Metadados trazem visibilidade aos livros

Por Ivani Cardoso

Ronald Schild é CEO da MVB, umas das principais empresas provedoras de infraestrutura de tecnologia para o mercado do livro. O principal produto da MVB é a plataforma VLB, implementada no Brasil pela Metabooks. Nessa entrevista, ele conta como os editores estão levando os metadados a sério, de acordo com a relevância que têm: uma das ferramentas mais importantes para vender livros! “Com o crescimento do e-commerce, quanto melhor os metadados, mais completos e qualificados, eles forem, maior a chance de um título aparecer mais acima ou mais abaixo num resultado de busca”, completa.

Confira a íntegra da entrevista:

O que é a MVB e o que ela faz?

A empresa MVB é um dos principais provedores de soluções de infraestrutura para o mercado do livro na Alemanha. Seu foco é desenvolver e manter plataformas digitais que permitam e facilitem o marketing e a venda de livros. Os principais mercados da MVB são Alemanha, Áustria e Suécia, onde também é líder de mercado como provedor de conteúdo para profissionais do mercado e para os consumidores. O principal produto da MVB é a plataforma VLB, que é o hub central de metadados de livros. Nesta área, podemos destacar a plataforma VLB que foi implementada no Brasil há mais de um ano com o nome de Metabooks, e é administrada pela Metabooks Brasil que tem como parceira a Câmara Brasileira do Livro. A MVB faz parte do mesmo grupo que a Feira do Livro de Frankfurt e outras duas empresas que atendem o mercado editorial alemão de diferentes formas.

Por que se fala tanto em metadados ultimamente?

Não se pode vender um livro sem se saber o preço, não é mesmo? Preço é apenas um dos muitos metadados que são informados entre editores, livreiros, distribuidores e o público final. Mas antes de falar da importância deles, acho que precisamos esclarecer o que são metadados: são todas as informações disponíveis sobre um livro. Hoje existem mais informações sobre um título do que o próprio conteúdo dele. Os metadados incluem desde o básico, que logo vem à mente quando se fala deste tema, como título, preço, autor, editora, capa, dimensões… quanto coisas que por vezes não lembramos, como sinopses, biografia do autor, palavra-chave, prêmios e listas onde o livro apareceu, categorizações padronizadas… e a lista vai longe. Qual a importância disto? Basicamente, sem os metadados o leitor não encontra o seu livro. E com o crescimento do e-commerce, quanto melhor os metadados, mais completos e qualificados, eles forem, maior a chance de um título aparecer mais acima ou mais abaixo num resultado de busca. Essa é uma das principais razões porque se fala tanto disso ultimamente.

Como está o processo de trabalhar com metadados no mundo em geral?

A organização dos metadados é um trabalho muito mais adiantado e organizado na Europa e nos EUA. Japão e Canadá também realizam bom trabalho nessa área. É necessária uma expertise, é preciso entender as necessidades do mercado, conhecer os padrões internacionais e ter a capacidade técnica para implementar e controlar tudo isso num ambiente. Não é uma tarefa simples ou fácil. Na Alemanha são 22 mil editores e 6 mil livreiros trafegando metadados de mais de 5 milhões de títulos (entre ativos e inativos) o tempo todo. Imagine se isso não fosse feito usando padrões internacionais de informação. Então não é uma coisa simples trabalhar com metadados, em lugar nenhum do mundo; por outro lado, quando tiramos proveito do know-how adquirido por parceiros no mundo e trouxemos isso para o Brasil, entramos num grupo diferenciado e temos maiores oportunidades de interação e abertura de novos negócios. Nesses países que mencionei, o processo de trabalhar com os metadados é muito mais natural. Existem editoras que hoje têm até um especialista em metadados — que não é “o cara” do livro digital, mas alguém com conhecimentos específicos nessa área. Mas quando falamos de América Latina, o Brasil é o primeiro a iniciar o estabelecimento de padrões e processos comuns internacionalmente.

O mercado está preparado para trabalhar bem com os metadados?

Na Metabooks falamos muito que boa parte do nosso trabalho é “evangelizar” sobre metadados. Como comentei acima rapidamente, é um tema relativamente novo para editores, com o qual “o outro lado da cadeia” (leia-se livreiros, distribuidores e afins) lutavam diariamente e com total ausência de padronização. Apesar desse esforço grande desse grupo, os metadados pertencem ao editor, que é o maior conhecedor do livro. Já tem muita gente fazendo trabalho meticuloso e de qualidade, mas falta muito para termos uma base de metadados bem abastecida, para além das informações obrigatórias. Mas acreditamos que é um trabalho progressivo, de médio prazo, e que requer uma participação maior do mercado.

Como atua a equipe da Metabooks?

A Metabooks tem uma equipe especializada e treinada para auxiliar o editor a todo momento. E muitos nos procuram. Além disso também temos um trabalho proativo: os metadados enviados pelas editoras são analisados pela equipe e enviamos um relatório de análise, especialmente quando estão fazendo a primeira carga de dados na plataforma. Mas esse trabalho de análise é constante, e você vai encontrar na Metabooks títulos com metadados bem enriquecidos.

Pode nos dar uma visão geral do projeto atualmente?

