPhone, Android, via versão "mobile" ou em um desktop ou laptop. Se gostar do serviço e quiser ler um catálogo mais abrangente, com grandes sucessos e com a capacidade de ler sem uma conexão com a internet (em um avião, metrô ou no campo), você pode assinar por um mês, três meses ou um ano, a um preço muito acessível. Sempre pode, se desejar, partilhar os seus livros favoritos em mídias sociais, criando prateleiras virtuais que os outros podem seguir, tornando-se uma estante. Acabamos de lançar novas versões de nossos aplicativos para iPhone e Android, com um novo design e nova leitura e recursos de compartilhamento.
A empresa tem sede fixa?
Sim, ela tem. Por alguns meses tivemos que trabalhar em nossas casas, em cafeterias etc. Depois da assinatura da segunda rodada de investimentos, no início do ano, precisamos aumentar a equipe e por isso hoje temos um espaço nos arredores de Madri, na Espanha.
Quantos sócios e quantos funcionários na equipe?
Estamos em pleno crescimento, no entanto, no momento desta entrevista, somos umas 20 pessoas, quase todas em Madri. Somos quatro sócios-fundadores e aproximadamente seis pessoas da equipe técnica, dois na equipe de design e criação, três na área de conteúdo e suporte, um no setor de desenvolvimento de negócios, um profissional do financeiro e duas pessoas de aquisição de conteúdo em Buenos Aires. Merece menção especial Julieta Lionetti, especialista editorial há muitos anos, com projetos de sucesso nos dois lados do Atlântico, que foi incorporada como diretora de relações editoriais.
Quanto usuários e de que países?
Hoje temos 300 mil usuários registrados, provenientes principalmente da Espanha, México, Argentina, Colômbia, Reino Unido e Estados Unidos
Qual é a vantagem da leitura na nuvem?
Além do que já foi dito sobre a tendência dos usuários digitais que não querem possuir bens digitais, mas consumir sem armazenamento, a leitura na nuvem tem muitos benefícios para os usuários:
1. Para ler qualquer livro instantaneamente;
2. Poder alterar o dispositivo sem ter que se preocupar com quais livros estão armazenados. Ele altera o dispositivo, entra na 24symbols e tem acesso a todo o seu catálogo disponível.
3. As notas, comentários e outras informações de cada leitor também ficam armazenados na nuvem, não há como perder.
Para o editor também tem muitas vantagens. Talvez a principal é que o acervo do livro não se descarrega nos dispositivos do usuário, tornando-o muito mais seguro em termos de acesso ilegal ou controlado para o conteúdo.
O serviço é adaptado a todos os navegadores?
Sim. Oferecemos um leitor na nuvem, eficiente e seguro, disponível para navegadores de desktop, com uma aplicação nativa iOS para iPad e iPhone, uma aplicação nativa para tablets e celulares Android. Temos também um aplicativo HTML5 de alta qualidade para qualquer outro tipo de celular.
Quantos títulos a 24Symbols oferece? Quais os gêneros?
Temos 20 mil títulos e aumentamos esse catálogo continuamente, tanto em espanhol quanto em inglês, italiano, etc. Nosso foco são os livros trade de ficção e não-ficção. Romances, poesias, livros de negócios, etc.
Quem seleciona os títulos?
Negociamos com as editoras e são elas que nos oferecem o catálogo. Depois trabalhamos em parceria com elas para selecionar os títulos de destaque. Falamos com todo tipo de publicações e agregadores.
Qual a preferência dos leitores?
Todos os gêneros se bastante lidos, embora a novela histórica, os romances, as biografias e os livros de autoajuda sejam os mais acessados. O interesse tem variado. Geralmente os mais procurados são os best sellers, ainda que de vez em quando apareçam livros menos conhecidos ou de domínio público.
Há alguma previsão para os livros brasileiros entrarem no site?
Preparamos nossos primeiros lançamentos com as operadoras de celulares na América Latina e Europa. A Contec 2014 se encaixa perfeitamente neste momento em que estamos negociando com editoras brasileiras para um lançamento no Brasil em breve.
Há um tipo de contrato com autores e editoras?
Nossos contratos são com as editoras. Só em casos muito especiais negociamos com autores, como, por exemplo, quando só eles têm os direitos digitais de suas obras e não vão cedê-los a editoras em curto prazo.
Vocês têm parceiros?
Sim, temos parceiros tecnológicos como Colbenson, que nos fornece a tecnologia de busca. No entanto, o parceiro mais importante é Zed, companhia líder em distribuição de conteúdo digital a operadoras de celular. Temos firmado um acordo de distribuição da 24symbols através de operadores de celulares e o Zed nos ajuda a chegar a mais de 70 países em todo o mundo, de maneira que as operadoras ofereçam nosso serviço de leitura na nuvem para seus assinantes. É uma aposta muito ambiciosa e estamos trabalhando duro para concretizá-la.
O crescimento da empresa foi maior do que o esperado?
Foi o esperado. Criar um serviço de assinatura envolve a compreensão de que o crescimento é dividido em duas ou mais fases: obter uma base de usuários que vá crescendo pouco a pouco, que essa base de usuários convença editores a baixar seus livros e, finalmente, que tenha massa crítica suficiente e parceiros de qualidade para que o serviço comece a crescer em todo o mundo. Acreditamos que nos encontramos no início da terceira fase
Quais foram as maiores dificuldades?
Os primeiros passos são sempre difíceis . Em primeiro lugar, tomar a iniciativa de começar um negócio a partir de uma ideia, deixando empregos seguros e interessantes para abraçar uma aventura. Obter a primeira rodada de financiamento não foi muito complicado, as pessoas nos apoiaram desde o início, como quando tivemos que ampliar a cota de convites para testar a nossa versão alpha, de 5.000 para mais de 10.000 pelo grande número de pessoas que pediam. Mas a negociação com as editoras para emprestarem o seu próprio catálogo foi complicada. Este modelo de negócio é muito novo e foi difícil convencer os editores que ainda estão fazendo o salto para o digital para que também pensassem em modelos de assinatura e deixassem alguns de seus conteúdos livres para os leitores. Em muitos casos foi um grande salto. Aos poucos algumas editoras pequenas, médias e até mesmo de grande porte entenderam a proposta, se convenceram do produto e da equipe por trás dele e apostaram em nós. A segunda etapa de dificuldade já foi com o produto, número de usuários crescendo e alguns catálogos de qualidade. Mas, depois de muitos meses de incerteza sobre a parte financeira, mas muita motivação para a forma como o crescimento de nossa base de leitores e atividades tem aumentado a cada mês, conseguimos fechar essa fase no final de abril deste ano. Nesta nova etapa, a relação com as operadoras será fundamental.
Quais são os planos de expansão?
Estamos a ponto de lançar nosso produto em vários países importantes, o que também pode servir como base para firmar nossos serviços com as operadoras de celulares. Em seguida, pretendemos continuar a crescer na América Latina, Europa, África e Sudeste da Ásia, onde já estamos negociando com operadoras e editores de diferentes países.
Você acha que esse tipo de leitura afasta o leitor do livro impresso?
Acredito que os livros digitais e serviços de assinatura em particular podem atrair muitos leitores que entendem que nem tudo que não se precisa possuir tudo o que se lê. No entanto, não concordo com aqueles que dizem que o livro impresso vai morrer tanto no curto ou médio prazo. Nós sempre queremos ter em nossa casa aquelas obras que tenham nos emocionado ou impactado. Portanto, há uma compatibilidade entre os dois tipos de leitura. Leio um livro digital, me apaixono por ele e vou comprá-lo no papel, talvez em uma edição de alta qualidade, para ter e folhear ou reler à vontade, ou para dar a alguém especial.
Você acredita que é importante para os educadores conhecerem na Contec 2014 as inovações tecnológicas que podem ajudar no ensino e na aprendizagem?
Claro que sim. Embora a 24symbols não esteja centrada na educação, estamos trabalhando com escolas e outras instituições para simplificar o acesso à leitura por meio de novas mídias digitais. A simples ideia de que um único dispositivo permite o acesso a toda a literatura necessária para a educação básica, a literatura infantil ou livros da faculdade, é fascinante. Mas o mais importante é que uma vez que o livro digital está na "nuvem", podemos imaginar todas as possibilidades que podem ser criadas e que estão sendo criadas neste exato momento.
Como você vê a participação dos editores nesse processo de atualização digital?
Os editores já perceberam que esse processo de acesso digital à literatura e ao conteúdo editorial geral não tem volta. No último ano tenho visto maior aceitação por parte da indústria, o que foi comprovado pelo aumento do conteúdo digitalizado e pela porcentagem das compras feitas em mídia digital e leitura digital. Eu acho que ainda há um passo adicional, que é ver o mundo digital como algo que vai além da mera digitalização de livros destinados ao mundo da impressão. Já existem experiências de startups, autores e até mesmo alguns dos principais Grupos Editoriais, que estão nos ajudando a entender melhor o que a indústria editorial pode oferecer aos leitores num futuro próximo. Precisamos de muito mais interesse e envolvimento por parte das editoras, mas estamos nesse novo mundo.

