Onde está o grande prazer da leitura?

Por Ivani Cardoso

Quem responde a pergunta do título é Mariana Eguaras, que há 20 anos atua no setor editorial: “Na possibilidade de ouvir outras vozes, de descobrir outros mundos e outros tempos, de conhecer mais formas de pensar, de se distrair. As possibilidades são muito amplas de acordo com os interesses e necessidades de cada leitor”. Mariana lançou recentemente na Espanha o livro Publicar con calidad editorial – Cuatro pilares de la producción de un libro.

 

Confira a íntegra da entrevista:

Há quanto tempo e como começou seu trabalho com o mercado editorial?
Comecei em 1998 em uma revista de Turismo, já desaparecida, em Buenos Aires. Sou formada em Comunicação Social e Jornalismo na Argentina. Em 2003 assumi a coordenação do setor de publicações de um banco latino-americano. Fiz Mostrado em Edição e Edição Digital na Espanha. Entre um trabalho e outro, sempre estive próxima ao mundo da edição. Graças à experiência adquirida durante esses anos, atualmente eu me dedico à consultoria editorial e colaboro com autores, empresas e instituições. MInha empresa disponibiliza diferentes publicações sobre temas de edição. Meu próximo livro será uma compilação de artigos revisados e já publicados no meu blog, sobre publicação digital.
(para saber mais Página web: Mariana Eguaras – Consultoría editorial)

Como a Internet transformou o mercado editorial?
Transformou radicalmente em vários aspectos. Do ponto de vista da produção, agora os profissionais envolvidos na “cozinha” de um livro não precisam estar fisicamente no mesmo lugar. A Internet permite que o editor, os revisores, o ilustador, o designer, o publicitário e até mesmo a imprensa estejam em diferentes locais físicos. Você pode realizar reuniões como se estivesse no mesmo lugar. Para tudo existem alternativas. E digo isso pela experiência adquirida desde que trabalhei para empresas e instituições em outros países com essa metodologia. A Internet desterritorializa o lugar do trabalho editorial.

E o processo editorial?
Os processos de produção do livro, que foram previamente feitos manualmente, como a composição, agora são feitos com programas de autopublicação. Ou seja, a tecnologia possibilitou a otimização do tempo e dos recursos; então, a Internet também facilita a circulação de arquivos de produção entre profissionais de publicações, com a imprensa, etc. E ainda temos a informação, os metadados dos livros, os relatórios de vendas, etc. Além disso, a Internet é o meio natural de distribuição das versões eletrônicas de um livro, é a rede onde os ebooks viajam melhor e mais rápido. E algo muito importante: hoje a Internet é a ágora da nossa sociedade, o lugar onde discutimos, comentamos, pensamos, etc. Quem, dentro do setor editorial, não se esforça para entender como funciona esta praça pública – e os outros quadrados diferentes que ela contém – está destinado ao declínio

Quais os quatro pilares para publicar com qualidade, tema de seu livro?
Os quatro pilares aos quais eu menciono na publicação com qualidade editorial são a edição de conteúdo, as correções, o design editorial e a composição ou layout. Os dois primeiros pilares podem ser agrupados na fase de edição, entendidos em um sentido geral, e os dois restantes na fase de projeto. No livro, pretendi revalorizar o trabalho editorial, explico como um livro é feito da melhor maneira possível. Coloquei várias questões que devem ser feitas por um editor e um ilustrador para que os revisores e o designer de layout os executem. Eu faço isso mais do que qualquer coisa sobre o que eu chamo de livros complexos (enciclopédias, colecionáveis, livros ilustrados, livros práticos, viagens, etc.) em vez de livros simples, com apenas texto, por exemplo, de narrativa literária. Os quatro pilares que desejo sempre presentes em um livro são aqueles que definem um bom catálogo editorial, além do tema. No meu livro tento fazer uma comparação entre a situação ideal e a realidade, porque não devemos esquecer que muitas vezes um editor não pode realizar o que gostaria, e que o mercado editorial atual é o que é.

