CONTEC 2014

São Paulo

18 fevereiro

A Conferência sobre Educação, Tecnologia, Conteúdo e Mundo Editorial realizada nesta terça, 18/02 no Sesc Vila Mariana, em São Paulo, trouxe um rico painel de debates com especialistas internacionais e nacionais. Com visões, trabalhos e projetos diferentes, todos concordaram que a educação digital é uma necessidade e o caminho agora é aprender a lidar com ela.
O tema central O futuro da aprendizagem interativa, da Contec Brasil realizada nesta terça-feira, 18, no Sesc Vila Mariana, em São Paulo, revelou que, na verdade, o importante é encarar a questão no presente, aceitar as mudanças, buscar modelos adequados e aprender a lidar com as inovações. Realizada pela Feira do Livro de Frankfurt em parceria com o Sesc, com patrocínio da Editora Saraiva e da HP e o apoio da Edições SM, a segunda Contec de 2014 está programada para esta quinta, 20, na Unilasalle, em Canoas, no Rio Grande do Sul.
Diferente das edições anteriores de 2013 e 2012, desta vez os editores foram maioria entre os inscritos. Pelo gráfico das inscrições, foram apenas 20% de educadores inscritos para 70% de editores e profissionais da área editorial (administração, marketing, design, comunicação e produção) e 10% da área de tecnologia.
Marifé Boix García, vice-presidente da Feira do Livro de Frankfurt, comentou com entusiasmo os resultados: “Ficamos muito felizes com as inscrições esgotadas, com o interesse demonstrado pelos editores e lamentamos que poucos professores tenham tido a oportunidade de participar. Percebemos que há uma certa preocupação das secretarias da Educação em dispensar os professores para participarem do evento. Pena que poucos aproveitaram para conhecer a opinião dos especialistas e acompanhar os debates de temas tão atuais como aprendizado interativo, as ferramentas que estão revolucionando as formas de ensinar, as dificuldades para garantir e ampliar o acesso a este novo mundo digital, os diversos modelos de aprendizagem, a geração do compartilhamento, os jogos na escola e o acompanhamento dos alunos neste novo tempo. Sabemos, no entanto, que os resultados na escola dependem da interação das crianças com os professores. A tecnologia poder facilitar o aprendizado e ajudar a ganhar maior atenção dos alunos, mas para estar pelo menos na mesma altura é indispensável que os educadores dominem as ferramentas tecnológicas”.

fittosize__230_160_48d53084e84524c4e1b507b456110d9a_saopaulo2-2Danilo Santos Miranda, diretor regional do Sesc, enfatizou a necessidade de utilizar a tecnologia no processo educacional, enfrentando os desafios: “Temos que estar abertos às novas possibilidades trazidas pela tecnologia. Que venha o novo!”. O presidente da Feira do Livro de Frankfurt, Juergen Boos, justificou a realização da Conferência no Brasil “Temos realizado várias ações, temos background nessa área e com a Contec queremos compartilhar as nossas experiências .Estamos muito felizes de estar hoje aqui com vocês”.

SÃO PAULO, BRASIL - 18 de Fevereiro de 2014: CONTEC Brasil (Foto por Daniel Vorley/Getty Images).

No painel (R) Evolução do coonteúdo: as últimas novidades em aprendizado interativo, Michael Ross, vice-presidente senior e gerente geral da Britannica Digital Learning, divisão de educação de Encycloepaedia Britannica, foi taxativo: “Estamos todos preocupados em ensinar e aprender, mas a forma e o meio estão mudando rapidamente. Todos queremos uma cidadania educativa e para isso é preciso estar aberto às mudanças. Os estudantes de hoje são os nativos digitais e todos os que têm mais de 25 anos podem ser considerados imigrantes nesse mundo. As editoras, as escolas, pais e professores precisam se adaptar a essas mudanças. De alguma maneira vamos manter o pé no passado, mas precisamos eliminar a exclusão digital”.
Heather Crossley, editora do selo Ladybird da editora britânica Penguin, explicou que a empresa quer fornecer conteúdos para todas as idades no painel O “novo” sempre quer dizer “melhor“. No coração de tudo o que a gente faz está a vontade de contar histórias. Se a criança não lê, não consegue aproveitar o seu potencial completo, não pode aproveitar o que a vida tem a lhe oferecer. Tanto o livro físico quanto o digital trazem experiências para as crianças”. Udi Chatow, gerente de desenvolvimento de negócios mundiais em educação da HP, expôs a visão da divisão de educação da empresa, um modelo híbrido, que combina as melhores possibilidades do modelo impresso aos aplicativos e outras tecnologias digitais. “Muitas vezes imprimir ainda é a melhor solução. Sabemos que os leitores leem mais rapidamente e a compreensão é melhor através de materiais impressos, preferidos pela maioria dos estudantes”. Colin Lovrinovic, gerente internacional de vendas da editora alemã Bastei Lübbe, disse que ainda estão trabalhando para entender o que os leitores estão procurando hoje:“Pegamos o mesmo livro e fazemos versões em e-books, apps e áudio”. Para Dolores Prades, editora da revista nacional Emília, temos um longo caminho pela frente: “Ainda não há bibliotecas em muitas cidades, mas é positivo que a tecnologia esteja sendo inserida nas escolas públicas”.

