O escritor que se alimenta de sonhos 

Por Ivani Cardoso

AgualusaJosé Eduardo Agualusa tem uma ligação forte com o Brasil e os brasileiros, conhece bem nossa literatura e tem seus autores preferidos. Já está escrevendo seu próximo romance e o tema gira em torno de pessoas que sonham “um tanto invulgar”, como diz. Ele nasceu no Huambo, Angola, em 1960. Estudou Silvicultura e Agronomia em Lisboa, Portugal. Virou escritor e hoje seus livros estão traduzidos em 25 idiomas. Para ele, o melhor tempo de inspiração é quando está apaixonado e garante que precisa escrever para ser feliz. Quando escreve para crianças busca uma linguagem rica, com humor e inteligência e afirma: “São leitores muito exigentes”. Escreveu peças de teatro e entre seus livros estão Um estranho em GoaO Ano em que Zumbi Tomou o Rio, Barroco tropical, As mulheres do meu pai, A vida no Céu – romance para jovens e outros sonhadores, O livro dos camaleões, A rainha Ginga e O vendedor de passado, entre outros. Escreve crónicas para o jornal brasileiro O Globo, a revista LER e o portal Rede Angola. Realiza para a RDP África “A hora das Cigarras”, um programa de música e textos africanos.

Confira a íntegra da entrevista:

Sempre gostou de ler? Que leituras o fascinavam?
Fui uma criança leitora. Eu li os livros que se publicavam na altura, dirigidos a um público mais jovem, como a Enid Blyton, além de autores mais antigos, como Emilio Salgari, por influência do meu pai.

Quando se descobriu escritor?
Suspeito que só muito depois de ter publicado o meu primeiro romance. Não me sentia escritor. Na época, a minha principal ocupação era o jornalismo. Eu me sentia como um jornalista que de vez em quando se dedicava à ficção.

Você tem muita ligação com o Brasil, tem coluna no Globo, tem amigos. Como foi acontecendo toda essa ligação?
Em primeiro lugar, por via familiar. Uma parte da minha família é brasileira. Comecei por me interessar pelo Brasil porque de vez em quando chegam a Angola tios brasileiros. Depois através da literatura, da música e do teatro.

Você conhece bem a literatura brasileira?
Bastante bem, creio. Jorge Amado, Rubem Fonseca, Manoel de Barros, Ferreira Gullar, Clarice Lispector, Luís Fernando Veríssimo, Adriana Lisboa, Patrícia Melo, enfim, estão entre meus preferidos. Mas há muitos outros autores que gosto de ler e cuja carreira tento acompanhar.

De onde vem a sua inspiração?
Os livros chegam até mim vindos de diferentes lugares, mas sobretudo através de sonhos. Seja qual for o enredo creio que, no essencial, venho escrevendo sobre questões de identidade, sobre a maldade, sobre o perdão.

Como é a sua relação com as palavras? Você também inventa palavras?
Só as que precisam ser inventadas. Esforço-me é por conhecer a língua portuguesa em toda a sua integral extensão. Ou seja, interessa-me a língua portuguesa que se fala em todas as geografias.

Você também escreve para crianças e jovens. O que é importante na linguagem para eles?
É importante saber conquistar esses leitores como uma linguagem rica, com humor e inteligência. São leitores muito inteligentes, exigentes e que não perdoam falhas.

Como pais e professores deveriam incentivar a leitura nas crianças e jovens?
Lendo para eles. Lendo com eles, e simplesmente lendo à frente deles.

Como é a sua relação com as novas tecnologias e redes sociais? Elas facilitam o trabalho do escritor?
Facilitam imensamente. Em todos os aspetos, mas sobretudo porque facilitam muito a pesquisa.

Qual é o seu grande sonho?
Todos os meus sonhos são grandes. Sonho com um mundo sem deuses, sem reis, sem fronteiras, sem exércitos e sem calorias.

comicsO melhor das HQs em 2016: ‘Lobo Solitário’
O Estado de S.Paulo
Rodrigo Fonseca
31/12/2016

Uivos no ar: Lobo Solitário voltou. Neste momento em que as bancas brasileiras amargam uma das piores safras criativas das HQs de super-herói, tanto no hemisfério DC quanto no Marvel (que piada foi Guerras Secretas II, né?), a decisão da Panini Comics de trazer de volta as andanças do samurai Ogami Ittô pelas veredas da vingança representa mais do que exercício de nostalgia quadrinística. Trata-se de uma revisão estética da narrativa épica nas artes gráficas. Alma e coração da editora no Brasil, Levi Trindade merecia um HQ Mix (o Oscar dos gibis nacionais) pela qualidade da republicação do mangá com texto do octogenário Kazuo Koike e desenho de Goseki Kojima (1928-2000), lançado no Japão em 28 volumes, de setembro de 1970 a abril de 1976. Pois é… lá se foram 40 anos desde o encerramento da trama que ganhou fama global pelas vias do audiovisual, a partir de uma série de filmes, iniciada em 1972, estrelada por Tomisaburô Wakayama (1929-1992).
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Library bookshelves filled with books3.8 livros en 2016
El Sol de Mexico
Andrea Balanzario Gutiérrez
27/12/2016

