Mercado internacional exige profissionalização

Por Ivani Cardoso

Aumentar o volume de exportações de livros e direitos autorais brasileiros no exterior é a proposta do Brazilian Publishers, projeto criado há dez anos em parceria com a Câmara Brasileira do Livro e com a Apex Brasil. Luiz Alvaro Salles Aguiar de Menezes está à frente do projeto pela Gerência de Relações Internacionais da CBL e recomenda: “Qualquer editora que queira se internacionalizar deve se organizar para estar presente na Feira do Livro de Frankfurt, de preferência todos os anos”.

 

Leia a íntegra da entrevista:

Qual é a sua formação?
Sou graduado em Administração de Empresas com ênfase de Marketing pela ESPM, pós-graduado em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios pela FGV. Comecei a atuar no mercado editorial desde 2003, na Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.

O Brazilian Publishers começou em 2008. Pode falar sobre essa trajetória?
O trabalho desenvolvido para que possamos, passo a passo, atingir esse objetivo tem mudado com o passar dos anos. Isso é fruto da própria dinâmica do mercado editorial brasileiro e internacional, do surgimento de novas tecnologias e melhores práticas de gestão e de um maior reconhecimento do Brasil como produtor de conteúdo cultural de valor internacional. Hoje ampliamos nossa atuação para dar mais valor aos ilustradores, às novas plataformas de distribuição de conteúdo, à presença constante de nossos autores na programação oficial dos principais eventos internacionais e a ações direcionadas para fortalecer a nossa Língua Portuguesa.

Quais os destaques desse trabalho?
Nosso foco de trabalho se fundamenta em três pilares principais: relacionamento internacional, capacitação do mercado editorial brasileiro com foco na exportação e melhor exposição de nossos empresários e de nosso produto editorial no exterior.

Com quantos associados vocês estão?
Temos hoje 58 editoras apoiadas pelo Brazilian Publishers em 10 estados brasileiros, representando os segmentos infantil e juvenil, ficção e não ficção, CTP e religioso. Infelizmente, existe uma concentração de editoras de São Paulo, o que significa que estamos exportando menos diversidade do que o potencial do Brasil nos permite.

Como participar?
Para se tornar uma empresa apoiada basta ter interesse real na internacionalização e ter em mente que não se trata de um trabalho de curto prazo. É importante ter uma pessoa determinada, com foco no processo de internacionalização, que domine o inglês e que consiga aproveitar as oportunidades que o Brazilian Publishers pode proporcionar. Faz parte do trabalho da CBL e da Apex Brasil facilitar todo esse processo através do próprio Brazilian Publishers.

Quais as características que uma empresa deve ter para conseguir chegar ao mercado internacional?
Muitos empresários acreditam que participar do mercado internacional é apenas para as grandes editoras, mas isso é absolutamente falso.  Aproximadamente 50% das editoras participantes do Brazilian Publishers são de pequeno porte e a presença das editoras pequenas, de todos os países, nos eventos internacionais é muito significativa. Mas as duas principais características que qualquer editora precisa ter para se tornar um player internacional são a qualidade editorial e profissionais preparados para atuar internacionalmente.  Todo o restante se aprende, se investiga ou se aprimora. É justamente nessa parte que o Brazilian Publishers atua oferecendo treinamentos, estudos de mercado, estrutura para participar em eventos internacionais, assessoria de imprensa e materiais de comunicação.

De quantas feiras vocês participam?
Desde o início, o Brazilian Publishers participa da Feira do Livro de Bologna, o mais importante evento do mercado editorial infantil e juvenil, da Feira do Livro de Frankfurt, o maior evento do livro no mundo, e da Feira do Livro de Guadalajara, a mais importante feira do setor para os países de língua espanhola. Em 2015, por entendermos a importância do relacionamento pessoal e da presença constante do Brasil nos eventos internacionais, temos aumentado a nossa participação ano após ano. Fecharemos o ano de 2018 com participação direta recorda em oito feiras internacionais.