Entrevista de Colin Lovrinovic

Entusiasmado com a possibilidade de conhecer o Brasil e compartilhar as novidades de sua empresa, Colin Lovrinovic tem convicção que os produtos digitais oferecem uma experiência de aprendizado completamente diferente. Conceitos de aplicativos móveis especialmente desenvolvidos podem mudar a maneira como aprendemos hoje. Na Contec 2014 ele falará sobre os diferentes tipos de conteúdo oferecidos e ressaltará aspectos educacionais específicos e produtos criados para crianças. “Eu também estou ansioso para compartilhar nossos últimos projetos, entre eles nosso primeiro lançamento em português”, ele diz. Colin Lovrinovic é um gerente digital com oito anos de experiência em negócios de mídia no currículo. Além de se graduar em Negócio da Música e concluir um mestrado em Gerenciamento de Música & Indústrias Criativas, ele trabalhou em departamentos de marketing de empresas como Amazon, Red Bull e Universal Music. Antes de começar a atuar para a editora independente Bastei Lübbe, ele dirigiu o licenciamento global do primeiro serviço de assinatura de músicas da Alemanha, o Simfy, onde trabalhou em parcerias estratégicas com marcas líderes como Coca-Cola e ISP Telefónica O2. Atualmente, Colin é responsável pelo crescimento das vendas internacionais da Bastei Lübbe e pelo marketing dos aplicativos móveis multilíngues e e-books para novos públicos nos Estados Unidos, Reino Unido, China, América Latina hispanófona e Brasil. Mora em Colônia, na Alemanha, e participa de conferências sobre entretenimento digital em todo o mundo.

Qual será o tema do painel em que o sr. vai participar?
Eu tenho o prazer de participar de um painel intitulado “’Novo’ significa sempre ‘melhor’?”, onde falaremos sobre os prós e contras de novas tecnologias e o rompimento com formatos existentes que elas trazem.
Qual o foco de trabalho da sua empresa, a Bastei Lübbe?
A Bastei Lübbe é uma das maiores editoras comerciais da Alemanha. Eu trabalho em um departamento chamado Bastei Entretenimento, onde nosso foco é o desenvolvimento de produtos inovadores e crescimento internacional. Nosso objetivo é fornecer novas e emocionantes experiências de entretenimento digital para os consumidores.
Qual é a sua função como gerente Internacional de Vendas?
Eu sou responsável pelo desenvolvimento dos negócios internacionais. Meu objetivo é aumentar as vendas digitais em novos mercados estratégicos, como os Estados Unidos, Reino Unido, China, América Latina hispanófona e, claro, Brasil. Recentemente, começamos a contratar times de freelancers e parceiros de todas essas regiões, para nos ajudar a promover nossos aplicativos e e-books, idealmente para novos clientes. Todos esses esforços são coordenados pelo meu time.
Vocês trabalham com livros impressos e digitais. Como está esse mercado, comparando os dois produtos?
A Bastei Lübbe tem uma longa história de publicação de séries de ficção policial. Uma das nossas séries mais bem sucedidas, a de Jerry Cotton, já vendeu mais de um bilhão de cópias impressas. Então sempre fomos muito fortes no setor do livro impresso. Por outro lado, também fomos a primeira editora alemã a ter um forte departamento digital, que possui hoje mais de 20 empregados. Até o final desse ano fiscal, estamos visando 17% ou 18% de participação do digital na receita geral. Uma parte significativa disso são nossos aplicativos para celular, criados pelo nosso time de desenvolvimento.
Que tipo de conteúdo vocês produzem em materiais e produtos digitais. Vocês produzem para o mercado internacional?
Nós criamos aplicativos de celular para iOS, Android, Windows Mobile etc., além de e-books e várias séries de e-books. A serialização sempre foi muito importante para a nossa identidade.
Vocês trabalham com tradutores, editores e escritores de que países?
Como somos uma editora alemã, a maioria dos nossos escritores são daquele país. Historicamente, nossos editores e tradutores sempre foram bem distribuídos e, desde que começamos a focar nos planos de expansão internacional, juntamos um time de mentes criativas do mundo inteiro. Esse ano, veremos obras de escritores nativos de todos os países mencionados acima.
Como são os seus projetos?
Nós trabalhamos em vários projetos estratégicos com parceiros externos, de indústrias como de transporte ou automotiva. A nossa visão é disponibilizar nosso conteúdo para o máximo de gente possível – em qualquer situação.
Como o senhor avalia os avanços dos produtos digitais voltados à educação?
Acredito que produtos digitais oferecem uma experiência de aprendizado completamente diferente. Conceitos de aplicativos móveis especialmente desenvolvidos podem mudar a maneira como aprendemos hoje. Aprender nunca foi tão fácil e divertido.
Sua empresa trabalha também com universidades?
Regularmente, nós damos discursos e aulas em várias universidades na Alemanha, para compartilhar nossa visão e trocar ideias com estudantes. Inclusive, meu primeiro contato com a Bastei Lübbe também foi quando eu ainda era universitário. Rita Bollig, chefe da Bastei Entertainment, fez uma palestra que me deixou muito curioso. Também já trabalhamos com grupos de estudantes em partes do nosso desenvolvimento de conteúdo. Por exemplo, um dos nossos próximos aplicativos vai ter uma trilha sonora que foi criada por um grupo de estudantes de música. Nosso trabalho com universidades definitivamente é algo que queremos intensificar nos próximos anos.
O senhor conhece o mercado editorial brasileiro?
Eu já conversei com muitos editores e pessoas da indústria digital do Brasil, então eu acredito que, até certo ponto, conheço o mercado editorial local. Mas, como essa vai ser a minha primeira viagem ao Brasil, estou animado para conhecer mais, em primeira mão, quando estiver aí.