O INEGI [Instituto Nacional de Estadística y Geografia] estimou em 5.4 livros lidos por habitante do México para o ano que terminou. O módulo da pesquisa sobre leitura (Molec) reporta apenas 3.8 livros lidos: “O objetivo principal do Módulo sobre Lectura (Molec) é gerar informação estatística sobre o comportamento leitor da população mexicana de 18 anos ou mais, considerando características da prática da leitura, aspectos associados com a mesma e razões principais para a não leitura. Dos principais resultados desse quarto levantamento do Molec, realizado nos primeiros 20 dias de fevereiro de 2016, se tem que da população de 18 anos para cima, 97.2% são alfabetizados. Desse grupo populacional, 80,8% leu pelo menos algum livro, revista, jornal, quadrinhos, páginas de Internet ou blog”. E continuam os resultados desalentadores: “Por outro lado, 25% de cada 100 pessoas relataram ter procurado a seção de livros e revistas de uma loja de departamentos; só 18,4% visitaram uma livraria; 15,9% preferiram bancas de jornais ou revistas usadas e apenas 10 de cada 100 pessoas estiveram em uma biblioteca”. Onde estará, na realidade, o obstáculo para que os livros e a leitura sejam finalmente uma atividade cotidiana no México?
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Prêmio Sesc de Literatura abre inscrições
Da Redação

Atenção, escritores e editoras! A partir de 9 de janeiro estão abertas as inscrições para o tradicional concurso responsável por revelar novos talentos da literatura nacional. Poderão se inscrever até o dia 17 de fevereiro autores para concorrer nas categorias conto e romance. Os vencedores terão suas obras publicadas pela editora Record, que é responsável pela edição e distribuição, com tiragem inicial de dois mil exemplares. É possível concorrer nas duas categorias desde que tenha obras nunca publicadas em ambas, inclusive em plataforma online. Neste caso, as inscrições serão realizadas separadamente. O processo seletivo será realizado via internet, desde o envio de informações pessoais até a obra digitalizada. Os vencedores serão anunciados em junho de 2017. Em 2016, Franklin Carvalho e Mário Rodrigues foram os vencedores do Prêmio Sesc 2016, nas categorias “Romance” e “Conto”, respectivamente, com os livros “Céus e Terra” e “Receita Para se Fazer um Monstro”. “Ganhar foi a sensação de dever cumprido, além de abrir caminhos para que o meu trabalho seja divulgado em todo o país. Lançado pelo Sesc em 2003 para escritores inéditos, até agora o concurso revelou 23 novos autores.
O edital completo estará disponível aqui.
Mais Informações literatura@sesc.com.br

ChildrenClassroomComo escolas brasileiras estão ajudando crianças a lidar com as emoções
HuffPost Brasil
Amanda Mont’Alvão Veloso
02/01/2017

Na rotina de uma criança, é comum falar sobre as aulas na escola, os passeios extracurriculares ou as lições de casa. Dentro e fora do ambiente escolar, português, matemática, ciências e geografia acabam dando o tom de muitas das conversas. Mas pouco se fala sobre a raiva sentida por um educador diante de uma avaliação, a inveja de um coleguinha, o medo de ir para a escola e sofrer bullying mais uma vez ou a total falta de vontade de sair de cama e viver. Pode parecer exagerado, mas a depressão, a automutilação e o suicídio são uma realidade entre muitas crianças e adolescentes, o que representa um desafio alarmante tanto para pais quanto para crianças. Um levantamento da Associação de Líderes de Escolas e Faculdades (ASCL, na sigla em inglês) e do National Children’s Bureau, realizado com 338 líderes escolares britânicos, indica que mais da metade deles (55%) observou aumento significativo de estudantes sofrendo de ansiedade e estresse nos últimos cinco anos, enquanto mais de 40% disseram ter notado um grande aumento no cyberbullying. Além disso, quase oito de cada dez entrevistados (79%) disseram ter visto um aumento de comportamentos de autoagressão ou pensamentos suicidas entre os alunos.
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TeenagersGeração Y: o que leem e escrevem os menores de 30 anos?
La Nacion
Daniel Gigena
16/12/2016

É possível definir uma época pelas leituras dos jovens? Se assim fosse, os anos 60 estariam marcados por Rayuela e pelos contos de Abelardo Castillo; os 70, pelo romances de Silvina Bullrich; os 80, por Los pichiciegos e o resgate da poesia de Alejandra Pizarnik; os 90, pela série dirigida por Juan Forn (que incluía títulos de Rodrigo Fresán, Jorge Lanata e Alicia Steimberg), e a primeira década de 2000 por El pasado, de Alan Pauls. O que leem os que tem menos de 30 anos?
“As crianças elegem uma leitura mais contemporânea; livros acompanhados por um mercado que os incentiva com filmes, séries e jogos virtuais”, diz Paula Novoa, professora de escola secundária e escritora. Nos últimos anos, os alunos leitores de Novoa (a maioria leitoras) elegeram títulos de John Green, sagas como Los juegos del hambre, Divergente o Crepúsculo e Yo antes de ti, Yo después de ti, os best sellers de Jojo Moyes.
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teenagersclassroomPlataforma ajuda a trabalhar literatura em sala
Carta Educação
Dezembro de 2016