Que fatores contribuíram para a expansão?
Esse aumento só foi possível devido a uma mudança no nosso modelo de participação, buscando oportunidades de Fellowship para as editoras apoiadas pelo Brazilian Publishers e participação qualificada das mesmas nos Rights Centers de alguns dos eventos. Dessa maneira, conseguimos maior atuação e reconhecimento, sem crescer demais o nosso orçamento ou os investimentos necessários por parte das editoras apoiadas pelo Brazilian Publishers. Com isso, pudemos iniciar nossa participação na FILBO, em Bogotá, no ano passado, retomar a participação do Brasil na London Book Fair e na Feira de Buenos Aires, além de aproveitar oportunidades em Istambul e Sharjah.

E a participação na Bienal de São Paulo?
Podemos citar a internacionalização da própria Bienal do Livro de São Paulo, que em 2018 contou com sua primeira Jornada Profissional com 60 editores do Brasil e de diferentes países da América Latina, Turquia e Emirados Árabes Unidos. Essa presença gerou aproximadamente U$80 mil em negócios, além de ter a honra de receber o Emirado Árabe de Sharjah como convidado de honra.

Tem apoio governamental?
Sim, é importante ressaltar também que esse crescimento, com empresários, ilustradores e autores, não seria viável se não tivéssemos o apoio dos Ministérios da Cultura e das Relações Exteriores. Hoje existe um Grupo de Trabalho para Internacionalização do Livro Brasileiro que busca somar os esforços de governo e da iniciativa privada para fortalecer o mercado editorial brasileiro no exterior.

Como será o projeto para Frankfurt?
No ano de 2015 desenvolvemos um projeto arquitetônico único para nossas participações com estande nas feiras de Bologna, Frankfurt e Guadalajara, em parceria com o escritório Amarelo Arquitetura e com o estúdio de design Via Impressa. Entendemos que um projeto arquitetônico único, desenvolvido especialmente para nossa presença no exterior proporcionaria não apenas mais conforto para nossas editoras e melhor apresentação de nossos livros, mas também uma identidade marcante e de rápida identificação onde quer que estivéssemos. O projeto de arquitetura e comunicação visual inclusive conversa com todo o material gráfico do Brazilian Publishers, desenvolvido ao longo do ano em um trabalho de comunicação integrada em todas as frentes.

Quantos participantes em Frankfurt?
Esse ano estaremos com 27 editoras, de todos os segmentos, em um estande de 176m2 e com expectativa de exportação de U$650 mil dólares no próprio evento ou fruto de negociações iniciadas em Frankfurt. A grande novidade será a presença dos autores Bianca Santana, João Paulo Cuenca e Geovani Martins para participarem de uma programação especial da própria Feira do Livro de Frankfurt, junto com outros autores da América Latina. Essa programação especial é fruto de uma negociação que as Câmaras do Livro do Brasil, Colômbia, Argentina e Uruguai iniciaram com os organizadores da Feira de Frankfurt em 2017.  Aliás, a presença desses autores brasileiros é exemplo dos resultados do trabalho integrado que tem sido feito junto com o Ministério da Cultura e de Relações Exteriores, possibilitando não apenas a viagem dos autores como também programação paralela dos mesmos nas embaixadas, leitorados e livrarias.

O que você acha da Feira do Livro de Frankfurt?
Pessoalmente tenho muito apreço pela Feira do Livro de Frankfurt uma vez que foi nela, em 2010, que iniciei minha carreira internacional no mercado editorial quando ainda trabalhava na Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. Em 2012, quando a então presidente Karine Pansa me convidou para trabalhar na CBL, meu principal projeto era justamente a homenagem ao Brasil em Frankfurt.