Entrevista de Octavio Kulesz

Octavio Kulesz é diretor da Teseo, uma das primeiras editoras digitais da Argentina e da América Latina, e será um dos participantes da Contec Brasil - Conferência sobre Educação, Tecnologia, Conteúdo e Mundo Editorial - marcada para os dias 18 de fevereiro, no SESC Vila Mariana, em São Paulo, e 20 de fevereiro na Unilasalle, em Canoas, Rio Grande do Sul. Desta vez o tema será “O futuro da aprendizagem interativa”. As inscrições estão abertas pelo site www.contec-brasil.com. Kulesz elogia a iniciativa de Frankfurt em realizar a Contec Brasil: “A conferência abre um espaço valioso de discussão e profissionalização que toda região latino-americana poderá aproveitar”. Kulesz atua como pesquisador de temas relacionados a e-books, metadados e mídia social em economias emergentes. Em 2011 ele apresentou o relatório “Digital Publishing in Developing Countries” (disponível gratuitamente online) e, desde 2012, é um dos coordenadores do Digital Lab of the International Alliance of Independent Publishers, com sede em Paris. Octavio Kulesz considera a tecnologia um potente instrumento para o desenvolvimento educacional de um país, mas faz uma ressalva: “A tecnologia por si só não agrega nada. Na realidade, o uso inteligente, a seleção e a adaptação de ferramentas ao contexto particular do país é que poderão trazer benefícios para a comunidade”.
O sr. já participou da Contec Brasil. Quais são as inovações das redes sociais?
Nos últimos anos temos assistido à consolidação de redes mais potentes, como facebook e twitter, mas também surgiram novas redes. Eu estou me referindo a uma infinidade de microrredes e comunidades de nichos que são muito dinâmicas. É o caso do livro acadêmico, entre outros, que algum dia terá muita relevância, além do caso do Academia.edu, por exemplo. São comunidades menores e mais focadas nos temas.
Há pesquisas mostrando que alunos que usam mais a Internet ou redes sociais obtêm melhores resultados na escola?
Existem pesquisas que reforçam as duas conclusões. No entanto, geralmente eu penso que os melhores resultados na escola dependem, sobretudo, da interação (digital e analógica) do aluno com seus colegas e professores. Assim, o meio digital oferece um potencial de comunicação enorme, mas deve estar integrado de uma forma inteligente. Não devemos acreditar que a ferramenta por si só pode resolver todos os problemas.
Como entra a figura do professor nesse processo de interação?
O professor deveria possuir um profundo domínio das ferramentas tecnológicas. Os alunos estão muito mais familiarizados com estes instrumentos, graças ao uso intenso de redes sociais, blogs, videogames e programação amadora. Como sabemos, os principais problemas do mundo atual (nas áreas política, financeira ou científica) estão completamente ligados ao mundo digital. Desta forma, qualquer matéria escolar exigirá um professor muito capacitado em novas tecnologias, tanto para explicar como para utilizá-las.
A adesão das editoras aos modelos digitais continua menor do que o esperado ainda hoje?
O impacto do livro digital no mercado editorial latino-americano é, sem dúvida, mais lento do que em outras regiões. Porém, são inúmeras as editoras que já produzem e-books, desenvolvem plataformas, fazem parcerias etc. E os leitores estão mudando muito rapidamente. Podemos ver claramente essa situação na distribuição das vendas de Teseo: as vendas digitais de 2013 foram superiores às vendas de todos os anos anteriores somados. Tenho recebido comentários semelhantes de outros colegas do setor.
O que é necessário para ampliar o acesso ao livro digital?
Facilitar a aquisição de dispositivos de leitura, estimular a formação digital dos editores e autores, melhorar os meios de pagamento eletrônico, adaptar ao mercado livrarias online nacionais e regionais, desenvolver modelos de negócios sustentáveis para as editoras.
Como o senhor avalia a iniciativa de Frankfurt de realizar a Contec Brasil?
Para o mundo do livro e da educação, o tema digital é o mais urgente. Se o ignorarmos, enfrentaremos desafios consideráveis. Se o debatermos a fundo, descobriremos oportunidades gigantescas. A Contec Brasil abre um espaço valioso de discussão e profissionalização que toda região latino-americana poderá aproveitar.

