Conheça o universo do ilustrador Rafa Antón

Por Ivani Cardoso

Rafael Antón (ou Rafa Antón, como é conhecido) nasceu na Espanha, mas uma paixão mudou seu caminho de vida e ele veio para o Brasil. Ilustrador autodidata, também escreve livros infantis e pinta, além de trabalhar para produtoras de cinema e animação desenhando personagens, storyboards e cenários, outra de suas paixões. Recentemente escreveu e ilustrou A incrível história do homem que não sonhava, publicada pela editora do SESI SP. Agora está envolvido em uma parceria bem diferente, com desenhos ligados ao universo onírico.

Leia a integra da entrevista

Como foi essa mudança da Espanha para São Paulo?
Nasci em Vigo, uma cidade porto de mar no sul da Galícia, na Espanha. Estudei Design de interiores em Santiago de Compostela, e fiz graduação em Madri. No começo, meu intuito era entrar na escola de artes em Santiago, mas só tinha vaga para design de interiores. Eu queria aprender artes e trabalhar ao mesmo tempo. Os planos mudaram quando eu me apaixonei por uma moça de São Paulo, que conheci em Munique, onde morei por 13 anos. Tivemos um filho e ela quis voltar para o Brasil. Como eu já era apaixonado pela cultura brasileira, topei na hora.

Como se tornou ilustrador?
Eu me tornei ilustrador em Munique, onde trabalhava em um estúdio de um arquiteto, desenhando móveis e os interiores. Alguém gostou dos meus estudos e me animou a buscar outras alternativas no desenho e na ilustração. Construí um portfolio com ilustrações e levei para uma agente, comecei fazendo storyboards para agências de publicidade e produtoras.

E a literatura infantil?
Quando levava meu filho para passear e chovia ou nevava, nós entrávamos em uma biblioteca ao lado do parque perto de casa, e comecei a observar mais e me apaixonei pela literatura infantil. Até então, as minhas referências eram livros com desenhos tradicionais, nada que me chamasse a atenção, mas particularmente gostava e conhecia mais o mundo dos quadrinhos. Na biblioteca conheci os principais autores e ilustradores contemporâneos, o universo literário infantil se abriu com um monte de possibilidades artísticas. Tentei entrar nesse mundo, mas foi só aqui no Brasil que me ofereceram a primeira oportunidade pela Cia das Letrinhas.

De onde vem a sua inspiração?
Eu sempre fui um estudioso das artes, quase sempre autodidata, a minha inspiração vem do meu conhecimento, de outros artistas, e não só pintores, também escultores, arquitetos, fotógrafos, diretores de cinema, quadrinistas, escritores.  Vem, ainda, da natureza, das grandes metrópoles, tudo misturado. Posso dizer que a minha inspiração nasce das minhas vivências, da vida, enfim tudo o que me rodeia pode ser motivo de inspiração.

E como é o processo criativo?
É mais introspectivo, pesquiso sobre os fatos ou elementos da obra literária, mas procuro que o máximo possível saia da minha imaginação. Então, eu rascunho em cadernos, jornais, guardanapos ou qualquer pedaço de papel em qualquer lugar, a história me acompanha o tempo inteiro, por isso procuro ter lápis e papel por perto.

Como está sua produção?
Entre livros infantis e juvenis devo ter mais ou menos 20 ilustrados, e alguns mais adultos. Ilustrei muitas capas e artigos de jornal, muitas para o jornal literário Cândido, da Biblioteca do Paraná.

Qual o segredo de ilustrar para crianças?
O universo infantil é muito rico, você pode soltar a imaginação à vontade. É importante sempre tentar se colocar no lugar dos pequenos, entrar na fantasia deles. Gosto quando consigo em uma ilustração contar uma outra história paralela, que apareça só nas imagens. Mas eu sinto que ainda me falta algo mais forte, que me represente, uma arte mais provocadora. Quero mostrar um lado obscuro, mais instigante, o universo onírico do subconsciente, algo mais abstrato ou surrealista.

Como está o mercado brasileiro para ilustradores?
O Brasil mudou bastante, mais ainda mostra uma ilustração mais tradicional, os editores não querem se arriscar muito, às vezes preferem o mais seguro, não gostam de muita inovação. Basta ver, por exemplo, que geralmente os prêmios vão para as mesmas pessoas. Acho que na Europa apostam em coisas novas, o universo criativo tem menos fronteiras, há muito livro/imagem e os adultos consomem mais livros ilustrados. Mas eu estou sentindo uma mudança no Brasil.

Você quer trabalhar em outras áreas?
Atualmente estou tentando abrir mais o leque, trabalhar em outros campos, é muito difícil viver da ilustração literária, cada vez mais castigada com as novas politicas conservadoras. Recentemente eu me apresentei a dois editais de animação, essa área é uma das minhas paixões. Há pouco tempo estreou um longa-metragem de animação em que trabalhei, fiz o storyboard, cenários e personagens. Ainda estou pintando e dando oficinas, entre outras coisas, e há um livro juvenil prestes a ser publicado pela Trioleca, uma nova editora.

Qual é o seu sonho profissional?
Como ilustrador é poder produzir as minhas próprias coisas e ter parcerias com os autores nacionais e internacionais que admiro. Quero mostrar meu universo adulto, talvez tentando nos quadrinhos, mesmo que eu goste de imagens grandes que contem histórias por si próprias, às vezes do subconsciente. Agora, por exemplo, estou começando uma parceria com uma psicanalista em um projeto muito ambicioso, ainda um sonho. Quero pintar grande e poder expor a minha obra.

Como usa a tecnologia?
A tecnologia cada vez tem mais lugar no meu trabalho, mesmo que eu continue trabalhando no papel. O que mais gosto é utilizar a tecnologia para completar desenhos, limpar ou acentuar alguma cor, é uma ferramenta a mais. Nas capas, por exemplo, dá para explorar mais graficamente ou misturar texturas com acabamentos diferentes, mas basicamente tudo sai do papel.

Prefere livros impressos ou digitais?
Prefiro os livros impressos, sempre. Sei que a tendência é o mundo digital e que a obra impressa vai ser cada vez mais rara, também por motivos ecológicos, mas esteticamente não troco a textura e o cheiro da tinta no papel por nada.

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