A hora e a vez de Marcelo D’Salete

Por Ivani Cardoso

Foto Rafael Roncato

Com o título “Angola Janga”, uma história da resistência à escravidão no Brasil, o quadrinista, ilustrador e professor Marcelo D’Salete conquistou o Prêmio Jabuti na categoria Quadrinhos. Neste ano também venceu o Eisner, considerada uma das maiores premiações internacionais do universo de HQs. Para quem quiser conhecer seus trabalhos, vale conferir a mostra “Marcelo D´Salete – A história negra em quadrinhos”, no Museu Afro Brasil. Em entrevista transcrita de um arquivo de áudio, ele falou sobre sua obra para o Publishing Perspectives Inovação.

Leia a entrevista na íntegra:

Qual é a sua idade e formação?

Tenho 39 anos, minha formação é um curso técnico de Artes Gráficas, graduação em Literatura em Artes Plásticas e Mestrado em História da Arte. Sou professor de Artes visuais.

 “Angola Janga”, uma HQ sobre escravidão no Brasil venceu o Jabuti. Como surgiu a ideia?

A ideia surgiu há bastante tempo, desde 20004, quando comecei a fazer a primeira versão do roteiro do livro. Surgiu a partir da minha surpresa e do meu encantamento ao ler sobre a história de Palmares, no Brasil século

XVII, na antiga capitania de Pernambuco. Achei que seria interessante contar essa história tão rica no formato de quadrinhos. Não é a primeira em quadrinhos sobre Palmares, existem pelo menos duas outras publicações, sendo a primeira a do Clóvis Moura, com cerca de 40 páginas. Tentei transformar boa parte do que conhecemos conhece sobre Palmares nessa narrativa maior de 400 páginas.

Qual é o diferencial dessa história?

Além de versões nesse formato de HQs, há versões no cinema e na literatura com títulos mais antigos. Considerei importante atualizar as informações e fazer uma obra mais extensa, uma leitura mais dinâmica que apresenta novas formas para mostrar ambiente e os personagens, a partir de uma perspectiva de dentro de Palmares. Outros os escritores já apresentaram, mas trazendo elementos de influências de outros povos como Angola e Congo, e outras línguas. Naquele período do século XVII do Brasil, das pessoas que constituíam Palmares, mais de 70% eram africanos escravizados que foram trazidos para cá.

Como chegou ao desenho da história?

Foi uma construção bem difícil, além do argumento e do roteiro da história. Recorri a alguns artistas de época como Frans Post e Albert Eckhout, artistas holandeses que foram para Recife e Olinda naquela época registrar aquele local. Estive em Olinda e no Memorial de Palmares para conhecer a paisagem, e estudei bastante esses traços de origem de Angola, o que eles praticavam e acreditavam.

E quando se descobriu quadrinista?

Meu interesse por quadrinhos vem de muito cedo, eu aprendi a ler com histórias em quadrinhos. Quando tinha por volta de 16, 17 anos, escolhi que eu queria trabalhar com HQs, mesmo que tivesse que atuar em outras áreas para me sustentar. Tenho uma paixão muito grande pelo formato e fico feliz que esse tipo de obra tenha tido esse tipo de aceitação.

Onde busca inspiração?

Inspiração vem de várias áreas, observação do dia a dia, leitura de jornal, conversas com colegas, literatura, filmes, música.

Sua ligação com livros começou quando pequeno?

Sim, aos 4, 5 anos, primeiro com quadrinhos. Com a literatura foi um pouco depois, já na adolescência. Tudo isso acabou trazendo influência para meu trabalho.

Quais eram suas HQs favoritas?

Os trabalhos que mais me influenciaram na adolescência relacionados ao com esse tipo de obra que faço hoje são da Laerte, Miguelanxo Prado, Lourenço Mutarelli, Peter Cooper, Marcelo Quintanilha e André Toral, entre outros. Além desses, também alguns artistas africanos como es citados tem no cinema alguns africanos como Ousmane Sembene e Mahamat Saleh Aroun, Michael Haneke, Takeshi Kitano, Sérgio Bianchi, Claudio de Assis. Na literatura Plinio Marcos e Toni Morrison.

A premiação no Exterior trouxe mais visibilidade para o seu trabalho.

Trouxe visibilidade grande para ao meu trabalho, e já foram publicados livros meus na Itália, França, Estados Unidos, Portugal e Angola e em breve também na Polônia e na Áustria. São obras que têm tido uma visibilidade internacional muito boa.

Já está envolvido em um novo projeto?

Pesquisando alguns assuntos de interesse para finalizar roteiro e esboços para quadrinizar, mas são trabalhos mais demorados.

O que acha do mercado de Quadrinhos no Brasil?

Está crescendo bastante, temos uma grande variedade de artistas e de temas, penso que cada vez mais temos artistas interessados em contar histórias nossas interessantes e relevantes. Creio que ainda precisamos de mais publicações em formato de livros, e que apareçam nas livrarias. Grande parte dessas publicações é autoral e fica restrita apenas ao público mais interessado, mas muitos títulos merecem chegar nas livrarias.