Entrevista de Michael Ross

Por que a Enciclopédia Britannica escolheu investor no mercado educacional brasileiro – apesar da recente queda econômica.
Por Siobhan O’Leary
O governo brasileiro pode ser o maior comprador de livros do mundo. Certamente é o principal cliente dos livros publicados no mercado doméstico – e isso é uma tendência em crescimento em um momento em que a nação emergente reúne esforços para fortalecer a economia e melhorar a qualidade de vida de seus quase 200 milhões de cidadãos. Em 2012, as vendas de livros no Brasil alcançaram um faturamento de cerca de US$ 1,85 bilhões, quase um terço dos quais foram de compras governamentais para material de educação. Para incentivar uma mudança do “brain drain” – i.e., perder brasileiros brilhantes para outros países que estariam oferecendo melhores oportunidades para “brain gain” – o Brasil está investindo seriamente em todos os aspectos da educação, do conteúdo à infraestrutura e todo o resto entre os dois. No final do ano passado, a Câmara dos Deputados aprovou um novo plano educacional que deverá aumentar o gasto público com educação em 10% do PIB até 2020, proporcionalmente o maior orçamento para a educação do mundo. Todo esse investimento parece ter um impacto. Segundo uma pesquisa sobre educação superior do Ministério da Educação (MEC), o número de alunos nas universidades brasileiras e faculdades aumentou 110% nos últimos dez anos, de 3 para 6,5 milhões. É por isso que a Feira do Livro de Frankfurt decidiu dar foco ao Brasil, criando a série de conferências CONTEC Brasil.
Fica subentendido que este é um ambiente fértil para investimento e envolvimento estrangeiros. A educação é, particularmente, um campo promissor. Editoras estrangeiras como Wiley, Thomas Nelson e a espanhola SM já começaram a investir no Brasil há muito tempo – e continuam, apesar da recente queda da economia. Uma empresa que vem aumentando a marca no mercado brasileiro nos últimos anos é a Enciclopédia Britannica. Segundo Michael Ross, o vice-presidente sênior e gerente geral para a educação, a Britannica vê o Brasil como um país muito importante estrategicamente, assim como qualquer empresa operando na região da América latina. “Reconhecemos que investir no mercado brasileiro é essencial para nossa presença na região a longo prazo”, ele diz. “O Brasil é um país grande e sofisticado, que valoriza muito o avanço educacional”.
Apesar da Britannica estar presente no Brasil nos setores impressos e de DVDs há muito tempo, a empresa – que se dedica exclusivamente ao digital desde 2012 – formou uma parceria no final de 2009 com a parceira em distribuição DotLib, para criar uma solução de ensino suplementar. A parceria fez parte de um projeto lançado em 2008 pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nivel Superior (CAPES), uma divisão do MEC, responsável por impulsionar o desenvolvimento professional de professores a nível básico e médio no Brasil.
A CAPES estava procurando e financiando ferramentas e recursos para ajudar a aumentar o conhecimento dos professores e melhorar suas técnicas de ensino. De acordo com Michael, o portal de ensino digital da marca, a Britannica Online School Edition, foi escolhida como modelo para o novo produto. Para produzir algo que fosse de encontro às necessidades dos estudantes brasileiros, a Britannica chamou consultores locais e especialistas em conteúdo, assim como a CAPES, para entender melhor as escolas de ensino básico no Brasil. O resultado foi um novo recurso de referência para turmas do jardim de infância e primário, chamado Britannica Escola Online.
Apesar do enorme envolvimento do governo no ecosistema educacional brasileiro, normalmente a adaptação do conteúdo para o mercado local tem uma abordagem relativamente independente. “Mas no caso da Britannica Escola”, explica Michael Ross, “foi uma cooperação mútua, para trazer o melhor conteúdo digital para o estudante. Independentemente de sua situação financeira”. Mais de 25 milhões de estudantes têm agora acesso ao produto, que é apresentado inteiramente em português e comporta muitos recursos disponíveis na edição escolar em inglês, como artigos de enciclopédia, uma Zona de Aprendizagem para alunos pré-Jardim de Infância, um espaço de trabalho, jogos interativos e recursos multimídia. Além dos recursos editoriais da própria Britannica, ele contém material editorial e de aprendizados (incluindo vídeos) que, segundo Michael, estão correlacionados ao currículo brasileiro.
As dificuldades de entrar no mercado brasileiro: taxas, impostos, infraestrutura.
Apesar dar vantagens óbvias, entrar no mercado brasileiro – mesmo com o apoio do governo – tem seus desafios. Primeiro, não há um sistema centralizado de distribuição de conteúdo educacional digital. Taxas e impostos são altos, especialmente para empresas estrangeiras, que não têm escolha a não ser trabalhar com distribuidores locais para superar barreiras legais e comerciais. Em seguida existe a questão de se assegurar que os estudantes consigam de fato ter acesso a conteúdo de alta qualidade – e ainda existem serios problemas de acesso no Brasil que precisam sem tratados. “Apesar de nao estarmos diretamente envolvidos na construcao de infraestrutura no Brasil”, disse Michael, “estamos colaborando com varios parceiros que providenciam hardware, afim de ajudar a garantir que estudantes brasileiros recebam informacoes segura, util e precisa durante os anos de formacao”. Mas a infraestrutura e as necessidades dos alunos variam muito de regiao para regiao. Criar conteudo que atende todos os estudantes no Brasil ‘e apenas o primeiro passo. “Cada estado e regiao devem abordar a questao da tecnologia na educacao de forma diferente”, disse Michael, complementando que a situacao atual do sistema educacional brasileiro dificulta a igualdade de acesso a conteudo digital. Mas esse ‘e o objetivo final. “Nao importa o que se fa’ca”, ele explica, “e nao importa em que estagio esteja no momento, precisamo considerar a maneira como o hardware, software e treinamento para ensino sao implementados – e abordar os tres com a mesma paixao”.
Conheca Michael Ross
Michael Ross ‘e o vice presidente senior e gerente geral da Britannica Digital Learning. Ele ‘e responsavel pelas vendas e atividades de marketin na America do Norte e EMEA e trabalha junto com os times de desenvolvimento de produtos da Britannica para identificar e agir em novas oportunidades em produtos educacionais de alta qualidade. Antes, ele foi vice-presidente executivo e editor na World Book (uma divisao da Houghton Mifflin), e Time-Life Books. Michael mora com a familia em Highland Park, suburbio de Chicago. Voce pode encontrar Michael Ross na serie de conferencias CONTEC Brasil, onde ele vai dar a palestra principal sobre as ultimas tendencias em educacao, ou entre diretamente em contato: mross@eb.com.

Entrevista de Vibhu Mittal

Vibhu Mittal está entusiasmado com a sua participação na Contec Brasil: “A Feira do Livro de Frankfurt é um evento de alto nível e realizar outras conferências atreladas a ela é muito positivo, pois permite que as pessoas participem de ambos os eventos mais facilmente, agregando assim valor para todos”. Seu tema na Contec será debater com outros especialistas os novos paradigmas para a educação, principalmente o aprendizado social no contexto da sala de aula do ensino fundamental e médio. A Edmodo é uma plataforma on-line que permite que professores e alunos se conectem e colaborem em um ambiente de aprendizado social e seguro. Essa plataforma possui mais de 31 milhões de usuários no mundo inteiro. Ele é autor dos livros Generating Natural Language Descriptions with Integrated Text and Examples (Gerando descrições de linguagens naturais com integração de textos e exemplos), da Editora Lawrence Erlbaum Publishers (EUA) e Assistive Technology and Artificial Intelligence: Applications in Robotics, User Interfaces and Natural Language (Tecnologia de assistência e inteligência artificial: aplicações em robótica, interfaces de usuários e linguagem natural). O chefe de pesquisa da Edmodo vê uma demanda crescente por ferramentas de aprendizado móvel: “É a parte que cresce mais rapidamente da curva de demanda, globalmente. A aprendizagem digital depende muito da motivação por parte do usuário, do acesso a bom conteúdo e habilidade do aplicativo de engajar o usuário. Ter uma comunidade forte para complementar (colegas de turma, amigos ou família) torna o processo mais eficiente”, analisa.