O coordenador editorial também é fundamental no livro digital?
Depende da complexidade do livro digital, bem como do livro impresso. Produzir um romance – em que há apenas um autor, o conteúdo é apenas texto, etc. – é muito diferente de produzir uma antologia de artigos sobre neurociências, em que além do texto há vários autores e vários elementos gráficos, etc. O formato digital é apenas uma das muitas maneiras pelas quais você pode apresentar um conteúdo, um trabalho. As fases de produção de um livro são indistintas a partir do formato de saída desse trabalho. Um texto corrigido e editado pode ser visto tanto em um livro impresso quanto em um digital, da mesma forma que um livro bem desenhado e formatado. Independentemente do formato, um coordenador editorial é vital para a produção de livros complexos.

Entre as novas tecnologias, quais as que mais afetaram o mercado editorial?
Internet, sem dúvida. Por exemplo, pela possibilidade de compartilhar conteúdos. Há blogs com conteúdos mais interessantes que muitos livros. Hoje não é necessário comprar um livro para saber como fazer algo, basta somente pesquisar no Youtube. Hoje também caíram as fronteiras: podemos saber o que é publicar em qualquer lugar do mundo, apenas olhando para os sites de editoras estrangeiras.

Como definiria um bom livro?
Para mim, um bom livro, além dos temas, é aquele que mostra que há trabalho por trás disso. Um livro que mostre o trabalho de edição e design, que mostre que profissionais trabalharam nele. Por exemplo, se é um romance localizado na Península Ibérica na Idade Média, que não se mencionem as Índias (que ainda não tinham sido descobertas ou reconhecidas com esse nome). Se é um livro sobre como aprender a tecer, que as indicações sejam claras e acompanhadas por imagens, um glossário, etc.

Como vê o fato de os nativos digitais estarem muito mais ligados à Internet e às redes sociais do que aos livros impressos? O hábito de leitura vai terminar?
Nós lemos mais do que antes, então a leitura não vai acabar. Sim, lemos de forma diferente e em outros suportes além do papel. A sociedade mudou e continuará a mudar, a um ritmo mais rápido do que estamos acostumados. O mundo da publicação também deve mudar, pelo menos adaptar-se às mudanças. Muitos jovens continuam a ler em papel ou digitalmente; eles também leem nas redes sociais de leitura, em plataforma como o Goodreads. Não importa como, o que importa é que eles leem.

Acredita que os editores estão muito centrados em suas zonas de conforto e se afastam das novas das novas estratégias digitais?
Qualquer mudança significa deixar a zona de conforto e enfrentar um novo panorama, às vezes até desconhecido. O setor de publicação está relutante em mudar porque a publicação de livros tem sido um negócio, com suas vantagens e desvantagens, que sempre funcionou de uma certa maneira. Foi assim enquanto a edição (também de jornais e revistas) era exclusiva da mídia editorial. Isso com a Internet acabou e, portanto, o negócio também mudou. Lembre-se que publicar e vender livros é e será sempre um negócio como qualquer outro. Se a sociedade mudar, também o negócio do livro mudará.

Que conselhos você dá aos editores tradicionais?
As editoras tradicionais perderam o monopólio da publicação de livros. Hoje, qualquer autor pode publicar um livro com a mesma qualidade que um editor (e, em alguns casos, ainda melhor) contratando profissionais da edição ou fazendo alguns serviços por conta própria que aprendeu (layout, promoção, etc.). E tem a Internet para distribuir e vender o livro digital, com plataformas de impressão sob demanda para distribuir e vender o livro impresso, e com seu próprio site e correio postal para o mesmo. O editor de hoje deve assimilar essa realidade e ver que as novas tecnologias e, acima de tudo, a Internet, fazem parte de nossas vidas – de nossas vidas como editores, como leitores, como consumidores. Portanto, o editor precisa enxergar as novas tecnologias como uma nova ferramenta, uma fonte de recursos, não um meio contrário aos seus interesses. O editor deve incorporar essas novas tecnologias em sua estratégia editorial. Caso contrário, em poucos anos seu catálogo será invisível, e hoje ser invisível é igual a não existir.

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