Com Silvana, um mergulho na literatura e na imaginação

Por Ivani Cardoso

Foto de Diego Rodrigues

Ouvir e contar histórias povoaram a infância da escritora, editora e jornalista Silvana Salerno. Quando começou a ler, um mundo mágico se abriu e a realização veio no momento em que percebeu que amava escrever. Desde pequena ela gostava de escrever e de dançar, e até pensou em ser bailarina. Depois foi fotógrafa amadora e jornalista profissional, sem nunca abandonar a literatura. Quando uma reportagem virou crônica, com chamada de primeira página, veio a certeza do que realmente queria. Desde 1971 Silvana atua no mercado editorial, e atualmente está esperando a publicação da sua tradução e adaptação de O príncipe e o mendigo, que está no prelo. “Uma obra fantástica, que faz uma crítica severa à elite política, à corrupção e ao preconceito, com ironia e bom humor”, ela comenta. Escrever livros infantis, para ela, é manter viva a criança que temos dentro de nós. “É olhar o mundo como se o víssemos pela primeira vez”. Com todo esse entusiasmo e paixão pela escrita, ela falou sobre seu trabalho para o Publishing Perpectives Educação.

Confira a íntegra da entrevista

Sua primeira opção foi o Jornalismo?

Entrei na ECA/USP aos 18 anos; neste ano, me tornei revisora da Editora Abril. Trabalhei em jornais e revistas, mas nunca abandonei o livro; fazia traduções e preparações de texto, redigia orelhas e quartas capas. Aos 26 anos, depois de trabalhar como redatora e subeditora de Política Internacional, mudei de jornal e fui para a reportagem. Na primeira semana, o chefe de redação me deu uma matéria especial e dois dias para escrevê-la. Não saiu uma reportagem, saiu com espírito de crônica. Eu não sabia fazer de outra forma, e pensei que seria demitida. Qual não foi minha surpresa ao ver a matéria publicada no domingo, com chamada na primeira página? Pouco depois, abandonei o jornalismo e me dediquei só à edição de livros. Quando um editor me encomendou um livro de vida prática, eu me realizei. Descobri como amava escrever, como era bom e me fazia bem. Então, passei a criar meus próprios livros.

Quantos livros publicados?
Tenho 21 livros publicados, um no Chile. Vários receberam a distinção Altamente Recomendável da FNLIJ. “Viagem pelo Brasil em 52 histórias” ganhou o prêmio Melhor Reconto (FNLIJ, 2007). Finalista do Jabuti em 2015 com a adaptação de “Os miseráveis”, teve três obras selecionadas para o catálogo da Bologna Children’s Books Fair e três pelo PNBE/MEC.

Qual é a magia de escrever para crianças?
A magia de escrever para crianças é manter viva a criança que temos dentro de nós. É olhar o mundo como se o víssemos pela primeira vez. É ter o encantamento da descoberta e o encanto da surpresa; é mergulhar na imaginação e se entregar com autenticidade.

Quais as principais características de um bom texto?
A meu ver, um bom texto deve ser criativo e bem escrito. O autor precisa conhecer bem a sua língua até para poder brincar com ela e desconstruí-la, se quiser.

Em sua opinião, qual o gênero mais difícil?
O romance.

O que acha da literatura infantil brasileira?
A literatura brasileira para criança é maravilhosa. Somos herdeiros de Monteiro Lobato, que encantou gerações com a sua genialidade criativa. Somos contemporâneos de Ruth Rocha, Lygia Bojunga, Ana Maria Machado, Eva Furnari e tantos outros esplêndidos escritores.

Quais os escritores preferidos na infância e na adolescência?
Na infância, eu me encantei com O sítio do picapau amarelo e toda a obra do Lobato. Meu pai lia muito e tinha uma boa biblioteca. Na adolescência, fui lendo tudo: Erico Verissimo, Dalton Trevisan, Alexandre Dumas, Balzac, Carlos Drummond, Cecília Meireles, Dante…

Está escrevendo um novo livro? Poderia adiantar alguma coisa?
Acabei de entregar um livro para uma editora. Tenho uns três livros em andamento, que preciso retomar. Todos eles surgiram de modo muito especial. O primeiro apareceu num sonho vivo e supercolorido. Anotei o sonho e deixei na gaveta, para que a história continuasse de modo espontâneo. Continuou seis meses depois, quando estava num grupo fazendo meditação. E a história foi baixando durante as meditações. Outras histórias também surgiram assim.