Entrevista de David Sánchez

“Sou um otimista digital”, diz David Sanchez
Por Ivani Cardoso
David Sanchez é engenheiro de telecomunicações com experiência em startups e internacionalização de uma empresa de software espanhola bem sucedida. Ele participará da Contec Brasil no painel Acesso é tudo. Há anos ele esteve no Brasil em um projeto de gestão de redes de telecomunicações junto à IBM, em Campinas. David diz que sua empresa está dando os primeiros passos para começar aqui um novo modelo de negócios e pretende encontrar pessoas interessadas em representar a companhia no País. A leitura da obra “The Cluetrain Manifesto” abriu novas portas em seu trabalho e partiu em uma aventura para criar a 24symbols com mais três amigos. Ele é responsável pelas vendas e relações com editoras, gosta do que faz, conhece gente interessante na indústria editorial e costuma passar noites em claro pensando em novas direções estratégicas para seu negócio. Também é professor associado da universidade Carlos III, de Madrid. Entre seus objetivos está criar algo que pode trazer muito orgulho no futuro e construir relações humanas de verdade nos negócios.
Confira a entrevista na íntegra:
Como surgiu sua vocação para Engenharia na área de Telecomunicações?
Não sou um engenheiro muito profissional, realmente creio que tenho mais mente mais voltada para a área científica. Desde muito pequeno eu me interessava muito pelo que ocorria dentro desses dispositivos que se chamam ordenadores.
A partir de quando começou a se interessar por startups?
Eu vinha acumulando frustrações pela rigidez no trabalho em organizações em que você se sente apenas uma parte do equipamento que você não consegue controlar. Uma startup me permite viver o trabalho de uma forma diferente e gera um envolvimento pessoal muito maior.
Como está essa área atualmente? Está crescendo em todo o mundo?
Certamente. Em lugares onde a crise econômica está atingindo mais duramente há uma consciência coletiva de que o futuro é criar valor para você mesmo montar uma empresa.
Quais são os países mais adiantados na criação de startups?
Eu não conheço o suficiente para responder com autoridade. Sim, eu conheço bem o talento e a critividade no meu país, mas também conheço as dificuldades que os empreendedores encontram. Fala-se muito de promover o empreendedorismo, mas o ecossistema realmente não favorece. Não falo apenas de financiamento, mas esse é certamente o problema fundamental. A nossa história como uma empresa poderia ter sido muito diferente se nós estivéssemos em outro lugar.
Há muita diversidade em startups na área educacional?
Sim, é uma área de uma enorme atividade. Todo mundo está consciente de que a formação educacional vai passar por um giro de 180 graus. Não vai permanecer vestígio de professor de classe magistral e a formação será muito mais participativa.
A tecnologia acaba por afastar as pessoas, tornando os relacionamentos mais distantes?
Não creio. Ela também abre espaços de colaboração antes impensáveis. Segundo um dos meus sócios eu posso dizer que me considero um otimista digital, e gosto muito de estar vivendo um momento em que tudo está mudando.
A Internet e as redes sociais afastam crianças e jovens da leitura?
A tecnologia permite chegar a mais leitores e em formas incrivelmente atrativas que vão muito mais além dos livros digitais que existem atualmente, no entanto é certo que a leitura atual no ambiente digital deve competir com outras formas de entretenimento que existem menos dedicação e menos esforço. Nós, que estamos nesse setor, não devemos ficar presos à nostalgia nem buscar inimigo em casa. A leitura é a grande batalha e que isso passa por fazê-la atraente e competitiva nesse tempo de entretenimento digital.
Como está na Espanha a experiência de unir a tecnologia ao ensino?
Está em seus primeiros passos, mas muito efervescente. Conhecemos algumas experiências muito interessantes neste âmbito, centradas na escola particular, e em nossa empresa, 24symbols, estamos apostando para contribuir com a nossa parte para desenvolver planos e promover a leitura digital. Acho que o curso que começa em 2014 será lançado para tentar e em 2015 para decolar.
Acredita que os professores estão acompanhando a tecnologia na sala de aula?
Eles precisam de algo mais do que a tecnologia. O sucesso dependerá de sua formação e envolvimento para adaptar novas formas de ensinar em suas classes e incentivar e não apenas dirigir, a aprendizagem autônoma de seus alunos.
Como funciona a sua empresa?
Funciona com a lógica de uma startup. Há uma visão muito clara do que desejamos e muito diálogo para propor e compartilhar propostas. Em 24symbols se fala e se discute muito, fazemos e fazemos, mas as abordagens são corrigidas se for preciso. Temos muita agilidade para lançar iniciativas que em outras empresas exigiriam semanas para aprovação e mudança. Acho que ficamos muito cansados de gurus que apenas falam, mas nu8nca fazem nada.
Como é o seu trabalho com as editoras?
É muito interessante. É preciso explicar um novo modelo de negócio e convencê-las de que vale a pena apostar nele. É um trabalho muito estimulante e há pessoas incríveis no setor.
Como está o mercado de e-books em seu país?
Ainda é pequeno, mas está crescendo. Há plataformas de todo tipo (temos na Espanha todas as grandes empresas de e-commece) e temos sido pioneiros a nível mundial em propor modelos de assinaturas, mas as vendas estão crescendo com menos rapidez do que gostaríamos. Mas de novo, volto a dizer, sou muito otimista.
As editoras têm pessoal capacitado nessa área?
Capacitado sim, há bons profissionais no setor, mas é preciso que esses profissionais tenham a consciência de que a natureza do seu trabalkho vai mudar. Esquecer o passado e reciclar-se será inevitável. Também é preciso abrir as empresas a pessoas de outras áreas, principalmente deste mundo da tecnologia.