O projeto nasceu há cerca de 4 anos, quando a CBL foi buscar a tecnologia da alemã da VLB, que já tinha mais de 40 anos de expertise no mercado daquele país, para o mercado brasileiro. Uma empresa nacional foi criada e a plataforma alemã foi customizada para atender a algumas especificidades do mercado brasileiro. Em menos de um ano de operação “a todo vapor”, a plataforma já havia ultrapassado os 65 mil títulos e contava com 75% das 30 maiores editoras em vendas na lista da Nielsen Bookscan. Atualmente, a Metabooks ultrapassou a marca de 70 mil títulos, alcançou 80% dessa mesma lista, tem cerca de 100 editoras e mais de 300 selos cadastrados na plataforma.

Quem já aderiu?

Contamos com Saraiva, Cultura/FNAC, Amazon, Martins Fontes Paulista, Livraria de Vila, Livraria Leitura como clientes da plataforma. Além disso, temos também alguns dos principais distribuidores, como Disal, Agrega, Inovação, Catavento, Loyola e Ramalivros. Outras tantas livrarias e editoras estão já em processo de negociação.

Qual é o maior desafio da Metabooks?

Fazer com que tanto editores quanto varejistas (e atacadistas) percebam a suma importância dos metadados para os seus negócios. Temos compartilhado com o mercado algumas pesquisas realizadas nos EUA e Reino Unido pela Nielsen, e na Alemanha pela GfK e MVB, que apontam os grandes ganhos nas vendas quando os metadados são preenchidos corretamente e segundo as melhores práticas das padronizações internacionais. A cada dia mais e mais editores estão levando os metadados a sério, de acordo com a relevância que têm: uma das ferramentas mais importantes para vender livros!

Vocês têm resultados de editoras parceiras sobre as vendas depois de trabalhar com a Metabooks?

Ainda é cedo para ter dados suficientes de estatística, mas já temos recebido manifestações espontâneas de editores e livreiros. No início do ano, depois de estar usando a plataforma por alguns poucos meses, uma editora de São Paulo nos escreveu comentando que antes da Metabooks demorava, para receber pedidos de seus lançamentos, de 45 a 60 dias, de uma grande rede. Depois da Metabooks essa média caiu para cerca de 15 dias. Outro editor ficou um tanto surpreso quando no início deste ano usou a função de atualização de preços da Metabooks — que é muito fácil e prática — para informar o mercado e no dia programado a alteração aconteceu nas livrarias100% correta; isto era algo que levava dias e muitos telefonemas. Também tem aqueles editores que ressaltam o suporte da equipe de controle de qualidade da Metabooks para melhorar os seus metadados.

Quais são as principais vantagens?

Hoje em dia, ou antes da chegada da Metabooks, todo editor precisava preencher uma quantidade enorme de planilhas (um editor nos reportou mais de 30 planilhas preenchidas) para enviar os metadados para canais diferentes. Cada livraria e/ou distribuidora pedia um formato diferente. Com a plataforma o editor preenche todos os dados em um só lugar, atualiza, inclui, exclui… e de uma só vez envia seus metadados para um grande número de clientes. Assim, o editor passa a ter melhor controle dos seus próprios dados, pode gerenciá-los com mais eficiência e ter maior qualidade em menor tempo. Então a primeira vantagem é um aumento considerável na qualidade das informações. O ganho de eficiência é um grande valor, mas a real vantagem é a maior visibilidade, ou como se diz no linguajar do mercado, maior encontrabilidade, dos seus livros. E isso, é claro, se reflete em mais vendas. E isto se aplica tanto ao mercado nacional quanto ao internacional.

Poderia comentar um pouco sobre a parceria com o Brasil e as diferenças entre a plataforma no Brasil e na Alemanha?

Lançar a Metabooks no Brasil foi uma experiência fantástica. Na Alemanha somos o eixo central da indústria do livro e estamos muito bem estabelecidos. Por outro lado, no Brasil temos a oportunidade de criar algo novo, praticamente do zero, e podemos ajudar a criar todo um processo novo. É muito compensador ajudar editores e livreiros a aumentar sua eficiência e suas vendas. Na Alemanha a complexidade é muito maior, com muito mais editores e livreiros e um catálogo bem mais extenso, mas o Brasil, em temos de metadados, é um território mais ou menos inexplorado. Por consequência, uma parte muito maior do nosso trabalho aqui é a evangelização de metadados, como mencionei anteriormente. Mas uma vez que as vantagens do gerenciamento de metadados são compreendidas e os primeiros efeitos positivos são percebidos, o mercado reconhece o valor do nosso trabalho.

(*) Ronald Schild é CEO da MVB, umas das principais empresas provedoras de infraestrutura de tecnologia para o mercado do livro. Os principais produtos da MVB vão desde os bancos de metadados (catálogo unificado) do mercado alemão e brasileiro até plataformas de pedidos/EDI na Alemanha, EUA e Brasil, além de plataformas de marketing e vendas na Alemanha, Áustria e Suíça. A MVB também é a agência do ISBN na Alemanha. Ronald Schild é formado pelas universidades de Strathclyde (UK), Nancy (França) e Saarbrücken (Alemanha). Antes da MVB, trabalhou na Amazon, em desenvolvimento estratégico.

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