Tem algum novo curso planejado para este ano?
Tenho um curso agendado para março/abril no Centro de Pesquisa e Formação (CPF) do Sesc ­– uma oficina de texto que utiliza a mitologia como inspiração –  e uma oficina para professores da Educação Fundamental sobre Mitologia grega. Tenho um curso de Redação para o Mercado Editorial e pretendo criar outro de Redação a Distância para a Universidade do Livro/Unesp. Já me pediram para escrever um livro com dicas de escrita; um dia, ele vai sair.

Quais são os erros mais comuns da imprensa?
A meu ver são a falta de apuração das fontes e de conhecimento de português, que às vezes causa erros de comunicação. Mas temos ótimos jornalistas que muito bem articulados e verdadeiros mestres da escrita.

Quem são os autores que podem ser apontados como referências no Brasil?
Muitos! Começando por Machado de Assis, Lima Barreto, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Mário de Andrade, Lygia Fagundes Telles, Clarice Lispector, Maria Valéria Rezende… sei que estou esquecendo muitos e importantes, mas fazer lista é sempre difícil.

Como levar crianças e jovens, totalmente digitais, a se interessarem pelo livro impresso?
Apresentando o livro impresso à criança desde pequeninha. As crianças se moldam muito pelo exemplo; os pais que leem costumam ter filhos leitores. E a criança poderá ter as duas formas de leitura, a impressa e a digital. O importante é que ela tenha a experiência de mergulhar na literatura e ser levada para o mundo da imaginação – que é o mundo próprio da criança.

Estímulo à leitura melhora desempenho de estudantes
Tribuna do Planalto
Fabiola Rodrigues
18/02/2017

Mesmo com tantas informações de fácil acesso na internet e televisão, a leitura regular traz resultados positivos e estimula a aprendizagem. Crianças, adolescentes e comunidade de bairros periféricos de Goiânia estão sendo incentivados a criarem o hábito de ler como forma de melhorar o rendimento escolar. A ideia é fazer o estudante tomar gosto pela leitura.
Levando em conta que quanto mais nova criança tomar gosto pela leitura, maior a chance de ela se tornar um adulto com mais capacidade de aprendizagem, a diretora da Escola Municipal Jalles Machado Siqueria, do Jardim Bela Vista, em Goiânia, Nilde Rosatto, diz que todo o ambiente escolar deve valorizar a leitura e estimular o estudante para que ele desenvolva o hábito de ler. Ela lembra aos pais que eles devem incentivar essa cultura também em casa. “As famílias precisam criar o hábito de ler, caso contrário a criança não conseguirá ser influenciada. Vivemos em um País que ainda não tem essa prática. Se os pais não tiverem este costume, não tem como exigir que o filho leia”, lembra a diretora.
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Heróis inspirados em orixás vão virar história em quadrinhos
Nexo Jornal
Matheus Moreira
10/02/2017

Matheus Moreira Hugo Canuto, nascido na Bahia em 1986, é um ilustrador freelancer e artista conceitual, ou seja, desenvolve arte para projetar ideias. Ele ganhou notoriedade em 2016 após seu projeto de homenagem à Jack Kirby e à religião iorubá viralizar na internet e ir parar nos jornais. A premissa? Heróis afro-brasileiros inspirados em orixás. Jack Kirby é o criador, ao lado de Stan Lee, de “Os Vingadores”. O grupo de heróis integra o universo dos quadrinhos (e atualmente do cinema) da Marvel Comics. Entre eles, há guerreiros, deuses e mortais com habilidades especiais que alimentam a imaginação de centenas de crianças e adultos até hoje. A outra fonte de inspiração de Canuto para criar “The Orixás” é a mitologia iorubá, de origem principalmente nigeriana. No Brasil, a religião Iorubá é muito popular na Bahia, onde nasceu o ilustrador. No resto do país, os iorubás, também chamados de nagôs, são os descendentes de escravos trazidos para o Brasil durante o regime escravocrata.
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Escola acaba com a lição de casa e índice de leitura aumenta
Gazeta do Povo
13/02/2017