Temas como violência urbana, discriminação e os problemas enfrentados pelos jovens negros estão no seu trabalho. O que é autobiográfico?

Esses temas sobre questões mais contemporâneas estão nos dois primeiros livros e tratam de grandes cidades, têm um olhar sobre essas cidades a partir da periferia, da juventude negra e seus conflitos. Algumas coisas são autobiográficas e outras não, mas ouvi de pessoas, ou vi em notícias.

Crescimento contínuo de grandes editoras em formato digital e entrada de novos agentes
The Bookseller
16/11/2018

As vendas de audiolivros continuam a disparar, com algumas das maiores editoras confirmando que ainda estão experimentando um crescimento expressivo, ano após ano. O editor da Penguin Random House UK Audio, Richard Lennon, disse que 2018 foi “um ano fenomenal para a publicação de áudio” da empresa, com “o renascimento da palavra falada ganhando ainda mais ímpeto”. Ele acrescentou: “Os podcasts e os audiolivros estão atingindo um público cada vez maior e estamos particularmente empolgados em ver o alcance de pessoas que a impressão e a publicação de livros eletrônicos tradicionalmente não conseguem.”
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Participação brasileira na Feira do Livro de Sharjah 2018 gera US$ 136 mil em negócios
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14/11/2018

A Feira Internacional do Livro de Sharjah ocorreu de 31 de outubro até 10 de novembro e contou com a presença de oito editoras brasileiras, que participaram do evento com o apoio do Brazilian Publishers – projeto de internacionalização de conteúdo editorial brasileiro realizado por meio de uma parceria entre a Câmara Brasileira do Livro (CBL) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). As reuniões de matchmaking realizadas durante a feira geraram US$ 136 mil em expectativas de negócios para os próximos 12 meses. A editora de Relações Internacionais da Emirates Publishers Association (EPA), Rawan Dabbas, afirma que o potencial de negócios da literatura brasileira é enorme.
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Revolta após sentença de 10 anos de prisão de escritor chinês por romance erótico gay
The Telegraph UK
Sophia Yan
19/11/2018

Uma autora erótica popular na China recebeu uma sentença de mais de uma década na prisão por um romance que continha cenas de sexo gay, provocando um alvoroço pela severidade da punição. Escrito sob o pseudônimo Tianyi, o livro Gongzhan conta a história de um caso entre um professor e um aluno e vendeu 7 mil cópias on-line no ano passado. Autoridades locais disseram que o livro descreve atos sexuais obscenos e pervertidos entre homens, e que a autora, cujo sobrenome é Liu, obteve lucros “ilegais” totalizando 150 mil yuans (16.830 libras), segundo a mídia estatal.
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15 itens imperdíveis da Exposição Quadrinhos
Omelete
Fábio de Souza Gomes
14/11/2018

Está em cartaz no MIS, em São Paulo, a exposição Quadrinhos, que mostra uma retrospectiva da nona arte através de revistas, artes originais e itens raros dos diversos gêneros das histórias em quadrinhos – super-heróis, infantis, terror, aventura, romance, mangá, faroeste, erótico e muitos outros – em ambientes temáticos e imersivos que ocupam os dois andares do Museu. São cerca de 600 itens e a curadoria levou 18 meses em pesquisas em diversos acervos, criando uma exposição imperdível para fãs de quadrinhos. Existem alguns itens históricos que merecem destaque e, por isso, selecionamos 15 para o espectador ficar de olho quando visitar o MIS:
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Periferia das cidades concentra 87% das bibliotecas comunitárias
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16/11/2018

A pesquisa Bibliotecas Comunitárias no Brasil: Impacto na formação de leitores mostrou que 86,7% dessas bibliotecas estão localizadas em zonas periféricas de áreas urbanas em regiões de elevados índices de pobreza, violência e exclusão de serviços públicos. Do restante, 12,6 % delas estão em zonas rurais e apenas 7% em área ribeirinha. “Descobrimos que essas bibliotecas estão, em sua maioria, em regiões periféricas. Mas uma grande característica é que essas bibliotecas estão onde o poder público não chega. Elas surgem por essa vontade da comunidade em ter esses espaços, que muitas vezes são os únicos espaços culturais nos territórios”, disse Luís Gustavo dos Santos, mediador de leitura e um dos pesquisadores.
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Facebook oferece 4,5 milhões de libras para financiar 80 empregos em jornais locais no Reino Unido
The Guardian
Jim Waterson
19/11/2018

O Facebook doará 4,5 milhões de libras para financiar 80 empregos nos jornais locais nos próximos dois anos, enquanto a empresa enfrenta novas questões sobre sua relação com a mídia e o impacto de longo prazo no negócio de notícias. A empresa de redes sociais disponibilizará o dinheiro para subsidiar o custo de jornalistas em treinamento, baseados em redações em toda a Grã-Bretanha, com o objetivo de fomentar “reportagens em cidades que perderam seu jornal local”.
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