CONTEC BrasilA doutora Lucia Dellagnelo, coordenadora da Educação do Tec Project, Brasil, enfatizou que estamos buscando novas soluções para velhos desafios intrínsecos ao processo de aprendizagem. Segundo ela, a internet trouxe muitas transformações e desafios para o setor educacional, mas faz uma ressalva: “Se compararmos com outras instituições, a escola não sofreu tantas mudanças, mas temos que pensar em um novo ecossistema em que pesquisadores, desenvolvedores de tecnologia e professores trabalhem dentro da escola. O acesso rápido à informação e à inovação mudaram, mas o processo de aprendizagem pode ser realizado em qualquer momento e em qualquer lugar”. Ela participou da mesa Tendências na Educação. A sociedade muda rapidamente, e a educação?.
A geração do compartilhamento: aprendizado e mídia social foi o último painel do dia da Contec realizada no Sesc Vila Mariana. Participaram o chefe de pesquisa da Edmodo, Vibhu Mittal, e de Brasiliana Passarelli, da Escola do Futuro da Universidade de São Paulo (USP). Como mediador atuou o jornalista e blogueiro Sergio Pavarini. Brasiliana discorreu sobre a revolução trazida pela internet, "com ambiente multimídia e narrativas não lineares, normais para os nativos digitais mas não para os imigrantes digitais. Quando criamos conteúdo para tablets em escolas, não basta apenas pensar no conteúdo, mas também em uma logística de por quanto tempo os alunos vão acessar o conteúdo e de que forma".
Veja a programação

• Contec-programme Web 486 KB

Canoas

20 fevereiro

CONTEC Brasil

Juergen Boos, presidente, Feira do Livro de Frankfurt, Alemanha, deu as boas-vindas aos participantes: “Hoje temos muita sorte de estar aqui para contribuir com um debate para mostrar como criar o interesse dos jovens pela leitura, que é um compartilhar de ideias, além da fala. É a segunda vez essa semana que realizamos esta Conferência. Primeiro em São Paulo e foi muito empolgante a troca de ideias. Conversem uns com os outros, troquem ideias entre vocês e compartilhem experiências. Bem-vindos!”.

O prof. dr. Paulo Fossatti, reitor da Unilasalle, saudou os educadores presentes e comentou: “Um evento como esse, que promove a educação, sempre terá portas abertas da Unilasalle para que possamos continuar juntos construindo um país e um mundo melhor através de educação de qualidade. Estamos unidos nessa luta!”.

O secretário estadual de Cultura, Luís Antônio de Assis Brasil, ressaltou: “Nosso Estado apresenta um dos melhores índices educacionais do Brasil e está dando grandes passos para que essa educação se articule com a inclusão digital. Novos paradigmas de ensino e de aprendizado são necessários, como a possibilidade de articular o presente e o passado, o presencial e o digital de maneira a não se perder o que há de positivo nesses dois mundos”.
O prefeito de Canoas, Jairo Jorge da Silva, disse que só a educação pode fornecer bússolas e novos mapas para navegar em um porto seguro: “É uma honra receber a Contec Brasil que tem lançado novos olhares sobre a educação, a aprendizagem e a tecnologia. Este encontro será para todos nós como um farol, que com suas luzes nos dá esperança de chegarmos ao nosso destino.”

CANOAS, BRASIL - 20 de Fevereiro de 2014: CONTEC Brasil (Foto por Vinícius Costa/Getty Images)

O impacto do avanço tecnológico no mundo atual deve ser enfrentado com parcerias. Charles Schramam, da KPMG Brasil, graduado em Administração de Empresas/PUC-SP com especialização em Desenvolvimento Econômico Local pela London School of Economics, trouxe experiências inovadoras e comentou: “O mundo, a tecnologia e a sala de aula mudam rapidamente. Hoje o jovem é conectado com o mundo o tempo todo. Temos alunos que convivem com os avanços da cultura digital. E não estamos falando de poder econômico. Não dá para imaginar esse mundo desconectado e acredito que o sistema educacional deve se ocupar desse tipo de tecnologia”.