É possível acabar com a lição de casa? Uma escola norte-americana está provando que sim – e mais: com apoio dos pais e bons efeitos colaterais. Passados cinco meses do início de uma política que aboliu as tarefas de casa na Orchard Elementary, escola primária localizada no distrito de South Burlington, nos Estados Unidos, os pais dos estudantes relatam que os índices de leitura de seus filhos têm melhorado. A medida foi tomada antes do início do ano letivo, quando os professores da instituição decidiram, por unanimidade, extinguir o dever de casa dos alunos do jardim de infância até a quinta série. Ao invés disso, no entanto, os estudantes são incentivados a ler, brincar e “serem crianças”. A proposta recebeu o apoio de cerca de 80% dos pais que responderam à pesquisa realizada pela direção da escola.
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Lançamentos: O que lerão as crianças durante 2017?
La Nueva
04/02/2017

Os livros infantis trouxeram muitas surpresas em 2017, incluindo os que estrearam no gênero, tais como Pedro Mairal, Adrian Paenza que está fazendo sua segunda incursão, além de novidades de Fernando de Vedia, Ana Maria Shua, Adela Bash, Cecilia Flats e o pai de histórias de todas as crianças, Roald Dahl. O matemático e divulgador Paenza lança El que pierde gana, que mostra que as questões lógicas e os desafios matemáticos podem ser uma atividade divertida se forem focados de uma forma divertida e recreativa. Outro lançamento de verão é Eso que Lucas trajo de un sueño, a história de Silvia Schujer-Huadi e sexto livro da saga de Lucas, um dos selos mais emblemáticos da Primera Sudamericana. Em março, Mairal fará seu primeiro mergulho na literatura infantil com El cepillo del rey, “uma história sobre a relação de um pai com sua filha e também uma aposta original estética de Gaby Thiery, que trabalhou com fotografias de objetos”, disse à Télam Maria Amélia Macedo, uma dos responsáveis ​​pela área no grupo editorial.
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BookPartners compra Superpedido
PublishNews
Leonardo Neto
20/02/2017

Enquanto o mercado ainda faz conjecturas sobre uma possível fusão entre Cultura e Saraiva, a BookPartners acaba de fechar um acordo para a compra da Superpedido – Tecmedd. A transação, confirmada pela BookPartners, dá musculatura à distribuidora, que já tem forte entrada no mercado de CTP, em especial com livros de Direito, e passará agora a ter p
“A gente tem uma linha de atuação que não conflita com a da Superpedido, que chega agora para somar, para trazer combustível extra”, comemorou Mauro Azevedo, diretor de operações da BookPartners. A marca Superpedido será incorporada pela holding e será uma empresa irmã das distribuidoras Vertice Books e Empório do Livro, da rede de livrarias Cia. Dos Livros, da editora B4 e da OndBooks, voltada a prover o mercado editorial na impressão de livros sob demanda.
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Serviços de ensino online buscam evolução para manter interesse do aluno
O Estado de S.Paulo
Bruno Capelas
19/02/2017

É difícil pensar algo que não se pode aprender na internet. Quer tocar um instrumento? Técnicas avançadas de crochê? Noções de programação? É possível encontrar aulas em serviços como Udemy, eduK e Coursera, respectivamente. No entanto, apesar da alta oferta de cursos, os serviços de educação online ainda falham em encontrar uma forma capaz de fisgar a multidão de alunos, sem perdê-los para outras distrações da rede. A maior parte desses serviços é conhecida como MOOCs – sigla em inglês para “cursos online, abertos e massivos”. Tratam-se de aulas em vídeo, acompanhadas de um fórum de discussão entre alunos e de listas de exercícios, corrigidos pelos próprios estudantes. “O MOOC resolve um problema grande da educação presencial: a necessidade de um professor para orientar a turma. Sem ele, é fácil ganhar escala”, diz o professor Romero Tori, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).
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8 cursos online para aprender aquilo que a faculdade não ensinou
Exame
Claudia Gasparini
17/02/2017