Entrevista de Jorge Proença

Gamificação, um dos temas da CONTEC Belo Horizonte
Por Ivani Cardoso
A Feira do Livro de Frankfurt realizará a CONTEC Belo Horizonte no dia 18 de novembro, dentro da Bienal do Livro de Minas, das 9h30 às 13h30. Esta será a quinta edição da Conferência sobre Educação, Tecnologia, Conteúdo e Mundo Editorial no Brasil e terá a Gamificação como um dos temas principais. E não por acaso. Como afirma Jorge Proença, um dos palestrantes e cofundador da empresa Kiduca, a tecnologia e os games podem tornar os processos educacionais mais produtivos e mais baratos. Essa tendência é uma realidade e o nosso sistema de educação precisa mudar e ficar mais próximo do mundo em que os alunos estão vivendo. Pesquisa recente da M2 Intelligence mostra que a gamificação movimentou US$ 450 milhões em 2013, e deve chegar aos US$ 5,5 bilhões em 2018. Outra pesquisa, a do Instituto de Engenheiros Elétricos e Eletrônicos, registrou que, até 2020, 85% da nossa rotina será baseada em elementos comuns em games, como pontos, recompensas e medalhas. Na área empresarial, os números também são promissores. Segundo a revista Forbes, 70% das duas mil companhias mais poderosas do mundo terão ao menos um aplicativo gamificado até 2015. Já a consultoria M2 Research diz que, no mesmo ano, as companhias investirão US$ 1,6 bilhão nesse mercado somente nos EUA. Com todos esses números, o painel sobre a Gamificação promete. Nesta edição entrevistamos Jorge Proença que antecipou algumas informações importantes sobre o tema e garante: “Os games ajudam os alunos a aprendem mais e melhor.” Para os interessados em participar da CONTEC Brasil Belo Horizonte as inscrições são gratuitas pelo site www.contec-brasil.com

Como você define a gamificação?
Gamificação é utilizar elementos de “game design” e a mecânica de jogos para resolver problemas e gerar soluções. A gamificação é um novo paradigma para o ensino-aprendizagem ficar mais dinâmico e interativo.

A área de tecnologia não para de crescer. A gamificação tem acompanhado esse crescimento?
Eu poderia dizer que gamificação é um poderoso combustível da tecnologia. A indústria da tecnologia tenta gerar uma demanda (tecnologia disponível e prometida) que pouco é absorvida pela sociedade. A gamificação torna a aplicação da tecnologia mais realista e gera um valor agregado ao seu uso. Por isso a tendência é a gamificação acompanhar o crescimento da tecnologia.

A gamificação está crescendo mais em que áreas do conhecimento?
A gamificação está acontecendo em muitas áreas simultaneamente, mas algumas áreas estão absorvendo e aplicando de uma forma mais intensa. São elas: educação, saúde e trabalho (treinamento de RH).

As grandes empresas mundiais também estão utilizando a gamificação para obter melhores resultados no trabalho?
As grandes empresas e os grandes líderes descobriram que o uso da gamificação torna seus clientes mais fiéis e seus colaboradores mais produtivos. Por isso, grandes corporações estão adotando técnicas de gamificação em alguns processos chave. Defendo que, no futuro, algumas empresas terão um departamento de games e alguns game designers arquitetando ações gamificadas nas empresas.

Há pesquisas mostrando os benefícios do uso da gamificação nas escolas?
Infelizmente, no Brasil temos poucas pesquisas na área de educação como um todo. Já existem algumas pesquisas sobre o uso da tecnologia e o game aparece entre os preferidos dos alunos dos anos iniciais (CETIC).

Como está esse processo no ensino brasileiro? E no Exterior? Em que países essas plataformas são mais utilizadas?
O mercado brasileiro ainda está engatinhando em termos de plataformas gamificadas. Poucas empresas começaram a investir nesta área e a maioria delas são “Startups”.

O termo gamificação muitas vezes é entendido apenas como a introdução de games, pontuação e prêmios. Na área educacional esse pensamento existe?
Infelizmente, na área educacional a gamificação ainda é sinônimo de entretenimento. Muitos tabus a respeito de competição ainda são mantidos. Por isto, trabalhamos para desmistificar a gamificação no ambiente escolar e demonstrar que esta nova “linguagem” pode proporcionar um excelente cenário de ensino-aprendizagem onde todos ganham: aluno, professor, coordenador e dirigente.

O Governo tem iniciativas nessa área nas escolas públicas?
Ainda são muito incipientes as iniciativas governamentais. O MEC recentemente abriu um edital para ODAs (Objetivo Digitais de Aprendizagem) no qual os games estão incluídos.

A linguagem dos games faz com que a chamada Geração Y se interesse mais pela aprendizagem do conteúdo escolar?
As nossas experiências (mais de 3 anos e 15.000 alunos) demonstram claramente que a linguagem dos games motiva o aluno a aprender cada vez mais. A geração Y nasce conectada, precisa de ferramentas interativas e encontra nos games essa experiência.

No Brasil há prêmios específicos para iniciativas nessa área?
Nos últimos meses vários editais estão contemplando games como um segmento importante. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e o Ministério da Cultura têm valorizado e reconhecido o game como uma importante inovação no mundo contemporâneo. (A Kiduca foi contemplada nestes dois que eu citei).

Quais são as maiores dificuldades para que as Startups levem suas plataformas tecnológicas para as escolas brasileiras? Os governos têm facilidade para comprar tecnologia das empresas que criam plataformas educacionais?
A grande dificuldade das Startups é a quebra de paradigma numa área muito tradicional cuja formação ainda não contempla o uso de tecnologia e a linguagem dos games como item fundamental. É necessário levar o conceito e gerar a demanda na academia, nas escolas e no governo.

Quais são as novidades da sua empresa nessa área?
Estamos trazendo várias inovações e uma plataforma completa no processo de ensino-aprendizagem: AVA (Ambiente Virtual de Aprendizagem), Avaliações, Personalização e Tutor Virtual. Além do uso no laboratório também incentivamos o uso nas lições de casa e na sala de aula. Lançamos hardwares (Arcades/Joysticks), aplicativos para tablets e celulares que facilitam a realização de aulas interativas.

Quais são os temas mais utilizados na criação das plataformas educacionais?
As plataformas educacionais estão priorizando o estudo de matemática e português (áreas prioritárias na visão geral dos educadores).

O custo ainda é muito alto?
A tecnologia possibilita o uso em larga escala e com baixo custo. Não tenho dúvida em afirmar que a tecnologia e os games podem tornar os processos educacionais mais produtivos e mais baratos. Enquanto eles forem encarados como complementares serão encarados como gastos extras, enquanto que o correto seria que eles fossem aplicados como investimentos para melhorar o resultado final.