Participar de feiras internacionais é importante?
Existe um debate a respeito da diminuição da importância das feiras internacionais do livro devido as facilidades de comunicação e compartilhamento de arquivos dadas as novas tecnologias. Mas a verdade é que, pelo menos até hoje, nada substitui a interação humana e o aprendizado que esses eventos proporcionam; e Frankfurt é o maior de todos eles. Qualquer editora que queira se internacionalizar deve se organizar para estar presente na Feira do Livro de Frankfurt, de preferência todos os anos. Como eu já disse, não é um trabalho de curto prazo.

Quais os maiores desafios para chegar ao mercado internacional? A preparação prévia e o entendimento do mercado que se deseja atingir são sempre os maiores desafios para se chegar ao mercado internacional. A internacionalização não é apenas para as editoras de grande porte, mas com certeza também não é para aqueles que não estiverem profissionalizados e com boas histórias para contar.

O que as editoras devem providenciar?
É preciso destacar profissionais que dominem pelo menos o inglês, selecionar quais compradores tem perfil semelhante ao da sua editora, selecionar quais títulos deseja trabalhar com cada editora internacional em cada evento, como trabalhar cada um deles e desenvolver muitas outras atividades; tudo isso com pelo menos 1 ano de antecedência da feira que se deseja participar.

Como está a aceitação dois nossos livros?
A literatura brasileira tem aceitação fora do Brasil faz bastante tempo, principalmente com nossos clássicos como Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Drummond, e Jorge Amado, para citar alguns nomes. Mas temos também uma nova geração de autores e de ilustradores que estão conquistando espaço cada vez maior internacionalmente. Nossa produção infantil tem conseguido bons resultados impulsionados pela qualidade dos nossos ilustradores e pelo colorido das ilustrações brasileiras.

Quais os países que mais se interessam pela literatura brasileira?
De acordo com os levantamentos que fazemos juntos aos editores do Brazilian Publishers e ao Ministério do Desenvolvimento, os principais destinos para os quais os editores do Brazilian Publishers exportam são América Latina e Estados Unidos, países de Língua Portuguesa e o Japão.

Como foi a participação em Frankfurt em 2017?
Nossa participação em 2017 superou nossas expectativas e conseguimos alcançar um volume de exportações de aproximadamente U$ 680 mil dólares. Parte desse valor se deve também à prospecção de novos mercados que costumamos propor aos nossos editores por meio de reuniões coletivas agendadas por nós com o auxílio dos próprios organizadores da Feira de Frankfurt, os chamados Matchmakings.

Em um mercado em crise, com fechamento de editoras e livrarias, qual a estratégia para trazer mais participantes?
O mercado editorial brasileiro é, tradicionalmente, voltado para dentro, com grande volume de importação de livros estrangeiros. Com a crise que se instalou no Brasil a partir de 2014, os editores puderam perceber que ter sua produção voltada também para outros mercados além do nacional pode ser uma boa alternativa para evitar solavancos maiores.

Qual é a meta atual?
Uma das nossas principais metas é aumentar o número de editoras participantes do Brazilian Publishers e facilitar essa transição para o mercado internacional. Para isso, dado o momento atual de crise, tivemos que renegociar nossos contratos com os fornecedores nacionais e internacionais, flexibilizar nossas mensalidades, criar novos modelos de participação nos eventos internacionais e intensificar nossa comunicação on-line voltada para o público estrangeiro. Não tem sido nada fácil, mas tenho confiança de que essa reinvenção parcial do Brazilian Publishers é para melhor porque nos tornará mais fortes e criativos.