Relacionando conteúdos de Literatura e Língua Portuguesa a diversos outros campos do conhecimento, a ferramenta traz planos de aula baseados em 30 livros como O bicho alfabeto, de Paulo Leminski, e Sagarana, de Guimarães Rosa. Desta maneira, coloca em diálogo a tradição literária brasileira com outras linguagens e formas de expressão como teatro, cinema, ilustração, sarau, cordel e animação e envolve professores de diferentes disciplinas, proporcionando a adaptação dos conteúdos à realidade dos estudantes. Além dos temas de aula, a plataforma reúne testes, jogos, uma midiateca e projetos de leitura desenvolvidos por educadores de várias regiões do país. As atividades se baseiam no Mapa da literatura brasileira, outro especial elaborado pelo site que mostra autores e obras representativos da nossa cultura a partir de sua distribuição geográfica.
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LibraryA IFLA firma acordos com 50 países para trabalhar de maneira conjunta na inclusão das bibliotecas nos Planos Nacionais de Desenvolvimento
La Lectora Futura
27/12/2016

Neste momento, o Programa Internacional de Promoción y Defensa de la Profesión -Advocacy- (IAP, em sua sigla em Inglês) da IFLA está em pleno desenvolvimento. “50 países se uniram à IFLA neste caminho, e já se está observando os avanços que a promoção e o apoio ao papel que as bibliotecas podem desempenhar no planejamento e implementação da Agenda 2030 da ONU e os Objetivos de Desarrollo Sostenible”, afirma Donna Scheeder, Presidente da IFLA. O Programa Internacional de Promoción y Defensa de la Profesión –Advocacy foi lançado através de 4 Conferências Regionais que reuniram mais 100 participantes de associações de bibliotecas e representantes de bibliotecas públicas de 50 países. Antes das conferências, os participantes firmaram acordo com a IFLA para realizar atividades de sensibilização e para se reunirem com autoridades do governo a fim de garantir que as bibliotecas recebam o reconhecimento que merecem como atores chaves apoiando a Agenda das Nações Unidas para 2030.
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technoschool3 maneiras de aperfeiçoar a interação com alunos na sala de aula virtual
Desafios da Educação
20/12/2016

A conveniência e a flexibilidade do ambiente de aprendizagem online permitem que os alunos desenvolvam novas habilidades e prossigam aprimorando seus conhecimentos, independentemente do lugar onde vivam. É possível, ainda, aprimorar essa experiência, transformando a sala de aula virtual em um ambiente com interação entre professor e aluno e entre os próprios estudantes. Aqui estão três dicas práticas para aumentar a conexão humana nos seus cursos de educação a distância. Quer aprimorar o seu conhecimento sobre a sala de aula virtual?
Veja 4 formas de motivar os alunos nos cursos de educação a distância.
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9 podcasts de educação para se inspirar
Porvir
30/12/2016

Bate-papos com muita inspiração, escolas inovadoras e caminhos para mudar a educação. Em 2016, o Porvir começou a produzir podcasts para contar histórias em outros formatos e chegar a novos públicos. Com arquivos de áudio, que podem ser baixados para ouvir em qualquer lugar, as inovações educacionais se materializam na voz de alunos, educadores e até mesmo especialistas. Durante todo o ano, foram produzidos nove programas de áudio, com destaque para os conteúdos sobre educação mão na massa e para a série Educast, produzida em parceria com a Nova Escola e a Central3. Também reunimos pessoas para compartilhar conhecimentos e conversar sobre inovação. Todos os programas estão disponíveis na plataforma Soundcloud e no iTunes.
Ouça e baixe todos os programas aqui

boiEstante
Boi, boiada, boiadeiro
Palavras, Muitas Palavras
Editora: Salamandra
Autora: Ruth Rocha
Ilustração: Teresa Berlinck
Faixa etária: A partir de 08 anos
Número de páginas: 32
Preço: R$ 42,00
ISBN: 9788516096670

A Ruth Rocha contadeira de histórias de muitos reinos virou cantadeira que, de verso e viola, campereia Brasil adentro com uma inesperada graça caipira. Neste livro, ela canta a beleza das flores, das festas, dos bichos e das paisagens campestres. Fala também de machados ceifando árvores e ninhos, de boias-frias que só existem quando é tempo de colheita, da triste sina de quem às vezes marcha como boiada no escuro, sem consciência do seu destino. A escritora foi orientadora educacional e editora. Já publicou mais de cem livros no Brasil e vinte no exterior, em dezenove diferentes idiomas.

 

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