Entrevista de Pablo Arrieta

Professores não devem temer explorar novos territórios
Por Ivani Cardoso
Na CONTEC Belo Horizonte, marcada para o dia 18 de novembro, durante a Bienal do Livro de Minas Gerais, o professor, designer, arquiteto e consultor em tecnologia Pablo Arrieta, da Colômbia, será um dos palestrantes e vai falar sobre os novos territórios digitais que podem ser explorados pelos professores neste momento de muitas mudanças na sala de aula. Seu conselho para os educadores é que eles devem perder o medo de explorar novos territórios no trabalho profissional na escola e na vida pessoal. “Devemos atuar com nossos alunos com a tranquilidade de quem utiliza permanentemente esses dispositivos no cotidiano. Espero que minha participação na CONTEC motive-os para continuar curiosos perante as transformações que estão ocorrendo”. Para ele, educar é abrir as alas das novas gerações sabendo que são elas que vão manter o nosso voo. E completa analisando o futuro: “Devemos continuar como no passado, ensinando da melhor maneira hoje quem vai prosseguir o caminho amanhã, em um mundo que não será o mesmo que conhecemos como professores. O importante é não perdermos a capacidade de nos surpreender e tirar proveito do que aparece, assim como a maneira como contextualizamos nosso trabalho determinará o sucesso de qualquer esforço. E podemos trabalhar em grupo e muito melhor. Pablo Arrieta atua em várias frentes. Arquiteto por formação, pela leitura e por desenhar desde criança, designer por vocação, fotógrafo e amante de música por obsessão, atualmente ele também trabalha como professor e consultor da Apple para questões de Educação e Tecnologia. Desde o início de 1995 Pablo está envolvido em design digital e desenvolvimento na web. Desde 2008 tem participado ativamente na evolução do mundo editorial de fala hispânica. Pablo defende mudanças na lei de direitos autorais e quando o assunto é livro digital não titubeia: Não formamos leitores para o meio impresso ou digital, mas sim seres humanos capazes de ler e entender o conteúdo deles, decidindo como querem fazê-lo de acordo com as inúmeras condições externas”, afirma.

O que é e como funciona o Coletivo Red Para Todos?
É uma iniciativa que surgiu como resposta aos planos do governo colombiano de controlar a Internet. Seguindo a linha de SOPA, PIPA, da Lei Sinde e outras leis reguladoras do uso da Internet como parte de acordos firmados com os Estados Unidos, o governo colombiano implantou uma série de reformas buscando limitar a pirataria de material protegido por direitos do autor, que chegava a por em risco inclusive a liberdade de expressão e a capacidade de inovação em nosso país. Red Para Todos é formada por membros da sociedade interessados em preservar os benefícios que a Internet havia trazido para as nossas vidas. A partir de diferentes setores (desenvolvedores, indústria, escolas, estudantes) e com interesses diversos (software livre, plataformas de comércio, seguridade, direitos humanos etc), seus membros propõem ideias ao governo e as expressam nos fóruns em que participamos. No início foi o tema dos direitos de autor que nos juntou, mas rapidamente as conversações evoluíram para a questão dos direitos humanos e sua relação com o meio digital, com a privacidade e a segurança. É um grupo de organização horizontal onde o importante é entender nossa vida digital como um novo campo para o desenvolvimento da cidadania, além de contar com as possibilidade de participar e permitir as diferenças, pois vemos nelas o motor do progresso. Com muito êxito, o coletivo tem sido protagonista em deter algumas das propostas de lei, ampliando a discussão e permitindo que a sociedade se interesse por esses temas que são novos para muitos colombianos.

Em seu país as bibliotecas e a leitura são muito valorizadas. Como estão os índices de alfabetização e interesse pela leitura?
Foram realizados avanços e podemos destacar o trabalho e o valor das bibliotecas em nossa sociedade, mas ainda há muito por fazer. Além dos números que temos, tão úteis para os políticos e seus informativos de gestão, a Colômbia continua sendo um país onde se lê pouco e se compreende menos ainda. As pesquisas mais recentes sobre compreensão de leitura são alarmantes pois mostram que é difícil para os colombianos entender claramente os textos. De que nos serve ler muito se não conseguimos aproveitar este ato? Por isso digo que ainda há muito por fazer.

Ainda é importante incentivar a leitura dos livros impressos ou os professores devem concentrar esse trabalho no digital?
A discussão entre leitura digital e impressa não deveria ocorrer. É importante que os professores abordem o tema da leitura, sua importância e difusão, reconhecendo os benefícios e os riscos de cada superfície onde ela ocorra. Não formamos leitores para um desses meios e sim seres humanos capazes de ler e entender o conteúdo deles, decidindo como querem fazê-lo de acordo com as inúmeras condições externas. É muito diferente encarar o tema da leitura em um país desenvolvido onde há livrarias e bibliotecas em todas as cidades e fazê-lo em nossos países emergentes onde há dificuldades para que os livros cheguem em todas os municípios. Para uma criança que mora fora de uma cidade, mais importante do que decidir sobre papel ou tela é a possibilidade de fazê-lo. A atitude do professor para a leitura é mais importante que o formato e onde se tem a oportunidade para ler.

Quais são os limites, em sua opinião, para a utilização da Internet e das redes sociais na escola?
Há temas de privacidade e de idade que são importantes no momento em que abordam as redes sociais na infância e na juventude. Enquanto os alunos são eficientes com os dispositivos, muito possivelmente não têm conhecimento dos riscos a que estão expostos, não têm essa clareza. Assim, os professores podem ser guias nessa área, tentando gerar atividades em que a socialização de temas e conteúdos seja interessante. Ao utilizar as redes em sala de aula, deveriam levar a aprendizagem a outros momentos fora da escola e de maneira mais atraente do que as tarefas tradicionais. Se há essa possibilidade de estabelecer a comunicação com os alunos dentro de alguma rede, é possível incentivar atividades extracurriculares que sejam úteis e inspiradoras. Da mesma forma dentro de aula é possível debater sobre o uso das redes na vida dos alunos. Assim da mesma forma em que os meios de comunicação foram introduzidos em nossas classes, agora é hora de abraçar a mudança e conversar com as crianças sobre essas questões que ocupam tanto espaço em seus dias.

Quando começou a ler? Como se interessou pela leitura? Alguém incentivou?
Em casa meus pais nos deram um exemplo de leitura, mas desde que comecei a ler (aos 4 anos de idade), minha mãe se encarregou de converter essa atividade em algo prazeroso. Semanalmente, se nós tivéssemos nos comportado bem, ela nos dava um livro ou história em quadrinhos que mantinha trancados em uma gaveta. Não eram livros novos mas faziam parte de sua coleção quando era pequena e estavam carregados de surpresas. Algumas vezes aparecia uma HQ de Archie, outras um conto de fadas e outras um do Super-homem. Conforme fomos crescendo os prêmios deixaram de ser tão constantes (pois os livros iam terminando) e as HQs começaram a ter um novo desafio pois estavam em Inglês. Assim, acompanhado de um dicionário, passei muitas horas lendo Mad Magazine, Sad Sack e tantos outros, com tanta vontade que nunca precisei aprender Inglês. Com muita dor chegou o dia em que o armário estava vazio, porém nossa biblioteca estava repleta de volumes preciosos (conservo ainda). Acima de tudo, nossa vida na leitura estava assegurada.