Depois de Frankfurt, qual será o próximo evento? Passada a Feira de Frankfurt, ainda vamos participar da Jornada Profissional da Feira Internacional do Livro de Sharjah e depois da Feira Internacional do Livro de Guadalajara e devemos ter aproximadamente 25 empresários envolvidos nessas duas participações além de 10 autores brasileiros participando do Destinação Brasil, em Guadalajara. O grande novo projeto desse ano foi a criação da Bolsa Tradução para as editoras do Brazilian Publishers, mais uma oportunidade e até mesmo argumento de vendas para facilitar as exportações do conteúdo editorial brasileiro.
http://www.brazilianpublishers.com.br

Global Illustration Award na Feira de Frankfurt
Da Redação

Foram anunciados os finalistas da premiação e os vencedores serão revelados no dia 10 de outubro, no novo Pavilhão, que receberão um total de 26.000 euros. Participaram ilustradores de 43 países.
Leia a matéria na íntegra

Galit Ariel: “Casar digital e o físico é o melhor caminho”
Publishing Perspectives
Porter Anderson
24/09/2018

O artigo traz uma entrevista com a autora de “Augmenting Alice: The Future of Identity, Experience and Reality, Galit Ariel”. O livro foi especialmente bem recebido no mundo do design. “Os editores têm a responsabilidade e a oportunidade de usar a tecnologia para ampliar seu alcance e explorar novas mídias”, diz a autora, que estará na Feira de Frankfurt, mês que vem.
Leia mais em inglês

NY Magazine vai triplicar a cobertura sobre livros
NiemanLab
Laura Hazard Owen
17/09/2018

Por que os livros devem ser separados em uma seção de um site, em uma vertical, quando você pode pensar neles como uma “horizontal” – colocando-os em todos os lugares, enfileirando-os em tudo que você faz? É o que a New York Media decidiu fazer com sua cobertura sobre livros. A expansão começa nesta semana, e também trará mais cobertura de audiobooks, gênero (como YA e horror) e novos lançamentos. Além disso, o grupo já administra um clube de livros mensais, vai publicar mais trechos de livros e perfis de autores e realizará Q&A semanais com autores de importantes livros de não-ficção, entre outras ações.
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PublishNews ahora en español
PublishNews
24/09/2018

Essa semana o PN está pintado de vermelho para anunciar o nascimento do PublishNews em Espanhol, que chega com a ousada missão de cobrir todo o mercado de livros dos países ‘hispanoablantes’. Do Peru à Guiné Equatorial; da Ilha de Páscoa à Ibiza; da Cidade do México à Patagônia; de Madrid a El Aiune. A partir de outubro, editores, livreiros, distribuidores e demais profissionais da indústria editorial do livro de todo o mundo “hispanoablante” terão a sua mão um veículo para chamar de seu.
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Patrick Dewitt viu seu “Sisters Brothers” nas telas
Publishing Perspectives
Olivia Snaije
21/09/2018

O autor canadense Patrick deWitt está em Paris para promover seu novo livro “French Exit”. A visita coincide com o lançamento da adaptação cinematográfica de seu romance,“The Sisters Brothers”. No artigo, o autor fala sobre a experiência de ver seu livro adaptado para as telas: “Gostei da experiência de ver o filme”, ​​disse o autor canadense, “mas apenas em sua segunda exibição. Leva um tempo até a gente se acostumar a ver nosso livro na tela.”
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Isabelle Félix escreve sobre uma HQ em seu Instagram
IGN
Vícor Aliaga
22/09/2018

Isabelle Felix (31) decidiu começar seu ano de 2017 com uma meta bem estabelecida em mente: ela iria ler um quadrinho e escrever sobre o material em seu Instagram todos os dias que se seguissem naquele ano, dando origem ao projeto #365HQs, que já leva quase dois anos ininterruptos. Natural de Salvador, Bahia, Felix conta que tudo começou quando ela percebeu que seu ritmo de leitura não era mais o mesmo que antes ao se mudar para São Paulo, em 2016. “Eu sou o tipo de pessoa que precisa de cobrança. Foi um desafio interno, pessoal meu. Decidi não só ler, quanto postar todos os dias, pois estaria, de alguma forma, produzindo algum tipo de conteúdo”, explica a advogada por formação, que também é especializada em Jornalismo Digital.
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