Telos, uma nova editora em tempos de crise

Por Ivani Cardoso

Depois de trabalhar durante 38 anos na Cortez Editora, Antonio Erivan Gomes, 51 anos, resolveu deixar o cargo de editor comercial e abrir a Telos, há seis meses. A crise no mercado editorial não desestimulou o editor, pelo contrário. Por enquanto está publicando apenas livros infantis, mas está tão otimista que já fala em futuramente lançar obras na área acadêmica, com projetos voltados para Educação e Ciências Humanas.

Leia a entrevista na íntegra:

Quantos títulos foram lançados até agora?

Foram cinco títulos sendo três traduzidos da Alemanha e dois da Colômbia. Ainda em novembro vou publicar mais três títulos de uma editora americana. Um deles é “Agora chega”, que trata de uma forma muito sensível daquele momento em que se precisa de um tempo. É sobre uma criança que tem um irmão que o chama o tempo todo para brincar. Outro livro interessante é “Minhas rodinhas”, de uma editora francesa, sobre

uma criança que sai para passear com uma bicicleta que ainda tem rodinhas. Ele encontra um amigo, imaginário ou não, que o ajuda a voltar para casa confiante e sem as rodinhas. São títulos para a faixa entre 3 e 6 anos de idade.

Você só publica obras infantis traduzidas?

Nesse momento sim, porque a minha estrutura é muito enxuta. Procuro tradutores que confio e conheço bem. É importante ter muito cuidado com esse item que é fundamental, principalmente quando o público é a criança pequena. Tradução bem-feita faz toda a diferença para a compreensão e o sucesso do livro.

Que tipo de temas interessam para a Telos?

Temas abordados com leveza e bom humor. Há, por exemplo, um título traduzido da Nova Zelândia que é bem interessante e inovador. “Preciso de um novo bumbum” mostra um menino que descobre que o seu bumbum está rachado e isso gera muitas dúvidas. Ele começa a imaginar se rasgou o bumbum quando estava descendo no escorregador, ou andando na bicileta ou quando saltou. E vai imaginando como seria seu novo bumbum de uma forma cômica, que os pequenos adoram.

Você se afastou em definitivo da Cortez?

Eu trabalhava desde os 14 anos com o meu tio José Xavier Cortez e a saída foi bem tranquila. Continuo trabalhando para eles na venda de autores brasileiros para o mercado internacional. É um processo demorado às vezes, mas em outras os frutos vêm rápidos. O livro “Descobrindo a Arqueologia” nós conseguimos publicar na China, um mercado potencialmente muito grande. Recentemente publicamos dois livros na Espanha, “O livro que lê a gente” e “Brisa”. Durante esse ano conseguimos publicar três livros nos Emirados Árabes, uma região que deve crescer muito daqui para a frente em termos de investimento. Os países de cultura árabe, de modo geral, devem ganhar mais projeção nos próximos anos. O Líbano e o Egito já são tradicionais produtores de conteúdo.

O mercado internacional é bom para os brasileiros?

Todos os países estão percebendo que o mercado internacional é bem interessante para a literatura. Estados Unidos, Alemanha e França vão continuar liderando as vendas de direitos, mas cada vez mais teremos projetos importantes para facilitar, como é o caso do Brazilian Publishers, de incentivo à venda do produto brasileiro no Exterior. Por isso é fundamental manter estratégias de divulgação de nossos autores. Participei de um encontro em Barcelona, ao lado de 18 editores convidados, e dá para perceber o nível de profissionalização da literatura catalã, atuando de forma agressiva na comercialização de seus títulos com ótima qualidade editorial e bom conteúdo. É um exemplo para o Brasil se espelhar.

Como foi enfrentar o desafio de abrir uma editora na crise?

É um desafio em cima de desafio, a crise afeta grandes e pequenos, e mais ainda os iniciantes que encontram uma barreira para chegar às livrarias. No entanto, acho que nessas horas você tem que se superar, ser extremamente criativo, ter muito foco e aproveitar as oportunidades. Nunca pensei em sair da editora depois de 38 anos, sair da zona de conforto. De repente, umas férias mais prolongadas de 30 dias me fizeram pensar diferente. Claro que é um grande desafio num cenário que pode piorar ainda mais no futuro, nas áreas de educação e cultura. É um túnel sem muita luz no final, mas está valendo a pena.

Por que resolveu investir no infantil?

Eu percebo que ainda há um espaço de crescimento nesse segmento. Tenho mantido contato com grandes autores e com propostas editoriais interessantes para o Brasil. Acredito que quando você traz projetos diferenciados você tem uma oportunidade razoável para concorrer.