Uma boa graduação, repleta de leituras e experiências, costuma ser o primeiro passo para uma carreira de sucesso. Ainda assim, a faculdade deixa de ensinar muitas competências exigidas pelo mercado de trabalho.
Como funcionam os mecanismos de uma negociação? Como analisar um problema e encontrar soluções criativas para ele? Qual é o segredo para um trabalho em grupo realmente eficiente? Como aprender melhor e mais rápido? Embora temas dessa natureza raramente apareçam na lousa de uma universidade, não faltam cursos online que abordam esses assuntos em profundidade. Frequentemente gratuitas, as aulas podem ser acompanhadas por qualquer pessoa com acesso à internet e muitas vezes são ministradas por instituições de renome. A lista a seguir, elaborada por EXAME.com, há cursos organizados por universidades de países como Estados Unidos, Holanda, Espanha e Colômbia. Confira 8 cursos recomendados a seguir:
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Argentina vai eliminar tarifas de computadores e tablets
Veja
20/02/2017

A Argentina vai eliminar uma tarifa de 35% sobre as importações de computadores, laptops e tablets. Segundo o Ministério da Produção, a medida faz parte de um esforço maior para baixar os preços ao consumidor e reverter políticas protecionistas. O governo espera que a eliminação da tarifa, que entrará em vigor em abril, pode normalizar o distorcido mercado de eletrônicos de consumo. Os computadores são três vezes mais caros na Argentina do que nos Estados Unidos e 50% mais caros do que no vizinho Chile. A ex-presidente Christina Kirchner instituiu uma série de tarifas e restrições de importação em uma tentativa de impulsionar o emprego de manufatura no país. Isso muitas vezes resultou em preços mais altos, e é comum para os argentinos viajarem a Chile ou Paraguai para comprar bens mais baratos.
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Startups de educação à distância crescem na crise
Inova.Jor
Mariana Lima
14/02/2017

O mercado de educação à distância está em ascensão. Com custos mais baixos e aulas interativas, o modelo tem atraído pessoas que querem se especializar, mas que contam com pouco tempo e dinheiro.
As startups voltadas para educação são vistas como promissoras. Surgida em 2011, a Descola quer preencher lacunas pouco exploradas pelas instituições de ensino tradicionais. “Começamos criando experiências presenciais de temas como gamification, open data e até sobre produção de cerveja artesanal. Depois dos primeiros encontros, percebemos que o mercado tinha um potencial enorme, e então transformamos essas aulas em experiências online”, conta André Tanesi, presidente e cofundador da startup. Atualmente, mais de 16 mil alunos participam dos 32 cursos oferecidos pela plataforma, que agora tem foco totalmente em inovação.
Entre os cursos oferecidos estão o de design thinking, visual thinking, storytelling, internet das coisas e realidade virtual.
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Estante
Título: Chef Brasil: saboreando histórias
Editora Paulus
Autora: Dílvia Ludvichak
Ilustrações: Rubem Filho
Páginas: 40
Preço: 35,00
ISBN: 9788534944267

A aventura da história começa com o incentivo de uma atitude: a coragem de experimentar! A obra proclama que na cozinha de amigos toda comida é bem-vinda e, assim, anuncia o ritmo do chef aventureiro que se chamava Brasil e viajou “meio mundo e meio” contando o que comeu, ouviu e viu.
Com ilustrações primorosas, o livro faz um passeio desde os tempos remotos, antes mesmo do fogo, no tempo das caçadas, passando pelas alterações de ambientes e a criação do forno, micro-ondas e do termo cozinha.

 

 

 

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