Novas tecnologias estão revolucionando métodos de ensino e impactando alunos e professores na sala de aula. Para debater o tema foram convidados Jolanta Galecka, especialista em Marketing Online, Young Digital Planet, da Polônia; Sean Kilachand, diretor de Operações, EduSynch, Brasil; Junko Yakota, diretora do Center for Teaching through Children´s Books, dos Estados Unidos, com moderação de Daniel Bittencourt, presidente, Voice over Portuguese, Brasil. Jolanta disse que os professores não devem ter medo de usar a tecnologia: “Dê pequenos passos, assim você terá resultados, se sentirá melhor e poderá tentar coisas maiores”.

CONTEC BrasilAnna Penido, do Inspirare, do Brasil, e o jornalista André Gravatá, coautor de "Volta ao mundo em 13 escolas", também do Brasil, participaram da sessão interativa sobre novas práticas baseadas na autonomia, cooperação e criatividade, com moderação de Maria do Pilar Lacerda, da Fundação SM, Brasil. Anna disse que os jovens querem uma educação que desenvolva a criatividade e a capacidade de inovação para atender às mudanças. “Podemos aprender a todo momento e a tecnologia é parte da vida desses jovens, é um instrumento que deve ajudá-los a se realizar e a ser felizes. A educação não é para ir bem na prova, tem que ser para ir bem na vida”.

Onde termina a diversão e começa o aprendizado? Jorge Proença, cofundador do Kiduca, Brasil; Nick Eliopoulos, editor do "Infinity Ring", Scholastic, USA, Carminha Branco, diretora editorial da Saraiva, Brasil, participaram do painel com moderação do jornalista brasileiro Sergio Pavarini. Carminha Branco alertou que a nossa época impõe o uso da tecnologia: “Se a escola se afasta ou rejeita a exigência que o contexto social e histórico está impondo, amplia a distância da atualidade. Para que a escola continue conversando com crianças, jovens e adultos que precisam estar imersos nesse processo é necessário dialogar com seu tempo, incorporar as ferramentas”.

Udi Chatow, especialista em educação da HP, e Mauricio Ferreira, líder de Marketing Direto e Publishing na HP Indigo, compartilharam sua visão sobre o futuro do aprendizado e a transferência de conteúdo.

Michael Ross, general manager of Education, Encyclopaedia Britannica, USA, Heather Crossley, publisher, Ladybird (Penguin UK), UK, e Colin Lovrinovic, gerente Internacional de Vendas, Bastei Lübbe, Alemanha, falaram sobre os novos formatos de livros e mídias. O prefeito de Canoas, Jairo Jorge da Silva, foi o moderador. Colin destacou que é preciso entender que não é possível pegar um livro, torná-lo digital e entregar. “É preciso desenvolver conteúdos específicos e formatos para as necessidades específicas. Queremos alcançar o maior número possível de pessoas, pessoas com diferentes experiências e necessidades, enfim, dar uma experiência.

As fronteiras digitais nos países da América Latina e outras regiões, as novas ferramentas disponíveis para professores e alunos e os desafios foram os temas do painel em que participaram Octavio Kulesz, publisher, Editorial Teseo, Argentina; David Sánchez, 24symbols, Espanha; e Flavio Aguiar, Widbook, Brasil, com moderação de Jéfferson Assumção, secretário-adjunto da Secretaria de Cultura do Rio Grande do Sul, Brasil. Para Octavio, é importante a diversidade de dispositivos, mas desde que tenham utilidade e conteúdo de qualidade. “Nossa missão como editora é nos atualizarmos, inclusive com coisas que muitos chamam de invasão estrangeira como o conhecimento web e as novas linguagens que muitas empresas trazem. Isso está na base do editor do presente e não do editor do futuro”.

Do ponto de vista educacional, como os professores, pais e pessoas que estão tomando decisão podem saber o que funciona no mundo digital? Junko Yokota, diretora do Center for Teaching through Children's Books, diz que é preciso tomar decisões pensando no que é importante para as crianças. “O mundo digital permite experiências que são impossíveis no impresso. Às vezes, a criança poder apertar um botão e mudar os personagens. Ela pode ser incluída dentro do livro, acrescentar um personagem na história. Um livro impresso muito bom também pode ser muito bom no mundo digital.”