A universidade britânica onde hologramas serão professores
BBC
Leo Kelion
05/11/2018

A universidade Imperial College, em Londres, vai oferecer aulas com “professores holográficos”. E acredita que será a primeira instituição acadêmica no mundo a fazer uso do recurso com regularidade. Um efeito de ilusão semelhante tem sido utilizado pela indústria do entretenimento, em shows que “recriam” artistas mortos, como Tupac Shakur, Michael Jackson e Elvis Presley, em performances ao vivo. A Imperial College vai limitar inicialmente as aulas com hologramas à Escola de Negócios, mas espera que o uso da tecnologia possa se tornar frequente. “A alternativa seria usar softwares de videoconferência, mas acreditamos que esses hologramas têm um senso de presença muito maior”, disse à BBC David Lefevre, diretor do Edtech Lab, laboratório de tecnologia da universidade.
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Ubisoft está adaptando “Child of Light” para a TV
Engadget
Kris Holt
31/11/2018

Com mais e mais jogos se transformando em filmes e séries (como The Witcher, Street Fighter e Alan Wake), é natural que um grande estúdio como a Ubisoft queira uma fatia maior do bolo. Entre outros projetos, a empresa está trabalhando em roteiros para uma série de TV de Child of Light e um filme de Werewolves Within. A Ubisoft Motion Pictures tem uma série de outros filmes em andamento, incluindo The Division, com Jake Gyllenhaal e Jessica Chastain, além de adaptações de Ghost Recon e Rabbids, de Tom Clancy. A Ubisoft também está envolvida com uma sitcom da Apple sobre um estúdio de desenvolvimento de jogos e planeja transformar Assassin’s Creed em uma série de anime.
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Site permite que escritores ofereçam suas obras a produtores de cinema
Veja
Sabrina Brito
01/11/2018

O que os filmes Me Chame Pelo Seu Nome (2017), O Quarto de Jack (2015) e 12 Anos de Escravidão (2013) têm em comum? Além de terem sido indicados ao Oscar, todos foram baseados em livros. No entanto, o processo até uma obra literária chamar a atenção de Hollywood pode ser muito demorado e reservado apenas para quem tem os contatos certos. Foi pensando nisso que o produtor norte-americano de cinema Uri Singer e o ex-executivo de empresas como Netflix e Apple George Berry criaram a plataforma TaleFlick. No dia 10 de outubro foi lançada a versão em português do site, que é uma espécie de catálogo de obras literárias que podem servir como base para as indústrias de cinema e televisão.
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Histórias em quadrinhos que ensinaram toda uma geração de adolescentes americanos sobre o holocausto
Huffpost
Priscilla Frank
02/11/2018

Com Neal Adams e Rafael Medoff, Craig Yoe é coeditor de We Spoke Out: Comics and the Holocaust, uma compilação de quadrinhos feitos nos anos 50, 60 e 70 que abordavam atrocidades da história a partir de painéis gráficos e balões de texto. São destacados quadrinhos que surgiram anos antes de as escolas públicas começarem a ensinar amplamente os eventos do Holocausto. Antes da televisão e da expansão da internet, os pais se preocupavam com os quadrinhos fossem corromper a inocência dos filhos. As razões eram duas: os quadrinhos eram fáceis de produzir, impressos em ritmo acelerado pelas editoras. E os leitores estavam lá para saudá-los.
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Livreiros protestam contra manobra de site da Amazon
NYTimes
04/11/2018

Mais de 250 sebos de 24 países dizem que estão retirando mais de 1 milhão de livros do site da Amazon por uma semana, um protesto improvisado depois que o site proibiu vendedores de várias nações. O protesto é uma ação rara e concentrada de fornecedores contra qualquer parte da Amazon, que depende de vendedores terceirizados para grande parte de sua mercadoria e receita. O protesto chega com o aumento da atenção que está sendo dada ao extenso poder que a Amazon exerce como varejista – uma potência que é maior em livros.
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Editora prepara nova revista de quadrinhos
Folha de S.Paulo
Maurício Meireles
03/11/2018

Uma nova revista de quadrinhos chegará ao mercado em breve, pela editora Azougue, e deve ter edições também na Argentina e em Portugal. A Expressa, editada por Ana Paula Simonaci e André Dahmer, será vendida apenas por assinatura a partir de dezembro –por R$ 40, mas com 15% de desconto no primeiro mês. Cada edição trará homenagem a um quadrinista, com uma entrevista com o eleito, sua obra e alguns rascunhos. O escolhido para a primeira edição será Jaguar. A ideia é também promover um intercâmbio entre artistas dos três países em que a revista estará disponível, por meio de editoras parceiras.
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