Estamos vivendo em um mundo digital em que muitas vezes os alunos sabem mais do que os professores. Como esses professores devem proceder para continuar à frente do processo educacional?
Eu gosto de brincar e dizer que a resposta a esta pergunta é encontrada assistindo ao último filme de James Bond. Em Skyfall o agente secreto enfrenta os mesmos desafios experimentados por muitos professores: pela primeira vez quem dá as armas ao misterioso Q é um garoto imberbe. Logo no início Bond se dá conta de que um necessita do outro. Enquanto o garoto de óculos é um gênio em dispositivos, o agente é único que sabe usá-los na prática. Sabemos que a melhor maneira de lidar com a mudança é reconhecer as limitações de cada um e trabalhar em conjunto para alcançar os melhores resultados possíveis. As crianças precisam de um guia especializado, o professor, mas eles ficam felizes se puderem dar uma mão para acelerar este passeio. Temos de aprender a fazê-lo e torná-lo divertido.

Quais são os maiores desafios na utilização das inovações tecnológicas na sala de aula?
Um dos maiores desafios é acreditar que basta implantar a tecnologia. Em muitas escolas se percebe como obrigam os professores a usar as ferramentas digitais que se tornam requisitos complicados, que nada agregam ao processo educacional. Sempre que possível, o professor deve ficar livre para decidir quando usá-las sem que sejam um limite para as suas competências pedagógicas. Mais do que ferramentas, devemos fazer das inovações tecnológicas instrumentos que estejam disponíveis e ampliem nossas capacidades. Não é porque um assunto é apresentado em uma tela que se tornará mais atraente para os alunos, da mesma maneira que tocar uma música em um sintetizador de última geração não é garantia de conseguir cativar os jovens. Nós devemos ser capazes de utilizar a tecnologia como uma ponte para o conhecimento, não como o fim do percurso.

O sr. acredita que a criação de comunidades de aprendizagem para a formação dos professores é uma boa ideia?
É uma excelente ideia e quanto mais trabalharmos dessa forma interdisciplinar será melhor. O grande desafio é aprender a usar a tecnologia de forma eficaz, e um erro que pode ser cometido é nos concentrarmos em exemplos que ocorrem em nossa área de interesse e nada mais. Isto é, se eu ensino idiomas, só vou me interessar por idiomas ou temas semelhantes. Este momento, já que tudo é digitalizado, é bom para se aprender com outros professores e suas experiências, independentemente da sua área de trabalho. Então, pessoalmente, cada professor pode perceber o que poderá funcionar em sua sala de aula. Na minha vida pessoal como professor universitário venho tentando aprender todo o tempo com outras pessoas, sejam ou não professores, e levar seus exemplos para minha sala de aula. E muitas vezes eu consigo obter bons resultados também. Outro ponto interessante é que esses conhecimentos podem ser internacionais. Na newsletter da CONTEC muitas vezes descubro temas da Europa, EUA e América do Sul que me interessam e me fazem pensar. Da mesma forma, uma rede de professores atraente deve incentivar essa conversa global, porque, apesar de cada país e região ter suas peculiaridades, não existe um modelo único e há um mundo de professores que experimentam e conseguem resultados.

Quais são as principais ferramentas tecnológicas que estão contribuindo para a melhoria da educação?
Colocaria a Internet em primeiro lugar pois é a principal conexão de todos os nossos interesses e esforços. Depois mencionaria a capacidade, cada vez maior, de processamento das máquinas com as quais contamos. Há décadas, quando estava começando a atuar como desenvolvedor digital, só alguns profissionais tinham a possibilidade de contar com máquinas suficientemente poderosas para consumir e criar conteúdo, algo que hoje em dia é uma característica básica. Finalmente, é preciso reconhecer o aparecimento de um mercado cada vez mais maduro e bem equipado. Mesmo que a oferta de materiais que podem ser utilizados por educadores em suas atividades pedagógicas não esteja no nível que se espera e ainda menos em nossos países, é claro que já se conta com grande quantidade de materiais que podem ser utilizados nas atividades pedagógicas. A indústria deve se desenvolver mais ainda, mas é algo que vai ocorrendo diariamente.

Como motivar os professores para a leitura, uma vez que eles são importantes no desenvolvimento do hábito da leitura entre crianças e jovens?
É fundamental que incentivemos a leitura mas não apenas nos textos. Os jovens de hoje estão expostos a toneladas de mensagens que chegam em múltiplas linguagens: impressa, sons, vídeo e outras. Sabemos que o texto e fundamental e seguirá sendo, mas para poder garantir sua correta utilização devemos reforçar o papel de outras formas narrativas e incluí-las nas atividades como HQs e fotografia ou facilitar para que os alunos desenvolvam interesse pela leitura em outros idiomas. No mundo atual, a possibilidade de baixar músicas gratuitamente faz com que muitos garotos compreendam conteúdos em Inglês. Atividades como videogames e a capacidade de fazer programações contribuem com esse interesse. Incentivar essas possibilidades dará ferramentas de compreensão muito interessantes para as novas gerações capazes de conversar hoje com quem queiram graças às redes sociais.

O professor de hoje está preparado para essa geração de nativos digitais?
A estas alturas, deveria estar, é uma questão prioritária em nossa realidade contemporânea. Negar essa condição seria um erro tanto para os professores quanto para os alunos. Devo reconhecer que não gosto do conceito de "nativos digitais" pois me recorda outros tempos e estilos de colonização. No entanto, se querem usar essa analogia é bom lembrar que ao longo da história os nativos têm sido vistos de maneira muito positiva com a chegada de imigrantes ao seu território. Nesse caso, o professor é um imigrante em sua capacidade para abordar a mudança e conseguir conversas interessantes com esses “nativos” e mostrar seu valor. Voltamos ao exemplo de Bond que mencionei antes.

Como os pais devem participar do processo educacional?
Eles devem confiar e colaborar, entendendo que há professores trabalhando pelo melhor resultado de seus filhos, com seu próprio exemplo e atitudes. O comprometimento com a vida diária depende muito do que se pode obter na educação. Os pais devem ser participantes ativos que compartilham e exijem de seus filhos.